quinta-feira, 25 de junho de 2026

O teatro liberta


“Não há artista que não saiba que os temas são por si próprios, numa certa medida, algo ingênuos, despidos de atributos, vazios e auto suficientes. Só o gesto social, a crítica, a astúcia, a ironia... lhes inculcam um caráter humano”.
                                                                       Bertolt Brecht
A elaboração do texto é uma das etapas mais delicadas do teatro. A tarefa de desenhar e compor a peça teatral é um dos mais desafiadores encargos.
A necessidade de escrever a trama não está associada à inexistência de autores teatrais. Absolutamente. Diria, sem receio de cometer equívocos, que em nossas comunidades latejam artistas e escritores. Não só o numero de escritores ou potenciais escritores é expressivo, como é elevada a qualidade dos trabalhos. O problema se materializa quando se trata de disponibilizar essa produção. Infelizmente o acesso aos textos dramáticos não tem sido satisfatório.
É neste contexto que este livro se insere.
A importância do próprio grupo teatral estruturar seus textos - ou pelo menos alguns deles – aponta na direção do aprofundamento da interação com a comunidade, com a plateia, com o público alvo. Não é tão simples encontrarmos textos elaborados, perfeitamente ajustados às nossas necessidades, expressando a real situação que queremos abordar, criticar e reconstruir.
Acorre à lembrança um grupo de teatro amador do Estado do Paraná. O grupo andava em busca de um texto que se aproximasse - ainda que tangencialmente, da realidade local.
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Procuraram por um longo tempo, numa busca exaustiva, estafante. Recorreram às bibliotecas, aos professores, estudiosos e amigos. Uma teia informal de pesquisadores foi formada para - após certo tempo, dar a busca por encerrada, sem que fosse o texto encontrado.
A procura por um texto singular, que evidenciasse os problemas emergentes da região, dificultava a tarefa. Buscavam um escrito em fina sintonia com a realidade conflituosa vivenciada pela comunidade. Foi quando se depararam com o inevitável: teriam - eles próprios - de assumir a tarefa, criar a obra. Mas como fazer? Que metodologia adotar? Que estratégia seguir? Aí é que tudo se embaralhou. Sobretudo, porque não havia no grupo quem fosse afeiçoado à escrita.
Resolveram então, seguindo os procedimentos da metodologia ThM-Theater Movement, aqui disposta, redigir o texto teatral. O objetivo foi conquistado, com êxito, após uma semana de intensos trabalhos.
Mas há uma outra vertente que também carece desse tipo de intervenção. Em nossas escolas, do ensino fundamental ao superior - passando pelo médio e profissionalizante, abriram-se verdadeiros abismos, precipícios, buracos negros, em que a cidadania, de forma geral, é mantida à margem de tudo que faça referência ao teatro e à dramaturgia.
Trata-se então de estabelecer uma ponte, abrir um canal através do qual a comunidade possa acessar as técnicas necessárias à elaboração do texto criativo, da obra literária, e, sobretudo, ao exercício da dramaturgia. 
Uma outra questão, não menos importante, convém salientar: a reação, o medo de escrever. Não poucas vezes nos sentimos prostrados, perplexos diante do “branco”, do vazio, da completa ausência de ideias que enfoquem temas sobre os quais deveríamos debruçar e redigir.
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Essa situação não soa atípica, extraordinária ou incomum; costuma acontecer com certa frequência e não deveria causar vergonha, espanto ou temor. Sobre o assunto atente ao que escreveu Carlos Drummond de Andrade:
“Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
Inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
E não quer sair”.

Para superar a falta de ideias, ajuda agregar aos procedimentos a etapa do aquecimento. Antes de uma acorrida ou da prática de alguma atividade esportiva, o correto é iniciar com o aquecimento físico sob pena de incorrer em lesão muscular. Assim como o corpo, também a mente necessita de aquecimento para se movimentar e alçar voo.

Portanto, antes de colocar a mão na massa, antes de dar início à tarefa, antes de iniciar a redação, é necessário conversar consigo mesmo, trocar ideias e impressões com essa mítica personagem que habita o nosso interior e que, muitas vezes, desconhecemos por completo. Não hesite em questionar seu imaginário, fazer comparações, estabelecer conexões, alinhavar relações de causa e efeito. Nessa etapa vale tudo: acionar a memória, abusar da imaginação, dar guarida à inteligência e à criatividade.
E manter-se a quilômetros de distância da preguiça mental.
O teatro é o espaço onde todas as manifestações artísticas se encontram: as artes plásticas e a arquitetura, a música, a dança, o canto e a oratória, a literatura...
A literatura chega ao teatro através da dramaturgia. No teatro utilizamos a língua falada que surgiu muito antes da língua escrita.
Apesar de todo o aperfeiçoamento verificado ao longo da história da humanidade, a língua escrita jamais conseguirá se apropriar de todas as variações da entonação, por exemplo. Ou das alterações que um esgar, um trejeito, um gesto ensaiado pode emprestar a uma palavra. Um olhar mais intenso, um gesto compassado das mãos, a linguagem corporal de um ator experiente, tudo isso pode expressar significados que a língua escrita jamais alcançará. Por isso, traduzir todo esse universo confinando-o num texto é um desafio que exige habilidade e um conjunto de técnicas apropriadas. Um bom texto sempre possibilitará que o ator se expresse com maior intensidade. Tem que ser assim porque o ator é, na realidade, o emissor primordial, o agente que tratará de impregnar as palavras de movimento. Ao dramaturgo cabe estabelecer códigos que possibilitem à mensagem chegar cristalina, explícita e compreensível à plateia, ao receptor. Por isto, muitas vezes o dramaturgo fará a opção por ignorar as normas gramaticais, passando ao largo da linguagem culta. Optará por uma outra modalidade linguística: a linguagem coloquial. Mas para adotar este procedimento deve estudar profundamente a linguagem culta, deve dominar os modelos e normas da gramática tradicional.
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As palavras de Clarice Lispector elucidam esta questão:
“Mas eu queria dizer a você e a todos os que estão começando a escrever que, para não respeitar as regras gramaticais, é essencial conhecê-las – senão é simples erro e ignorância.”  Clarice Lispector. Correspondência, JB, 29/06/68 
O texto teatral é uma peça viva, encorpada, por isso deve ter alma e forma.
Quanto à alma, à expressividade, Franz Kafka - um dos ícones da literatura moderna, afirmava que “a pena é o estilete sismográfico do coração”. Neste sentido, o texto deve expressar o que provém dos quadrantes mais recônditos de nosso coração, dos escaninhos mais secretos de nosso interior. As palavras são porta-vozes de nossos sentimentos mais febris, impetuosos e secretos.
E neste contexto, a forma exerce importância vital. Às vezes temos que percorrer uma jornada exaustiva até encontrar a forma adequada, a mais ajustada aos nossos objetivos e propósitos. Em uma de suas cartas, Antonin Artaud - o dramaturgo francês que concebeu o Teatro da Crueldade - dialoga com um amigo a respeito de um artigo em elaboração: “(...) estou em vias de fazê-lo, mas eu o reescrevo sem cessar, como tudo que faço. Preciso de tempo e de inúmeras tentativas e revisões minuciosas antes de encontrar a minha forma”.
No processo de elaboração do texto teatral o ideal é que conteúdo e forma caminhem juntos, no mesmo compasso, como se verso e reverso de uma mesma moeda.
No passado recente muitos encenadores colocaram-se contra a palavra no palco acreditando que sua onipresença limitava a manifestação essencialmente teatral, impedindo-a de se libertar. Alegavam, como Edward Gordon Graig que “(...) a arte do teatro nasceu do gesto, do movimento, da dança (...)” e por isso relegavam o verbo a um plano inferior. Em suas incursões contra o teatro ocidental, Artaud o condenava por “viver sob a ditadura excessiva da palavra”.
Tairov inconformava-se com a submissão do teatro ao texto escrito e afirmava categórico: “o teatro novo não deve ser um comentário do texto, mas criar sua nova obra de arte própria e autônoma”.
O dramaturgo deve estar atento a esta dinâmica específica da atividade teatral. O texto não deve existir de per si; deve ser compreendido como parte de um contexto maior; deve existir de forma integrada à plástica dos cenários e adereços – a arquitetura; deve interagir com a linguagem gestual, com a dança, com a música, com uma plateia cada vez mais ávida por participar, interagir, contribuir.
Ao escrever, portanto, o autor deve conduzir seu espírito e sua mente em direção a esta ambientação onde a relação espaço-tempo apresenta-se de múltiplas formas, com múltiplos significados.
Destarte, habitue-se a escrever imaginado a palavra se libertando do texto inerte, adquirindo o audaz movimento propiciado pela expansão do som no ar. Acostume-se a redigir imaginando as cenas transcorrendo no palco, nas ruas, na vida. Imagine, ao criar o texto, o ator inspirando, expirando, ofegando, latejando, procurando a pausa e a entonação que darão ao verbo o sentido mais exato e legítimo. Reflita sobre o choque e o entrechoque das palavras, a reverberação, o eco, a repercussão, a resposta refletida no contato com as superfícies...      
Adolphe Appia, sabiamente, costumava afirmar: “(...) quem diz dramaturgo diz também encenador; seria um sacrilégio especializar as duas funções. Podemos então estabelecer que se o autor não acumula ambas, não será capaz de uma, nem de outra, pois é na penetração recíproca que deve nascer a arte viva”.
Este é o universo de onde emerge esta A arte da dramaturgia, 555 exercícios, jogos e laboratórios para aprimorar a redação da peça teatral.        
São mais de 500 exercícios contextualizados na metodologia QuasarK+, sistemática de planejamento criada por este autor em que a relação pesquisa/ação/reflexão/avaliação/retroalimentação se processa de forma continuada e indissolúvel. Mergulhando o imaginário criativo nos marcos do raciocínio lógico, a tecnologia ThM-Theater Movement incorpora valores e princípios estruturantes como “Construção Solidária” e “Participação Intensiva”, conduzindo o leitor à possibilidade da construção e encadeamento das tramas, da elaboração do texto criativo, da redação peça teatral.
 Tanto quanto conceber e semear peças teatrais, as intenções e objetivos deste livro constituem uma caminhada. Uma jornada em que o princípio consta latente, mas que o processo e o epílogo invariavelmente estarão por concluir. Inexoravelmente.  
Por esta razão, nesse ponto da travessia, o estudo, a investigação, a pesquisa estruturada, a observação criteriosa, crítica e metódica, deverão impregnar nosso dia a dia. Legando à caminhada os predicados do bom humor, do entusiasmo e do prazer, condições para que façamos com amor, criando sempre e cada vez mais e melhor.
O desafio está lançado. O universo da dramaturgia está em suas mãos, amigo leitor. Eis que o contrarregra sinaliza a abertura das cortinas.
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A arte de escrever bem


Escrever é uma necessidade vital, um fundamento sem o qual a comunicação perde em substância.
Os desafios do dia a dia exigem intensa troca de mensagens, seja nas redes sociais, seja nas corporativas: relacionamentos pessoais, correio eletrônico, elaboração de projetos e relatórios, participação em concursos e processos seletivos, negociações empresariais, tratados corporativos, convenções políticas, projetos literários... Tarefas que se tornam triviais, textos que se tornam mais adequados e elegantes quando as técnicas para a elaboração da redação criativa se encontram sob inteiro domínio. E não é só. Escrever está umbilicalmente vinculado à qualidade de vida, à saúde, ao bem-estar.
É o que comprova estudo realizado pela Universidade de Auckland, na Nova Zelândia. Os pesquisadores chegaram à conclusão que a prática da escrita atua na redução dos hormônios vinculados ao estresse, melhora o sistema imunológico, auxilia na recuperação do equilíbrio físico e emocional.  
Este livro disponibiliza uma exclusiva metodologia para a elaboração do texto criativo. Destina-se aos que tenham interesse em aprimorar a expressão através da escrita: trabalhadores e servidores públicos, gestores que atuam nos setores privado e estatal, empresários e empreendedores, lideranças políticas e sociais, professores e estudantes, sem perder de vista as pessoas comuns, o público em geral, porque qualificar as formas de interagir com o outro deve ser um objetivo estratégico acolhido por todos.     
A utilização da técnica ‘Moving Letters’ possibilita que a atividade ‘escrever bem’ se coloque ao alcance de qualquer um. O método, ancorado nos princípios do planejamento estratégico – de maneira gradual e progressiva – conduz o leitor pelos universos que podem levá-lo à carreira de escritor.  Caso a opção seja escrever um livro, por exemplo, a metodologia auxilia na definição dos temas, na estruturação das tramas, na caracterização das personagens, na coesão do enredo, na consistência dos conflitos, na lapidação do texto, desenvolvendo as habilidades necessárias para a elaboração da adequada escritura.
Fluência à escrita e qualidade à redação são as molas propulsoras que impulsionam o livro, são os objetivos possibilitados pela aplicação da metodologia. Como fundamento, um tripé harmoniosamente organizado: a linguística, a estruturação e análise do discurso e as técnicas de elaboração de textos criativos. 
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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Vsiévolod Meyerhold, o gigante do teatro

 




“O ator sobre a cena é como um escultor frente a um pedaço de argila: deve reproduzir em forma sensível, como o escultor, os impulsos e as emoções de sua própria alma. O material do pianista está representado pelos sons de seu instrumento, o do cantor por sua voz, o do ator por seu corpo, a fala, a mímica, os gestos. A obra interpretada pelo ator representa a forma de sua criação”.


Em 1874 nasceu na Rússia o encenador criador da Biomecânica Vsiévolod Meyerhold. Estudou no Instituto Dramático-Musical da Filarmônica de Moscou, e tendo concluído os estudos formando-se ator, ingressou no recém-fundado Teatro de Arte de Moscou – TAM. Isto ocorreu no ano de 1898, o ano de fundação do teatro-escola de Nemirovich-Danchenko e Constantin Stanislavski.
Danchenko e Stanislavski criaram o TAM para escapar e se contrapor ao tradicionalismo teatral de então, aos clichês repetitivos e enfadonhos, às interpretações baseadas na imitação pela imitação, na cópia servil.

Mas Meyerhold imaginava para si caminhos diferentes, e o desejo de desbravar novos horizontes fez com que, quatro anos mais tarde, abandonasse o teatro de Stanislavski. E rompe anunciando em alto e bom som seus pontos de discordância.

A obsessão desmedida pela exatidão, o realismo explicitado na ênfase aos detalhes e um tipo de interpretação que estimulava a identificação do ator com a personagem eram paradigmas cultuados no TAM, mas que não satisfaziam Meyerhold.


Parte então para uma carreira solo e, já como encenador, inicia uma linha de pesquisas baseada no teatro popular, no teatro alegre e desperto exercitado nas ruas, praças e feiras livres. Em 1906 apresenta “A barraca de Feira” de Alexander Blok, registrando seu encantamento por este universo recém-descoberto, o universo do teatro popular, onde o contato mais íntimo com o espectador e o abandono da tese da ilusão da realidade compõe duas das mais visíveis facetas de sua vertente teatral: o grotesco cênico.


A rica performance corporal dos atores de rua influenciou sobremaneira o grotesco cênico de Meyerhold. Tanto quanto a exploração dos opostos e a incorporação dos elementos e das características das artes circenses.

Avançando em suas experiências, no ano de 1913 cria sua escola de teatro e passa – como seu antigo mestre Stanislavski – a se dedicar também à formação de atores. Neste ponto, as escolas de ambos já se mostram nitidamente diferentes.

Com a revolução, Meyerhold e Maiakovski colocaram-se na linha de frente dos embates políticos, perfilando ao lado dos bolcheviques.

Filia-se ao Partido Bolchevique e em 1918 já estava montando a peça de Vladimir Maiakovski, “Mistério Bufo”, comemorando o primeiro ano da revolução soviética.

Boicotado pelos atores profissionais, Meyerhold lança mão de estudantes e atores inexperientes, sendo que o próprio Maiakovski se vê na obrigação de interpretar três dos papéis da peça.


Ambos vestiram as cores do materialismo dialético, promovendo – nos primórdios - um teatro maniqueísta de pura propaganda política: o bem numa extremidade, o mal na outra; os revolucionários de um lado e os exploradores do outro, bem ao sabor da nova ordem burocrática.

Mas logo compreenderam que este tipo de teatro panfletário deveria corresponder a um período histórico específico, a um movimento limitado no tempo e decidiram enveredar pelo aprofundamento das pesquisas e experimentos com vistas a encontrar um teatro de fato renovador, vívido, provocante. 

E apesar do compromisso com a causa revolucionária, da consistência dos espetáculos, dos sucessivos sucessos de público, seu teatro começa a ser taxado pelo estado militarista de “incompreensível para as massas”, e de cultuar em suas montagens “aspectos místicos, eróticos e de espírito associal”. 

Ao contrário do que se esperava, a ideologia cultural e artística dos bolcheviques ia se mostrando por demais preservacionista, tradicionalista e autoritária, o que se confrontava com a visão e o ideário de futuristas como Maiakovski e Meyerhold, que perseguiam uma arte em sua essência renovadora, distante do tradicionalismo das antigas elites burguesas, criativa por excelência e libertária por natureza.

Colocavam-se assim – sem atinar para o perigo latente - na contra mão das políticas culturais concebidas e implementadas pelo Partido Comunista. 

Em contraposição às mostras de teatro tradicionais criou o “Outubro Teatral”, movimento que transformou os teatros em espaços de discussão política e comunhão com os espectadores. Na seqüência dá origem ao ator–tribuno, o artista que não se limita a interpretar seu papel, mas que também agita e atua politicamente, distanciando-se por vezes de sua personagem para fazer com que a mensagem chegue de forma mais clara e límpida ao publico presente nos espetáculos. 

Adaptando as idéias produtivistas de Frederick Taylor, a teoria de reflexos condicionados de Ivan Pavlov e os estudos das relações sobre o corpo e as emoções de Willian James, desenvolve a Biomecânica, conjunto de exercícios básicos que ajudam o ator a exercer maior controle sobre o seu corpo em situações dramáticas. A Biomecânica trabalha o vocabulário físico-gestual de modo a assegurar ao ator pleno domínio do que expressa. Mas envereda também pelo estudo das ações físicas com o propósito de decompor cada movimento, possibilitando uma melhor análise dos seus significados e uma leveza e clareza de expressividade.

Para dar consistência aos princípios da Biomecânica, Meyerhold buscou as técnicas de movimento dos atores italianos da época da Commedia dell'arte; e posteriormente inseriu características do teatro Kabuki, configurando assim uma metodologia calcada na moderna tecnologia de então. O criador da Biomecânica assim se manifestava quando se referia aos objetivos da técnica em relação ao ator:

“dotá-lo da precisão e da álgebra gestual do teatro de Kabuki, onde cada gesto tenha uma significação convencional definida, resultado de uma tradição de séculos”.

O ator biomecânico é um artista que cultua e exercita a agilidade – do corpo e do raciocínio - o otimismo e a felicidade. Criador simples e despojado prescinde das máscaras naturalistas, dos clichês, disfarces e maquiagem. Este ator encontra-se em um ponto eqüidistante do trabalhador comum que faz teatro e do exímio especialista que nada vê à frente que não seja o teatro. Técnica e consciência de classe tornam o ator de Meyerhold um agente da arte e da história.

Mas a burocracia bolchevique condena no dramaturgo a criatividade sem limites e a preponderância do experimentalismo sobre o componente ideológico. Ávidos por abrir espaço para uma nova cultura encabrestada pelo estado, acusam a vanguarda artística de priorizar a forma em detrimento dos conteúdos revolucionários. 

Os burocratas continuavam defendendo e exigindo um teatro em tudo maniqueísta, por demais simplista, esquematizado ao extremo, ao passo que Meyerhold, tomado de impaciência e irritação, começou a criticar as peças e espetáculos que, em suas palavras “qualquer um pode escrever, e qualquer teatro pode montar”.

Nesta altura, Meyerhold já consolidara sua preferência pelo riso solto e aberto, pelos jogos exploratórios dos limites do corpo, pela imersão no teatro popular.

Em 1929 encena com Maiakovski a peça “O Percevejo”. Respondendo às provocações e críticas dos porta-vozes do Kremlin argumenta que a finalidade maior do espetáculo foi “flagelar os vícios de nossos dias” e que Maiakovski “nos faz refletir sobre muitos problemas que já pareciam resolvidos”.

Foi a deixa para despertar, de forma definitiva, a ira do stablisment vermelho.

Daí em diante a opressão do Estado, exercida de forma sistemática e onipresente levam Maiakovski e muitos outros ao suicídio. E após submetido a intensa tortura física e psicológica Meyerhold é executado. Neste período da história soviética, mais de 1500 artistas foram submetidos ao mesmo brutal ritual estalinista de seleção cultural. 

No teatro, o realismo socialista de Gorki respondia por realismo psicológico e ilusionista, deturpando princípios de Stanislavski, transformando os ensinamentos do grande mestre russo em dogmas que justificassem espetáculos espelhados na desejada realidade revolucionária, conduzindo novamente o espectador à inércia e à passividade. 

Ao executar Meyerhold, a burocracia comunista desejava liquidar muito mais que o homem, seus sonhos e suas realizações. Não conseguiu. A Biomecânica, desde o seu nascedouro, tem influenciado de forma decisiva o teatro contemporâneo. Suas pesquisas sobre o teatro popular, sobre a arte mambembe, suas buscas por um ator que experimente e vivencie, ao mesmo tempo, consciência crítica e plasticidade corporal, ajudaram a compor as bases de muitos outros movimentos que – ao longo das ultimas décadas - vêm se sucedendo, e que até hoje eclodem em todos os quadrantes do planeta. 

Meyerhold continua vivo e sua metodologia teatral mantém o vigor e a pujança de sempre. Já quanto aos burocratas comunistas áulicos do realismo socialista...

Artigo de Antônio Carlos dos Santos



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A Coleção Mundo Contemporâneo: os livros infantis para pirralhos, adultos e idosos que preservam uma criança dentro de si.

A Coleção Mundo Contemporâneo contém 10 livros infantis. Cada um dos volumes aborda uma questão estratégica para o avanço da civilização.

O objetivo é oferecer às crianças e à juventude uma panorâmica sobre questões candentes da contemporaneidade, desafios que exigem atitude e posicionamento por parte dos que, amanhã, serão responsáveis por conduzir a humanidade e o planeta em direção à sustentabilidade. 


Veja aqui as obras da Coleção:

1 - O sapinho Krock na luta contra a pandemia

2 - A onça pintada enfrenta as queimadas na Amazônia e no Pantanal 

3 - A ariranha combate a pobreza e a desigualdade

4 - A hárpia confronta o racismo

5 - O boto exige democracia e cidadania

6 - O jacaré debate educação e oportunidades

7 - O puma explica trabalho e renda

8 - A anta luta contra o aquecimento global

9 - O tucano denuncia a corrupção e os narcoterroristas

10 - O bicho preguiça e a migração


Clicando aqui, você acessa a coleção em inglês. 

 

Coleção

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autor

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A coleção da bruxinha serelepe: 

 




1.    Planejar       

2.    Organizar    

3.    Estudar        

4.    Exercitar      

5.    Leitura         

6.    Cultura        

7.    Meditar        

8.    Interagir       

9.    Fazer amigos

10. Respeito e motivação

 

A Coleção

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O autor

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Veja os vinte livros da Coleção Ciência e espiritualidade para crianças:


Livro 1 - Panda Zen e a menina azeda

Livro 2 - Panda Zen e o verdadeiro valor

Livro 3 - Panda Zen e as mudanças

Livro 4 - Panda Zen e a Maria vai com as outras

Livro 5 - Panda Zen e a estrelinha cintilante

Livro 6 - Panda Zen e a verdade absoluta

Livro 7 - Panda Zen e o teste das três peneiras

Livro 8 - Panda Zen e os ensinamentos da vovó

Livro 9 - Panda Zen e os cabelos penteados

Livro 10 - Panda Zen e a magia da vida feliz

Livro 11 - Panda Zen e as paixões enganosas

Livro 12 - Panda Zen entre a reflexão e a ação 

Livro 13 - Panda Zen e o mais importante

Livro 14 - Panda Zen, a gota e o oceano

Livro 15 - Panda Zen e a indecisão

Livro 16 - Panda Zen e o vaga-lume

Livro 17 - Panda Zen e a busca da identidade

Livro 18 - Panda Zen entre o arbítrio e a omissão

Livro 19 - Panda Zen e o trabalho

Livro 20 - Panda Zen e a falsa realidade



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E aqui os vinte e quatro livros da Coleção As mais belas lendas dos índios da Amazônia:

A COLEÇÃO: Folclore da Amazônia

coleção “As mais belas lendas dos índios da Amazônia” contém 24 livros infantis. As obras mergulham no imaginário popular dos povos da floresta para de lá extrair o mais genuíno folclore do índio amazônico. 

Veja aqui as obras da Coleção:

1.    Boitatá       

2.    O Boto       

3.    O Caipora 

4.    O Cairara  

5.    A Cidade encantada       

6.    O Curupira

7.    A Galinha Grande

8.    O Guaraná

9.    Iara

10. O Lobisomem       

11. A Mandioca          

12. A Princesa do Lago        

13. Saci Pererê           

14. O Uirapuru

15. O Velho da Praia 

16. O Velho e o Bacurau      

17. A Vitória-Régia    

18. O Açaí        

19. As Amazonas       

20. Mapinguari

21. Matinta Perera     

22. Muiraquitã 

23. O Rio Amazonas

24. Anhangá

A Coleção:

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