terça-feira, 6 de abril de 2021

Asteroide que dizimou dinossauros deu origem à Amazônia, diz estudo

Impacto do asteroide dizimou mais de 75% da vida no planeta Terra

Pesquisa na "Science" sugere que impacto de asteroide na Terra há 66 milhões de anos mudou drasticamente o tipo de vegetação das matas tropicais, originando a floresta densa e escura da Amazônia que conhecemos hoje.

 

O impacto do asteroide que dizimou os dinossauros há 66 milhões de anos ajudou a dar origem às florestas tropicais que conhecemos hoje, apontou um estudo publicado na revista científica Science nesta sexta-feira (02/04).

Pesquisadores analisaram dezenas de milhares de fósseis de pólen, esporos e folhas para entender como a colisão do asteroide afetou as matas tropicais da América do Sul. Esses fósseis foram coletados em 39 locais em toda a Colômbia e datam de 70 milhões a 56 milhões de anos atrás.

Os cientistas concluíram que, após a enorme rocha espacial ter atingido a Terra, exterminando mais de 75% da vida no planeta, o tipo de vegetação que formava essas florestas também mudou drasticamente.

Antes da colisão, a floresta tropical que prosperava na Colômbia consistia de arbustos floridos banhados pela luz do sol, que por sua vez fluía através de grandes fendas entre as copas de coníferas altas. Após o asteroide, essa floresta com dossel aberto foi transformada nas florestas densas e escuras da Amazônia que conhecemos hoje, afirmam os cientistas.

Ao analisar os fósseis coletados, o estudo descobriu que a diversidade de plantas diminuiu 45% imediatamente após a queda da rocha espacial. Depois do evento, levou 6 milhões de anos para que a rica diversidade da floresta tropical se recuperasse. Mesmo assim, a mata nunca foi a mesma.

"Um único acidente histórico mudou a trajetória ecológica e evolutiva das florestas tropicais", afirma Carlos Jaramillo, pesquisador no Instituto de Pesquisa Tropical Smithsonian na Cidade do Panamá. "As florestas que temos hoje são realmente o subproduto do que aconteceu há 66 milhões de anos."

Antes, as florestas tropicais eram uma mistura de angiospermas, ou árvores e arbustos floridos, e de outras espécies de plantas, como coníferas e samambaias. "A competição pela luz não era tão intensa", explica Jaramillo, que é paleoecologista, campo da ciência que estuda fósseis para reconstruir ecossistemas do passado.

Depois, as samambaias e coníferas desapareceram em grande parte, e as angiospermas passaram a representar cerca de 90% das espécies de plantas da floresta.

Por que mudou?

Os motivos não são totalmente claros, afirmam os cientistas no estudo. O clima da região no final do período Cretáceo, há 66 milhões de anos, era semelhante ao de hoje: quente e úmido. Mas outros fatores provavelmente estavam em jogo.

Enormes saurópodes herbívoros, os dinossauros de pescoço longo, teriam ajudado a manter as lacunas abertas entre as árvores, permitindo a entrada de luz, diz Jaramillo. Assim que o asteroide colidiu com a Terra, os dinossauros saíram de cena. Segundo o pesquisador, a extinção de certas famílias de plantas devido ao impacto também pode ter influenciado.

Um terceiro fator provável foi uma mudança na composição química do solo da floresta. As chuvas frequentes durante o Cretáceo quente e úmido removeram muitos nutrientes dos solos, o que teria favorecido a existência de gimnospermas como as coníferas.

"As gimnospermas tinham essa capacidade incrível de crescer com muito pouca comida e podiam vencer as angiospermas", explica Jaramillo.

Segundo a equipe, as cinzas que caíram após o impacto do asteroide podem ter adicionado fósforo aos solos, fertilizando-os efetivamente. Com mais comida disponível, as angiospermas superaram as gimnospermas, crescendo rapidamente em direção ao céu e bloqueando a luz do sol.

Esse dossel espesso e fechado apareceu logo após o impacto, mas a diversidade florestal demorou muito mais para se recuperar, pois novas espécies começaram a evoluir para ocupar novos nichos ecológicos.

Para o pesquisador Jaramillo, esse longo caminho de recuperação da floresta traz um alerta importante para o impacto duradouro das atividades humanas modernas, como o desmatamento. "Gerar nova diversidade leva tempo geológico", diz ele. "Não se trata apenas de plantar árvores."

A importância da pesquisa

Em entrevista à Science, a paleoecologista Elena Stiles, da Universidade de Washington em Seattle, que não participou do estudo, afirma que a pesquisa é a primeira a trazer uma ideia abrangente do que aconteceu nos ecossistemas tropicais logo após a extinção dos dinossauros. Segundo ela, a maioria dos estudos sobre o evento envolve florestas na América do Norte ou mais ao sul, como na Patagônia, mas não nos trópicos.

Para Stiles, também é impressionante a possibilidade de que a descoberta possa ajudar a responder a uma pergunta de longa data sobre a surpreendente biodiversidade da América do Sul.

"Há muito tempo as pessoas se perguntam de onde vem toda essa diversidade", afirma a cientista. Pesquisadores já especularam, por exemplo, que o clima do continente ou seu longo isolamento de outras regiões podem ser os responsáveis. "Portanto, é realmente interessante que esse evento de extinção em massa possa ter sido um dos mecanismos que o moldaram para ser esta região única."

Na Deutsche Welle 


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segunda-feira, 5 de abril de 2021

Hoje é Dia: Cacilda Becker completaria 100 anos nesta semana



Ela conhecia cada pedaço do palco. Como a palma das mãos, com a planta dos pés. Muito antes de o espetáculo começar, ela caminhava em círculos por aquele espaço que era como a sua casa. Passava para si mesma não apenas as próprias falas de sua personagem, mas também a de todos os colegas.

 

O próximo 6 de abril (terça-feira) é o dia do centenário da grande dama do teatro brasileiro Cacilda Becker. Ela morreu em 1969, com apenas 48 anos de idade, vítima de um derrame, mas deixou um legado imensurável para a cena cultural brasileira, com aproximadamente 70 espetáculos. A memória dos 100 anos da estrela é um dos principais fatos da semana que começa.

Ela, natural de Pirassununga (SP) e que foi para Rio de Janeiro e São Paulo conquistar o estrelato, foi a primeira atriz profissional do Brasil em uma época em que o elenco recebia apenas as próprias falas. Em entrevista para a TV Brasil, há dois anos, o neto da artista, Guilherme Becker Fleury, explica que a avó foi para a capital paulista apenas com o dinheiro da passagem.

"Ela lutou a vida inteira pela classe artística", afirma Guilherme, que reuniu móveis e objetos da avó, do marido dela, o ator Walmor Chagas , e da irmã, Cleide Yáconis (1923-2013), para exposição ao público. O último espetáculo de Cacilda - A Espera de Godot, de Samuel Beckett - foi no ano de morte dela. Foi em uma apresentação, inclusive, que ela teve uma dor na cabeça forte e pediu ajuda da plateia. Após o primeiro ato, precisou procurar um hospital, onde faleceu.

Quando Cacilda Becker faleceu, o que causou comoção nacional, o poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu o seguinte: "A morte emendou a gramática. Morreram Cacilda Becker. Não era uma só. Eram tantas…”.  O registro do programa De Lá pra Cá (2011) explicou a trajetória da atriz e as inovações que ela trouxe para o palco. "A Cacilda tinha um tipo franzino e uma presença cênica extraordinária. Ela se transformava no palco", recordou o diretor teatral Flávio Marinho, que chegou a assistir a dois espetáculos da atriz.

Biógrafo de Cacilda Becker, o historiador Luiz André do Prado explica que, desde a adolescência em Santos (SP), ela já demonstrava talento para a dramaturgia e dança. "Foi lá que ela foi descoberta e levada ao Teatro do Estudante, no Rio de Janeiro", esclarece o autor de Cacilda Becker: Fúria Santa. Ele explica que depois a atriz foi para São Paulo. No programa, a crítica Barbara Heliodora explica que a atriz era um acontecimento em cena.

Agência Brasil


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