quinta-feira, 29 de julho de 2021

Sítio Roberto Burle Marx é escolhido como Patrimônio Mundial da Unesco



Trata-se do 23º bem brasileiro a receber o título

O Sítio Roberto Burle Marx foi escolhido no dia 27 como Patrimônio Mundial, na categoria paisagem cultural, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O local é o 23º bem brasileiro inscrito na lista de patrimônios mundiais. Localizado em Barra de Guaratiba, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, o espaço de 407 mil metros quadrados (m²) de área florestal abriga coleção com mais de 3,5 mil espécies de plantas tropicais e subtropicais.

A candidatura brasileira foi apreciada durante a 44ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco que começou no último sábado (24) e vai até 31 de julho, na cidade de Fuzhou, na China. Na reunião, o comitê analisa as candidaturas aos próximos patrimônios mundiais culturais e naturais.

Em uma rede social, o sítio disse que a inclusão na lista de patrimônios mundiais significa que estes bens tão especiais para o Brasil são também de "valor universal excepcional" para a humanidade. “O Patrimônio Mundial é de fundamental importância para a memória, a identidade e a criatividade dos povos e a riqueza das culturas, buscando promover a identificação, a proteção e a preservação do patrimônio cultural e natural de todo o planeta”.

O sítio é uma unidade especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia federal vinculada à Secretaria Especial da Cultura e ao Ministério do Turismo. Para a diretora do espaço, Claudia Storino, o Sítio Roberto Burle Marx é certamente uma obra de arte, onde as paisagens são o elemento de maior destaque, ligando todo o conjunto com poderosa personalidade.

“Os espaços ajardinados do sítio materializam tanto os princípios paisagísticos da obra de Burle Marx quanto os processos de análise, cultivo e experimentação que impulsionaram a criação do paisagismo tropical moderno”, afirmou Claudia, em nota.

Para a presidente do Iphan, Larissa Peixoto, este título é motivo de orgulho para o Brasil, o Iphan e toda a população brasileira. “A chancela estabelece um compromisso para manter os valores excepcionais que tornam esse lugar de importância para toda a humanidade. Temos a missão de preservar para as futuras gerações este espaço de aprendizado e de fomento ao conhecimento sobre natureza, paisagismo, arte e botânica”, disse.

Sítio

O antigo Sítio Santo Antônio da Bica, adquirido em 1949 por Roberto Burle Marx e seu irmão, Guilherme Siegfried, deu partida ao que hoje constitui o Sítio Burle Marx. O local se destaca pela vegetação nativa, formada principalmente por manguezal, restinga e a Mata Atlântica, preservada pelo Parque Estadual da Pedra Branca. Os irmãos compraram posteriormente outros terrenos que foram anexados ao sítio.

O espaço sofreu intervenções para ser transformado no laboratório pretendido por Burle Marx. Em 1985, o paisagista doou o local ao governo federal, no intuito de assegurar a continuidade das pesquisas, a disseminação do conhecimento adquirido e o compartilhamento daquele espaço com a sociedade. O Iphan passou a gerir o sítio a partir de 1994, após a morte do paisagista Burle Max.

Jardins, viveiros de plantas, sete edificações e seis lagos integram o espaço, que oferece ao público também um acervo museológico de mais de 3 mil itens, com coleções de arte cusquenha, pré-colombiana, sacra e popular brasileira, além da coleção de obras do próprio paisagista e artista, que já estão catalogadas e informatizadas em sistema online.

Para concorrer ao título de Patrimônio Mundial da Unesco, o sítio passou por um processo de requalificação a partir de outubro de 2018, que foi concluído em fevereiro deste ano. Por meio da Lei de Incentivo à Cultura, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) investiu cerca de R$ 5,4 milhões em intervenções no local, com o objetivo de valorizar espaços de visitação, implementar acessibilidade, ampliar o acesso público e potencializar ações de pesquisa.

Burle Marx

Roberto Burle Marx foi também artista plástico, pintor, escultor, designer de joias, figurinista, cenógrafo, ceramista e tapeceiro. Nascido em São Paulo, foi criado no Rio de Janeiro, onde morreu em 4 de junho de 1994. Com milhares de projetos espalhados pelo mundo, Burle Marx concebeu paisagens de destaque no país, como os jardins do Complexo da Pampulha, em 1942; o jardim do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1954; o paisagismo do Aterro do Flamengo, em 1961; os jardins da sede da Unesco, em Paris; e o famoso traçado do calçadão de Copacabana, em 1970, entre outras.

Ele introduziu o paisagismo modernista no Brasil e foi um dos primeiros paisagistas a utilizar plantas nativas brasileiras em seus projetos. Foi também um dos pioneiros ambientalistas a reivindicar a conservação das florestas tropicais no Brasil, tendo organizado muitas expedições e excursões pelos biomas nacionais, onde descobriu mais de 30 novas espécies de plantas que levam seu nome.

O primeiro projeto de jardim público idealizado por Burle Marx foi a Praça de Casa Forte, no Recife, em 1934. Em 1961, projetou também o paisagismo para o Eixo Monumental de Brasília e, em 1968, projetou o paisagismo da Embaixada do Brasil em Washington, no Estados Unidos.

Conhecido internacionalmente como um dos mais importantes paisagistas do século 1920, Roberto Burle Marx viveu no sítio entre 1973 e 1994. Reuniu plantas de diversas partes do mundo na propriedade, algumas, inclusive, em risco de extinção.

Patrimônios

A lista de patrimônios mundiais culturais brasileiros reconhecidos pela Unesco inclui Brasília (DF), Cais do Valongo (RJ), Centro Histórico de Goiás (GO), Centro Histórico de Diamantina (MG), Centro Histórico de Ouro Preto (MG), Centro Histórico de Olinda (PE), Centro Histórico de São Luís (MA), Centro Histórico de Salvador (BA), Conjunto Moderno da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), Missões Jesuíticas Guaranis (RS), ruínas de São Miguel das Missões (RS), Parque Nacional Serra da Capivara (PI), Praça São Francisco (SE), paisagens cariocas entre a montanha e o mar (RJ) e o Santuário do Bom Jesus de Matozinhos (MG).

No Brasil, também são considerados patrimônios mundiais naturais o Complexo de Áreas Protegidas do Pantanal (MT e MS), o Complexo de Conservação da Amazônia Central (AM), a Costa do Descobrimento - Reservas da Mata Atlântica (BA e ES), Ilhas Atlânticas - Fernando de Noronha e Atol das Rocas (PE e RN), Parque Nacional do Iguaçu (PR), Reservas da Mata Atlântica (PR e SP), Reservas do Cerrado e Parques Nacionais da Chapada dos Veadeiros e das Emas (GO).

O 22º bem nacional chancelado como patrimônio mundial misto de cultura e biodiversidade é o conjunto das localidades de Paraty e Ilha Grande, na Costa Verde fluminense.

Agência Brasil


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quarta-feira, 28 de julho de 2021

Califórnia enfrenta incêndio que gera seu próprio clima

As chamas do incêndio Dixie Fire devoram uma casa em Indian Falls, Califórnia, em 24 de julho de 2021

O incêndio florestal da Califórnia, que já destruiu uma superfície equivalente à de Chicago, é tão grande que agora gera seu próprio clima e torna mais difícil a tarefa dos bombeiros.

 

Cerca de 5.400 bombeiros se mobilizaram no norte da Califórnia para sufocar o incêndio denominado "Dixie Fire", que só faz crescer desde meados de julho, alimentado pelo forte calor, uma seca alarmante e ventos contínuos.

Sua magnitude é tão grande que nos últimos dias criou nuvens denominadas pirocúmulos que provocam relâmpagos e ventos fortes que atiçam as chamas.

"O dia de segunda-feira pode ser um dos mais difíceis: se estas nuvens forem suficientemente altas, têm o potencial de produzir relâmpagos", disse Julia Ruthford, meteorologista encarregada de monitorar este incêndio.

Para ajudar nos trabalhos de resgate, socorristas vêm de diversos locais, entre eles a Flórida.

O Dixie Fire queimou até agora sobretudo áreas isoladas, o que explica porque apenas dezenas de casas e outros edifícios foram danificados até agora.

Muito doloroso

Avançando por caminhos extremamente acidentados, os bombeiros às vezes são apoiados por um trem, do qual conseguem molhar de forma abundante áreas que de outra forma seriam inacessíveis.

Mas nas atuais condições climáticas, "as brasas podem voar facilmente a mais de um quilômetro do fogo", explica à AFP Rick Carhart, porta-voz dos bombeiros. Por isso, lugares que acolhem evacuados, como o povoado de Quincy, estão ameaçados.

"É muito doloroso vê-lo avançar sem trégua e se aproximar das nossas terras", diz à AFP Peggy Moak, morador de um povoado vizinho.

Os incêndios são habituais na Califórnia ao ponto de os moradores se perguntarem o que resta queimar. Mas devido às mudanças climáticas, este verão tem sido particularmente violento.

As marcas da seca que alimenta o fogo estão por toda parte: um campo de golfe com o gramado amarelado e um barco tenta navegar em um lago que é apenas a sombra do que já foi um dia.

Os incêndios devoraram três vezes mais vegetação este ano do que na mesma época de 2020, que foi o pior ano na história da Califórnia em termos de incêndios.

Uma investigação preliminar revelou que o incêndio gigantesco foi provocado depois que um cabo de energia caiu sobre uma árvore.

AFP


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