quinta-feira, 14 de junho de 2018

UMA RARIDADE DE MOÇAMBIQUE EM CARTAZ NO BRASIL


'Comboio de sal e açúcar' é uma das poucas ficções filmadas no país africano
Ex-casa de cineastas que fizeram História, como Jean-Luc Godard, Jean Rouch e Ruy Guerra, Moçambique teve sua indústria cinematográfica reduzida a farrapos após a guerra civil que tomou o país africano nos anos 1980. 'Comboio de sal e açúcar', em cartaz no Brasil desde quinta-feira, é um dos raros longas de ficção feitos anualmente por lá. E o diretor é o gaúcho Licínio Azevedo, um também escritor radicado em Moçambique desde a década de 1970, quando foi atraído pela literatura local.

- Não há indústria de cinema. Fazemos até quatro filmes de ficção por ano. Recursos precisam ser buscados no exterior. Há cerca de 20 cineastas, ao todo. Parte deles sequer tem formação, porque não há escolas de cinema. Faz-se filmes educativos, para ONGs internacionais. Se no passado Moçambique já teve 80 salas de cinema, hoje elas não passam de cinco - detalha Azevedo, que seguiu fazendo cinema no país como 'ato de resistência'.

É justamente a guerra civil, esse importante episódio na História moçambicana, que serve de pano de fundo para 'Comboio de sal e açúcar'. A trama acompanha as pessoas que se arriscavam numa viagem de trem entre Nampula e Malaui, como forma de garantir a própria sobrevivência em tempos de guerra. Coprodução com Brasil, França, Portugal e África do Sul, o filme só foi possível graças à ajuda de algumas instituições moçambicanas.

- O governo não colocou dinheiro, claro, mas a ferrovia nos cedeu o trem, que já estava fora de circulação. O Exército também colaborou. Os figurantes são militares de verdade. Tivemos um apoio inestimável - relata o diretor, que acumula outras quatro ficções e sete documentários.

Foi necessária mais de uma década para o filme ver a luz do dia - ou a sala escura do cinema. A ideia original era fazer um documentário, logo após o fim da guerra, em 1992, sobre as mulheres que viajavam no trem para fazer comércio. Ninguém quis financiar. Azevedo, então, escreveu um livro homônimo, que só agora adaptou para a tela grande, com uma pegada de western:

- Sempre foi meu gênero preferido, adoro os western dos anos 1930 e 40. Hoje só assisto aos do Clint Eastwood, porque não tenho visto mais nada interessante.

O diretor diz que sua forma de contar histórias é coerente com a do cinema moçambicano, 'marcado com o compromisso social':

- Ao longo dos 40 anos que moro em Moçambique, acompanhei a guerra que destruiu o país e presenciei o apartheid. Registrei tudo em documentários. Mas todas as minhas ficções são também baseadas em histórias reais. O cinema, para mim, serve para mostrar a realidade.

Por FABIANO RISTOW, em O Globo
Veja o trailer oficial:




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quarta-feira, 13 de junho de 2018

Educação infantil


O Brasil continua patinando quando o assunto é a universalização da educação infantil, já que apenas uma das 20 metas propostas pelo Plano Nacional de Educação (PNE) foi alcançada. Isso significa que milhares de crianças continuam à espera de uma vaga no sistema de ensino, comprometendo a concretização do tão sonhado salto de qualidade na área, que deveria acontecer num período de 10 anos, a partir do lançamento do PNE pelo Ministério da Educação (MEC), há quatro anos.

Pela proposta número 1 do PNE, há pelo menos dois anos, todas as crianças brasileiras de 4 a 5 anos deveriam estar na sala de aula da pré-escola, uma vez que o ensino é obrigatório em todo o território nacional para meninos e meninas a partir de 4 anos. Outra proposição que patina é a ampliação do atendimento em creches a crianças menores de 1 ano a 3 anos. A oferta de creches para elas deve alcançar 50%, até 2024. Para especialistas, a não concretização das duas metas deixará uma enorme dívida ao ensino infantil no país.

De acordo com o PNE, apenas a meta 13 foi alcançada. Ela estipula que 75% dos docentes de educação superior tenham mestrado ou doutorado e 35% de doutores no corpo docente superior, até 2024. O primeiro ponto foi cumprido em 2015. O segundo, atingido em 2014.

Educadores lembram que são muitas as dificuldades para a implementação do PNE, principalmente porque a educação infantil é atribuição das prefeituras municipais, muitas delas despreparadas e sem motivação para implementar políticas focadas na garantia de acesso à pré-escola. Isso acontece, principalmente, em grandes centros urbanos e zonas mais vulneráveis, onde a procura é grande e a oferta nem sempre acompanha a demanda, que cresce a cada ano.

Muitos municípios enfrentam graves problemas para garantir a universalização do ensino, notadamente de ordem financeira. Especialistas ressaltam que as prefeituras têm de garantir infraestrutura adequada ao atendimento, sobretudo, na qualidade da educação ofertada. A questão é que, muitas vezes, as escolas, apesar de acolherem as crianças, não conseguem garantir práticas pedagógicas adequadas a pessoas tão novas, por absoluta falta de pessoal preparado.

O investimento em creches é também uma necessidade urgente para o atendimento aos que estão na primeiríssima infância. Além da criação de vagas, existe o desafio de se criar um ambiente adequado ao pleno desenvolvimento dessas crianças, considerado fundamental pelos pedagogos, pois é nessa fase que elas desenvolvem as capacidades que permitirão o aprimoramento de habilidades no futuro.

Os governos, principalmente os municipais, não podem fugir de suas responsabilidades previstas no PNE, tanto na oferta de vagas para a educação infantil quanto na construção de creches, pelo importante papel social que desempenham, tanto na vida das crianças quanto na de suas famílias.

Correio Braziliense



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terça-feira, 12 de junho de 2018

Grandes mestres da arte e uma coisa em comum: o fascínio pela cor


A exposição "A aventura da cor” fica em cartaz até 22 de julho de 2019 no Centro Pompidou da cidade de Metz, na França - uma filial do museu parisiense.

O que seria do mundo se não existissem cores? E o que seria da arte? Uma exposição no Centro Pompidou de Metz convida a entrar neste universo quase alquímico. Para Wassily Kandinsky, o azul era uma cor celestial. Ele tinha uma teoria própria: azul representava o sobrenatural; dourado, o mundano. Kandinsky era tão viciado em cores que até mesmo a paleta de tinta dele se tornou obra de arte.
Seu contemporâneo, Henri Matisse, foi além. Para ele, a cor era ainda mais importante que o tema da pintura - era uma maneira de expressar sentimentos. Foi assim que Matisse se tornou um dos fundadores de um novo estilo, o Fauvismo. Em determinado momento, Henri Matisse abandonou a pintura e se dedicou à colagem de papeis coloridos. Ele chamava a técnica de “Papier découpé” e com ela, colocava a cor acima da forma - algo que fez até os últimos dias de vida.
A exposição “L'aventure de la couleur”, "A aventura da cor”, também apresenta a obra de Yves Klein. Uma piscina azul apresenta a cor em sua forma mais bruta. Para o artista, a aventura da cor era uma experiência monocromática. A mostra fica em cartaz até 22 de julho de 2019 no Centro Pompidou da cidade de Metz, na França - uma filial do museu parisiense.
Deutsche Welle


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segunda-feira, 11 de junho de 2018

Amor de elefante



A peça dramática apresenta - de uma forma bastante inusitada - duas personagens em busca da realização de seus sonhos. Enfatiza o caráter político dos obstáculos interpostos, vincula as barreiras artificialmente criadas ao aparelhamento do Estado por grupos de interesses, contrapõe o messianismo vigente aos valores da liberdade e da democracia, para finalizar a trama de um modo surpreendente, conduzindo o leitor ao mais inesperado dos desfechos.

Para acessar o livro, clique aqui.

domingo, 10 de junho de 2018

Total de mortes violentas no Brasil é maior do que o da guerra na Síria



O número de pessoas mortas de forma violenta no Brasil é semelhante ao de países em guerra. É o que revela o Atlas da Violência 2018, publicação do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no dia 5.

Segundo o documento, 553 mil pessoas foram assassinadas no país nos últimos 11 anos. O total de mortos é um pouco maior que o da Síria, país árabe que enfrenta sete anos de conflito armado e já contabiliza um saldo de 500 mil mortos, de acordo com estimativa da ONU (Organização das Nações Unidas).

Outra comparação dimensiona a explosão da violência em território nacional. Os poucos mais de 550 mil mortos são mais da metade do número de soldados ingleses, franceses e italianos que perderam a vida na 2ª Guerra Mundial (1945-1949).

O relatório do Atlas da Violência também mostrou que no ano de 2016 o país bateu novo recorde de homicídios, com 62.517 mortes, o que traduz em uma taxa também recorde de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes -30 vezes a taxa de homicídios da Europa.

Parentes de vítimas da violência em SP

MATANÇA DE JOVENS

Entre as vítimas, os mais afetados são os jovens entre 15 e 29 anos. De 2006 a 2016, 324.967 pessoas dessa faixa etária morreram de forma violenta no período analisado -o número é quase sete vezes o total de soldados americanos mortos em ação (47.434) em 20 anos da Guerra do Vietnã (1955-1975).

A taxa de homicídios da população jovem (65,5 mortos por 100 mil habitantes) também é o dobro da média nacional e mais de seis vezes a taxa global de homicídios de jovens (10,4), segundo a Organização Mundial da Saúde.

O incremento dessas estatísticas segue as desigualdades regionais brasileiras, e ao menos seis estados mantinham em 2016 índices de homicídios de jovens superiores a 100 casos por 100 mil habitantes: Sergipe (142,7), Rio Grande do Norte (125,6), Alagoas (122,4), Bahia (114,3), Pernambuco (105,4) e Amapá (101,4).

Consideradas apenas as mortes de jovens do sexo masculino, que representam 94% dos casos, a taxa média nacional sobe para 122,6 por 100 mil.

Além disso, enquanto o Acre viu esse índice aumentar 90%, houve redução acentuada da taxa em São Paulo (-14%) e nos estados do Espírito Santo (-13%) e da Paraíba (-14%) -ambos protagonistas das poucas políticas públicas de redução de homicídios de jovens.

'Estamos matando o futuro do país. E isso não é uma licença poética. Cada vez mais jovens são assassinados e em idades cada vez mais precoces', diz o economista Daniel Cerqueira, pesquisador do Ipea e um dos autores do Atlas 2018.

'Em 1980, o pico da morte de jovens se dava aos 25 anos. Agora, ocorre aos 21.''Existe um massacre da juventude brasileira, principalmente nas regiões Nordeste e Norte. E, em ano eleitoral, temos de questionar: que política pública está sendo proposta para isso?', afirma Renato Sérgio de Lima, diretor-executivo do fórum.

DESIGUALDADE E COR

A desigualdade racial também está espelhada no perfil dos homicídios relatados pelo Atlas. De 2006 a 2016, o número de negros alvos de homicídio aumentou 23%, enquanto o de não-negros caiu 6,8%.

Em 2016, a taxa de homicídio de pretos e pardos (40,2/100 mil) era duas vezes e meia maior que a de não negros (16/100 mil). Já a taxa de mortes violentas intencionais de mulheres negras era 71% mais alta que a de não-negras.

O relatório do Atlas da Violência 2018 destaca um caso emblemático no recorte racial da violência letal no Brasil: Alagoas tem a terceira maior taxa de homicídios de negros (69,7%) do país e a menor taxa de morte de não-negros (4,1%).

É como se os não-negros alagoanos vivessem nos EUA, que em 2016 registrou taxa de 5,3 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto os negros alagoanos morassem em El Salvador, cuja taxa bateu 60,1 mortos por 100 mil habitantes em 2017.

O número de pessoas mortas de forma violenta no Brasil é semelhante ao de países em guerra. É o que revela o Atlas da Violência 2018, publicação do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta terça (5).

Segundo o documento, 553 mil pessoas foram assassinadas no país nos últimos 11 anos. O total de mortos é um pouco maior que o da Síria, país árabe que enfrenta sete anos de conflito armado e já contabiliza um saldo de 500 mil mortos, de acordo com estimativa da ONU (Organização das Nações Unidas).

Outra comparação dimensiona a explosão da violência em território nacional. Os poucos mais de 550 mil mortos são mais da metade do número de soldados ingleses, franceses e italianos que perderam a vida na 2ª Guerra Mundial (1945-1949).

O relatório do Atlas da Violência também mostrou que no ano de 2016 o país bateu novo recorde de homicídios, com 62.517 mortes, o que traduz em uma taxa também recorde de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes -30 vezes a taxa de homicídios da Europa.

Entre as vítimas, os mais afetados são os jovens entre 15 e 29 anos. De 2006 a 2016, 324.967 pessoas dessa faixa etária morreram de forma violenta no período analisado -o número é quase sete vezes o total de soldados americanos mortos em ação (47.434) em 20 anos da Guerra do Vietnã (1955-1975).

A taxa de homicídios da população jovem (65,5 mortos por 100 mil habitantes) também é o dobro da média nacional e mais de seis vezes a taxa global de homicídios de jovens (10,4), segundo a Organização Mundial da Saúde.

O incremento dessas estatísticas segue as desigualdades regionais brasileiras, e ao menos seis estados mantinham em 2016 índices de homicídios de jovens superiores a 100 casos por 100 mil habitantes: Sergipe (142,7), Rio Grande do Norte (125,6), Alagoas (122,4), Bahia (114,3), Pernambuco (105,4) e Amapá (101,4).

Consideradas apenas as mortes de jovens do sexo masculino, que representam 94% dos casos, a taxa média nacional sobe para 122,6 por 100 mil.

Além disso, enquanto o Acre viu esse índice aumentar 90%, houve redução acentuada da taxa em São Paulo (-14%) e nos estados do Espírito Santo (-13%) e da Paraíba (-14%) -ambos protagonistas das poucas políticas públicas de redução de homicídios de jovens.

'Estamos matando o futuro do país. E isso não é uma licença poética. Cada vez mais jovens são assassinados e em idades cada vez mais precoces', diz o economista Daniel Cerqueira, pesquisador do Ipea e um dos autores do Atlas 2018.

'Em 1980, o pico da morte de jovens se dava aos 25 anos. Agora, ocorre aos 21.''Existe um massacre da juventude brasileira, principalmente nas regiões Nordeste e Norte. E, em ano eleitoral, temos de questionar: que política pública está sendo proposta para isso?', afirma Renato Sérgio de Lima, diretor-executivo do fórum.

A desigualdade racial também está espelhada no perfil dos homicídios relatados pelo Atlas. De 2006 a 2016, o número de negros alvos de homicídio aumentou 23%, enquanto o de não-negros caiu 6,8%.

Em 2016, a taxa de homicídio de pretos e pardos (40,2/100 mil) era duas vezes e meia maior que a de não negros (16/100 mil). Já a taxa de mortes violentas intencionais de mulheres negras era 71% mais alta que a de não-negras.

O relatório do Atlas da Violência 2018 destaca um caso emblemático no recorte racial da violência letal no Brasil: Alagoas tem a terceira maior taxa de homicídios de negros (69,7%) do país e a menor taxa de morte de não-negros (4,1%).

É como se os não-negros alagoanos vivessem nos EUA, que em 2016 registrou taxa de 5,3 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto os negros alagoanos morassem em El Salvador, cuja taxa bateu 60,1 mortos por 100 mil habitantes em 2017.
Folha Online


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sábado, 9 de junho de 2018

O enigma da cidade inteligente



A noção de 'cidade inteligente' se tornou uma agenda urbana quente nos círculos políticos. Isso se deve ao seu potencial em abordar uma série de efeitos negativos de práticas rápidas de urbanização, industrialização e consumo. Uma cidade inteligente é amplamente vista como uma cidade que adota ativamente novas tecnologias que buscam alcançar os resultados urbanos desejados. Os resultados mais comuns incluem produtividade, sustentabilidade, acessibilidade, bem-estar, habitabilidade e boa governança.

Hoje, entrando na onda, muitas cidades ao redor do mundo estão desenvolvendo planejamentos de cidades inteligentes. No entanto, existe uma grande lacuna entre teoria e prática. O que dizem das cidades inteligentes é bem diferente do que elas realmente são na realidade. Embora quase todas as iniciativas de cidades inteligentes estejam destacando a necessidade de se alcançar a sustentabilidade, uma pesquisa nas cidades inteligentes do Reino Unido, por exemplo, não encontra correlação direta entre a prática e os resultados de sustentabilidade ambiental.

Embora a sustentabilidade ambiental seja um conceito amplo, com muitos subsistemas complexos integrados, talvez apenas o foco em um deles possa ajudar a esclarecer o enigma da cidade inteligente. A questão dos resíduos municipais, por exemplo, seria boa. Embora as tecnologias de cidades inteligentes sejam úteis nos processos de coleta, reciclagem, reutilização e descarte de resíduos, a tecnologia sozinha não pode resolver todos os problemas. A quantidade de aterros, por exemplo, em muitas cidades ao redor do mundo está em crescimento exponencial. Essa questão não é apenas um problema para as cidades dos países em desenvolvimento, mas também uma questão a ser solucionada em muitas cidades dos países desenvolvidos.

O problema se origina de vários fatores. Em primeiro lugar, a rápida urbanização e a megalopolização são as culpadas. De acordo com as previsões das Nações Unidas, cerca de 80% dos 10 bilhões de pessoas que compõem a população mundial viverão nas cidades até 2100. Uma grande parte dessa população urbana de 8 bilhões residirá em megacidades. Em segundo lugar, a visão econômica capitalista continua a impulsionar o consumismo, particularmente nas economias emergentes do mundo. Apesar de fortes críticas ao consumismo e à emergência do movimento de desmaterialismo, como uma esperança, a tendência ainda está em ascensão.

Em terceiro lugar, muitas cidades não desenvolveram infraestruturas e equipamentos adequados para lidar com a questão dos resíduos. Na maioria das cidades de países em desenvolvimento, não há instalações de reciclagem ou, se há, são muito limitadas. Até certo ponto, isso também se aplica às cidades de nações desenvolvidas. Por fim, algumas nações em desenvolvimento recentemente deixaram de assumir as responsabilidades de reciclagem dos países desenvolvidos. Por exemplo, a quantidade de aterros na Austrália vem aumentando drasticamente desde que a China deixou de comprar resíduos de reciclagem.

A magnitude do problema dos resíduos urbanos fez com que os estudiosos criassem um novo conceito como um caminho potencial. Nos últimos anos, as cidades são reconceitualizadas como localidades 'de lixo zero' - cidades onde o desperdício desaparece, pois todos os subprodutos mantêm um valor intrínseco para alimentar outros sistemas. Nessas cidades, até a deterioração e o lixo oriundo de alimentos poderiam ser reduzidos a zero e transformados em biocombustíveis, compostos ou ração animal.

O lixo zero, no entanto, só poderia ser alcançado por meio de um melhor design e pensamento de ciclo de vida, em que o consumo e a produção se tornam círculos fechados, não produzindo saídas como lixo durante todo o seu ciclo de vida. É como dizer: o desperdício zero é uma revolução na relação entre lixo e comunidade. É uma nova maneira de pensar sobre como proteger a saúde e melhorar a vida de todos os que produzem, manipulam, trabalham ou são afetados pelo lixo.

Reivindicar uma cidade como sendo inteligente tem muitos requisitos, em que talvez um dos mais importantes seja o lixo zero. Isso é fato: as cidades não podem ser verdadeiramente inteligentes sem ter a política do lixo zero. Um número crescente de cidades está avançando nessa direção. Por exemplo, os municípios italianos lançaram seus Planos de Lixo Zero, as cidades croatas adotaram a Estratégia Zero Lixo 2020, os belgas estão construindo uma cultura de resíduo zero e os municípios brasileiros estão trabalhando com o Instituto Lixo Zero Brasil para desenvolver estratégias.

Por último, as cidades inteligentes podem ser um modelo ideal para construir as cidades do século 21. No caso, sua prática envolve um sistema de abordagem sistêmica e uma visão sustentável e equilibrada sobre os domínios econômicos, sociais, ambientais e de desenvolvimento institucional. No entanto, para um mundo verdadeiramente inteligente e sustentável, precisamos que as cidades inteligentes também se tornem lixo zero.
Por TAN YIGITCANLAR, no Correio Braziliense


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sexta-feira, 8 de junho de 2018

Preservação com resultados


Após 31 anos de trabalho, o resultado é positivo. As praias registram aumento da fauna e da flora, e a volta de espécimes desaparecidas
A história da APA Costa dos Corais, aliás, não deixa dúvidas sobre a necessidade de preservação da biodiversidade. Depois de 31 anos de existência, as praias estão registrando aumento da flora e da fauna e, felizmente, até mesmo a volta de espécies que já nem apareciam mais por lá, como tartarugas marinhas, conforme dados do Instituto Biota de Conservação, que registrou, em 2017, um número bastante atípico de mamíferos e tartarugas marinhas encalhados. Até mesmo o encalhe de baleias Jubarte aumentou na região. Essa espécie estava ameaçada de extinção nos anos 1980 e hoje os especialistas estimam existir aproximadamente 21 mil unidades delas no país.

'O aumento dos encalhes segue proporcionalmente ao aumento da população. Alguns locais próximos a Maceió, antes considerados fora do mapa de reprodução das tartarugas marinhas, voltaram a ser berços para os ovos desses animais', comemora Bruno Stefanis, presidente do Instituto Biota, que capacita moradores e os incentiva a utilizar um aplicativo da entidade para registrar as ocorrências reprodutivas e encalhe de animais na região, o Biota Mar.

Após a criação da Zonas de Preservação da Vida Marinha (ZPVM) e o fechamento da área, especialistas identificaram um local conhecido como Poço do Mero, onde exemplares desse animal (Epinephelus itajara), que é ameaçado de extinção, começou. A primeira 'área fechada' há 18 anos encontra-se em Tamandaré, Pernambuco, cidade localizada a 107 km da capital Recife. No início, a área coordenada pelo Instituto Recifes Costeiros (Ircos) enfrentou grande resistência, principalmente por parte dos pescadores. 'Muitos reclamaram, mas hoje são favoráveis. Perceberam que com a moratória os peixes maiores e crustáceos aos poucos voltaram a colonizar as áreas e passaram a frequentar as regiões adjacentes à área fechada. A ZPVM funciona como um berçário marinho. Os peixes se reproduzem, crescem e depois se deslocam para fora da área fechada.', explica o oceanógrafo e professor da Universidade Federal de Pernambuco Mauro Maida, conselheiro do Ircos.

Conheça

Associação Peixe-Boi de Condutores

Porto de Pedra (AL)

Telefone: (82) 3298-6247

Horários: 10h às 16h

www.associacaopeixeboi.com.br

Instituto Biota

Maceió-AL

(82) 991152944/ 991155516/ 988150444?

www.institutobiota.org.br

Por Rosana Hessel, no Correio Braziliense



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