sexta-feira, 14 de julho de 2017

Exposição conta a trajetória do grupo de teatro de bonecos Giramundo


Fundado em 1970 pelos artistas plásticos mineiros Álvaro Apocalypse, Tereza Veloso e Madu, o grupo de teatro de bonecos Giramundo produziu em quase meio século de existência 34 montagens teatrais e construiu um acervo próximo de 1,5 mil bonecos e objetos de cena, além de horas de vídeo sobre o seu trabalho. Uma parte expressiva dessa trajetória está contada na mostra Mundo Giramundo, aberta ao público hoje (12) na Caixa Cultural Rio de Janeiro, onde fica em cartaz até 27 de agosto.
Voltada tanto para o público infantil quanto para os adultos, a exposição possibilita ao visitante um mergulho no universo da companhia sediada em Belo Horizonte (MG). Na capital mineira, a sede própria do grupo, conquistada em 2000, serve de base para o Museu Giramundo, que preserva a maior coleção privada de marionetes das Américas, além de uma escola e de um estúdio de animação.
Nas montagens do grupo, a figura da marionete está presente em múltiplas formas: de bonecos manipulados por fios a mamulengos (fantoches de luva), passando por artefatos de vara, bunraku (bonecos manipulados por três atores e mochila) e adaptações próprias, uso de máscaras e teatro de sombras. Algumas dessas marionetes ficaram nacionalmente conhecidas por sua participação em programas de televisão.
Os fundadores do grupo eram professores da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e imprimiram um rigor metodológico e uma atenção estética no planejamento dos bonecos e dos espetáculos. Filha de Álvaro e Tereza, que morreram em 2003, Bia Apocalypse está hoje à frente do Giramundo, que nas últimas décadas se tornou um núcleo multimídia. Hoje o Giramundo experimenta a cena de animação, em que bonecos reais convivem com suas versões digitais. O grupo também iniciou a produção e comercialização de livros, vídeos e brinquedos.
“Quem vier à mostra vai percorrer a história do Giramundo ao longo dessas décadas, com vários tipos de bonecos e de materiais e técnicas”, disse Bia, responsável pela exposição. “O que a gente trouxe aqui para o Rio representa uns 10% do nosso acervo. Na seleção, nós priorizamos as informações por décadas, e dentro dessas décadas, os espetáculos mais expressivos, do ponto de vista da construção, do desenho e da forma plástica”, explicou.
Além de conhecer as marionetes, o público pode aprender sobre esse processo de criação e construção e descobrir como os personagens são feitos. “Os bonecos nascem a partir de um desenho, com base no estudo do personagem. Depois, a gente transforma esse desenho em um projeto técnico e parte para a confecção”, contou Bia Apocalypse, em entrevista ao programa Arte Clube, da Rádio MEC AM do Rio de Janeiro.
“Nós mostramos a anatomia dos bonecos, porque as pessoas são curiosas em saber como é o braço, como é a mão, do que é feito a perna. Escolhemos um boneco bem bacana e, numa mesa, dissecamos ele e colocamos ali, por exemplo, vários tipos de mão que usamos – de madeira, de couro, de luvas – os pés, as pernas, o mecanismo”, detalhou.
Atividades paralelas
Além da exposição, o grupo Giramundo vai oferecer no dia 21 de julho, das 15h às 20h um workshop sobre manipulação de bonecos. Voltada para jovens e adultos, a atividade é gratuita e pretende apresentar a metodologia de treinamento de marionetistas adotada pelo grupo, utilizando os bonecos profissionais da companhia. São 20 vagas e as inscrições podem ser feitas por meio do e-mail secretaria@giramundo.org.
Já nos dias 29 e 30 de julho, às 16h, o grupo apresentará o espetáculo Pedro e o Lobo, de Sergei Prokofiev, um clássico escrito em 1936 e encenado pelo Giramundo pela primeira vez em 1993. As apresentações serão realizadas no foyer da Caixa Cultural e abertas ao público.
A mostra Mundo Giramundo, com entrada franca, pode ser vista na Caixa Cultural de terça-feira a domingo, das 10h às 21h, até 27 de agosto.
Por Paulo Virgilio, da Agência Brasil



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Coleção Quasar K+: 

Livro 1: Quasar K+ Planejamento Estratégico;
Livro 2: Shakespeare: Medida por medida. Ensaios sobre corrupção, administração pública e administração da justiça;
Livro 3: Nikolai Gogol: O inspetor geral. Accountability pública; Fiscalização e controle;
Livro 4: Liebe und Hass: nicht vergessen Aylan Kurdi. A visão de futuro, a missão, as políticas e as estratégias; os objetivos e as metas.


O que é a metodologia Quasar K+ de planejamento estratégico?

QUASAR K+ é uma metodologia que procura radicalizar os processos de participação cidadã através de três componentes básicos:
a.Planejamento;
b.Educação e Teatro;
c.Participação intensiva.

Para quem se destina a ferramenta?

A metodologia QUASAR K+ foi desenvolvida para se constituir em uma base referencial tanto para as pessoas, os indivíduos, como para as organizações. Portanto, sua utilização pode ensejar a modernização desde o simples comércio de esquina ao grande conglomerado corporativo. Mas, também, os projetos de crescimento e desenvolvimento individuais, a melhoria das relações familiares...

Fazendo uso da metodologia QUASAR K+ poderemos descortinar novos horizontes nos habilitando a fazer mais e melhor com menor dispêndio de recursos.

Qual a razão desta metodologia?

Nas democracias modernas as sociedades se mostram tanto mais evoluídas e sustentáveis quanto mais aprimoram a qualidade da participação na vida organizacional, política e social.

Para que a participação se revista de qualidade se faz necessário dominar um conjunto de técnicas e instrumentais capazes de impregnar o processo de maior eficácia.

É deste contexto que emerge a metodologia QUASAR K+: disponibilizar técnicas específicas ancoradas em valores e princípios da educação e do teatro, incorporando - como eixo estruturante - as ferramentas do planejamento.

Portanto, é uma metodologia que busca assegurar qualidade à consecução dos objetivos, estratégias e metas traçados.

Por conseguinte, a aplicação da tecnologia possibilitará que nossa inserção e participação nos ambientes de estudo, trabalho, entretenimento e moradia, se verifique de maneira progressivamente mais satisfatória. Ao mesmo tempo em que nos empodera:

- eleva a autoestima – na medida em que tomamos consciência da evolução de nossa capacidade produtiva, da habilidade adquirida para interagir e contribuir com a família, o grupo social, a organização, a sociedade;

- incorpora ganhos sociais para a família, a escola, a instituição em que trabalhamos e a comunidade onde moramos, considerando que os produtos e resultados de nossa intervenção direta passam a ostentar qualidade diferenciada, mais fina, apurada e consentânea com as aspirações por um mundo melhor e mais justo.

De maneira estruturada, o livro enfoca:



- Planejamento e Administração
- O setor público
- Empreendedorismo & iniciativa privada
- Participação intensiva & terceiro setor
- Cidadania
- Qualidade Total
- Educação & Teatro




quinta-feira, 13 de julho de 2017

Giordano Bruno, o homem executado na fogueira do Santo Ofício por revelar que o universo é infinito

17 de fevereiro de 1.600 é uma data fatídica. Neste dia, um herege foi executado no Campo das Flores, em Roma. Giordano Bruno foi aprisionado, torturado e, após dois julgamentos, condenado a morrer na fogueira do Santo Ofício. Seu crime? Acreditar na ideia de que o universo é infinito, de que ao redor de cada estrela gravitam planetas, e na concepção de que cada planeta irradia vida.

Ex monge dominicano, nos oito anos em que padeceu na prisão foi submetido a todo tipo de violência e opressão para que se retratasse, renegando suas convicções. O brutalizaram em vão. A congregação católica não logrou o êxito que obteria, poucos anos depois, com Galileu Galilei. Este, para não morrer na fogueira, teve que, de joelhos, abjurar toda a sua consistente obra científica e filosófica.

A ortodoxia da Igreja Católica de então concebia a terra como um planeta único no universo, resultado da intervenção direta de Deus. Um axioma que – em hipótese alguma – poderia ser questionado.

Mas, Giordano Bruno descortinou, antes da invenção do telescópio, a infinitude do universo. E que na imensidão do cosmos, existia não um, mas um número infinito de planetas. Sendo assim – questionaram os guardiões da fé – “cada planeta teria o seu próprio Jesus? Heresia! Blasfêmia! Sacrilégio! ”.

Suas ideias, formulações e livros foram proibidos, incinerados e incluídos no Index Librorum Prohibitorum, o Índice dos Livros Proibidos. 

Num ato de misericórdia, os condenados, antes de arderem no fogo da santa fogueira, eram estrangulados e mortos. Mas com Giordano Bruno foi diferente. Suas formulações representavam uma ameaça de tal dimensão aos alicerces da doutrina católica que a sentença estabeleceu que morresse diretamente em decorrência das chamas, línguas de fogo e labaredas originárias da fogueira. Seu pecado? Declarar que a terra não era o único planeta criado por Deus.

Este é o esteio de onde emerge a peça teatral “Giordano Bruno, a fogueira que incendeia é a mesma que ilumina”.

A trama se desenrola no intervalo entre a condenação do filósofo italiano e a aplicação da pena de morte. A ficção contextualiza o ambiente de transição entre a baixa idade média e a idade moderna. O ambiente de ‘caça às bruxas’, o absolutismo e o autoritarismo políticos, a corrupção endêmica, o feudalismo e a ascensão da burguesia, a ortodoxia e os paradigmas religiosos, o racionalismo e o iluminismo compõem o substrato por onde se movimentam as personagens da peça.

O conselheiro do papa Clemente VIII, o octogenário Giovanni Archetti, comanda - do Palácio do Vaticano - uma intrincada rede de corrupção e, através dela, planeja desposar a mais bela jovem da Europa, Donabella de Monferrato. A formosa mulher admira e integra um grupo de seguidores de Giordano Bruno. Para convencê-la acerca do matrimônio, o poderoso velhaco tenta ludibriá-la e mente, afirmando que promoverá a revisão do julgamento do famoso filósofo, anulando a pena de morte imposta. Sem ser correspondido, o poderoso Giovanni Archetti ama Donabella, que é amada pelo noviço Enrico Belinazzo, um jovem frade de corpo atlético que, por sua vez, é amado pelo vetusto padre Lorenzo, o diretor do seminário. 

De modo que conflitos secundários são explorados evidenciando os paradigmas da baixa idade média, os fundamentos dos novos modelos, dos novos arquétipos que surgiam em oposição ao poder do imperador do Sacro Império, do Papa e dos reis; o ocaso do feudalismo, suplantado pela burguesia que emerge como a nova classe dominante; a degeneração da política e a degradação moral e dos costumes. 

Adentre este universo povoado por conflitos, disputas, cizânias e querelas. Um enredo que, lançando mão de episódios verídicos da narrativa histórica, ambienta novelos densos e provocativos instigando os leitores a responder se o autoritarismo e a corrupção que vincaram o interim entre os séculos XVI e XVII não seriam equivalentes – em extensão, volume e vilania - aos verificados nos dias de hoje.
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Mesmo quando dormia, irena não conseguia esquecer. Em sonhos, ela se via tirando uma criança, que chorava desesperadamente, dos braços da mãe que lhe perguntava: 'jura que meu filho se salvará?' Responsável por salvar 2.500 crianças do gueto de Varsóvia, irena jamais esqueceu aqueles terríveis momentos em que era obrigada a separar os filhos de seus pais.
Irena Sendler faleceu no dia 12 de maio último, aos 98 anos. Jamais se considerou uma heroína. Pelo contrário. Quando alguém mencionava sua coragem, respondia: "Continuo com a consciência pesada de ter feito tão pouco"...
O Instituto Yad Vashem reconheceu o valor dessa mulher extraordinária, em 1965, concedendo-lhe o título de "Justo entre as Nações", mas poucos conheciam sua história até menos de uma década atrás. Em 2000, o silêncio que se formara em volta de seu nome foi quebrado, quase por acaso, graças ao empenho das alunas de uma escola secundária de Uniontown, Kansas, nos Estados Unidos: Megan Stewart, Elizabeth Cambers, Jessica Shelton, de 14 anos, e Sabrina Coons, de 16. Mais, aqui.


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O livro com a peça teatral Irena Sendler, minha Irena:


A história registra as ações de um grande herói, o espião e membro do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, Oskar Schindler, que salvou cerca de 1.200 judeus durante o genocídio perpetrado pelos nazistas. O industrial alemão empregava os judeus em suas fábricas de esmaltes e munições, localizadas na Polónia e na, então, Tchecoslováquia.   

Irena Sendler, utilizando-se, tão somente, de sua posição profissional – assistente social do Departamento de Bem-estar Social de Varsóvia – e se valendo de muita coragem, criatividade e altruísmo, conseguiu salvar mais de 2.500 crianças judias.

"O Anjo do Gueto de Varsóvia", como ficou conhecida Irena Sendlerowa, conseguiu salvar milhares de vidas ao convencer famílias cristãs polonesas a esconder, abrigando em seus lares, os pequeninos cujo pecado capital – sob a ótica do führer – consistia em serem filhos de pais judeus.

Período: 2ª Guerra Mundial, Polônia ocupada pela Alemanha nazista. A ideologia de extrema-direita que sistematizou o racismo científico e levou o antissemitismo ao extremo com a Solução Final, implementava a eliminação dos judeus do continente europeu.

A guerra desencadeada pelos nazistas – a maior deflagração do planeta – mobilizou 100 milhões de militares, provocando a maior carnificina já experimentada pela humanidade, entre 50 e 70 milhões de mortes, incluindo a barbárie absoluta, o Holocausto, o genocídio, o assassinato em massa de 6 milhões de judeus.

Este é o contexto que inspirou o autor a escrever a peça teatral “Irena Sendler, minha Irena”.

Para dar sustentação à trama dramática, Antônio Carlos mergulhou fundo na pesquisa histórica, promovendo a vasta investigação que conferiu à peça um realismo que inquieta, suscitando reflexões sobre as razões que levam o homem a entranhar tão exageradamente no infesto, no sinistro, no maléfico. Por outro lado, como se desanuviando o anverso da mesma moeda, destaca personagens da vida real como Irena Sendler, seres que, mesmo diante das adversidades, da brutalidade mais atroz, invariavelmente optam pelo altruísmo, pela caridade, pela luz.

É quando o autor interage a realidade à ficção que desponta o rico e insólito universo com personagens intensos – de complexa construção psicológica - maquinações ardilosas, intrigas e conspirações maquiavélicas, complôs e subterfúgios delineados para brindar o leitor – não com a catarse, o êxtase, o enlevo – e sim com a reflexão crítica e a oxigenação do pensamento.
Dividida em oito atos, a peça traz à tona o processo de desumanização construído pelas diferentes correntes políticas. Sob o regime nazista, Irena Sandler foi presa e torturada – só não executada porque conseguiu fugir. O término da guerra, em 1945, que deveria levar à liberdade, lancinou o “Anjo do Gueto” com novas violências, novas intolerâncias, novas repressões. Um novo autoritarismo dominava a Polônia e o leste Europeu. Tão obscuro e cruel quanto o de Hitler, Heydrich, Goebbels, Hess e Menguele, surgia o sistema que prometia a sociedade igualitária, sem classes sociais, assentada na propriedade comum dos meios de produção. Como a fascista, a ditadura comunista, também, planejava erigir o novo homem, o novo mundo. Além de continuar perseguindo Irena, apagou-a dos livros e da historiografia oficial, situação que só cessaria com o debacle do império vermelho e a ascensão da democracia, na Polônia, em 1989.


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quarta-feira, 12 de julho de 2017

Nuvem de livros e Casa Libre pautam situação sócio-política do Brasil na Flip

Imagem do stand da Nuvem de Livros na FLIP de 2015. EFE/Sebastião Moreira
Para reavivar o debate do papel da leitura no contexto sócio-político brasileiro, a biblioteca digital por assinatura Nuvem de Livros e a Liga Brasileira de Editoras - Libre estreiam juntas nos dias 27 a 30 de julho na 15ª edição da Festa Literária de Paraty (Flip).
A parceria pautará discussões com o tema "Sim, outro país é possível. E a leitura com isso?", onde personalidades brasileiras irão participar de mesas de debate.
"A Casa Libre e Nuvem de Livros cumpre, com excelência, o papel que lhe cabe em uma democracia, opondo-se a uma lógica perversa que teima em se perpetuar, impedindo o esboço de um país possível", reflete Roberto Bahiense, executivo-chefe da Nuvem de Livros, a respeito da relevância do evento.
Os escritores Cadão Volpato e Conceição Evaristo estarão em uma mesa sobre experiências de leitura. O premiado ilustrador Roger Mello e o ator Lázaro Ramos também estão confirmados em uma mesa sobre educação social e livros.
"A Casa Libre e Nuvem de Livros é um espaço onde se pode discutir assuntos políticos e ainda discutir soluções. Muitas vezes a gente fica no debate e no embate, e não busca novos caminhos", avaliou o ator.
Os jornalistas Mino Carta e Paulo Henrique Amorim analisarão sob a perspectiva da informação online e o papel dos blogs no Brasil suas influências como formadores de opinião.

EFE


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terça-feira, 11 de julho de 2017

Rio de Janeiro: Cais do Valongo é reconhecido Patrimônio Cultural da Humanidade

Com título, fica Cais do Valongo no mesmo patamar de importância histórica de outros patrimônios mundiais mais conhecidos, como o Campo de Concentração de AuschwitzAgência Brasil/Arquivo/Tomaz Silva

O Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, principal porto de entrada de escravos nas Américas ao longo de três séculos, recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade hoje (9). O reconhecimento da importância histórica e cultural deste sítio, localizado na zona portuária da capital fluminense, foi feito pelo Comitê do Patrimônio Mundial, ligado a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em reunião anual que ocorreu na Cracóvia.
O título não se traduz em benefícios financeiros diretos, mas coloca o Cais do Valongo no mesmo patamar de importância histórica de outros patrimônios mundiais mais conhecidos, como o Campo de Concentração de Auschwitz, na Alemanha, e da cidade de Hiroshima, no Japão, que foram reconhecidos como locais de memória e sofrimento da humanidade.
O Brasil recebeu cerca de 4 milhões de escravos nos mais de 3 séculos de duração do regime escravagista, o que equivale a 40% de todos os africanos que chegaram vivos nas Américas, entre os séculos 16 e 19. Destes, aproximadamente 60% entraram pelo Rio de Janeiro, sendo que cerca de 1 milhão deles pelo Cais do Valongo.
O título tem o objetivo de reconhecer a importância do local e dos africanos que lá desembarcavam para a formação cultural, social e econômica do Brasil. E ainda a sua relevância para toda a humanidade como símbolo da violência que a escravidão representa.
Candidatura
O Cais do Valongo foi o único sítio inscrito pelo Brasil para concorrer ao título este ano. A candidatura foi apresentada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pela prefeitura do Rio de Janeiro e aceita pelo comitê em 2015.
Na oportunidade, foi apresentado dossiê com detalhes da história do tráfico negreiro para o país e o que o trabalho escravo significou para a economia brasileira entre os séculos 16 e 19. O trabalho, coordenado pelo antropólogo Milton Guran, também demonstrou que a importância do sítio arqueológico não está ligada apenas aos afrodescendentes, mas a toda a população brasileira.
Por Mariana Jungmann, da Agência Brasil

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O livro com a peça teatral Irena Sendler, minha Irena:


A história registra as ações de um grande herói, o espião e membro do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, Oskar Schindler, que salvou cerca de 1.200 judeus durante o genocídio perpetrado pelos nazistas. O industrial alemão empregava os judeus em suas fábricas de esmaltes e munições, localizadas na Polónia e na, então, Tchecoslováquia.   

Irena Sendler, utilizando-se, tão somente, de sua posição profissional – assistente social do Departamento de Bem-estar Social de Varsóvia – e se valendo de muita coragem, criatividade e altruísmo, conseguiu salvar mais de 2.500 crianças judias.

"O Anjo do Gueto de Varsóvia", como ficou conhecida Irena Sendlerowa, conseguiu salvar milhares de vidas ao convencer famílias cristãs polonesas a esconder, abrigando em seus lares, os pequeninos cujo pecado capital – sob a ótica do führer – consistia em serem filhos de pais judeus.

Período: 2ª Guerra Mundial, Polônia ocupada pela Alemanha nazista. A ideologia de extrema-direita que sistematizou o racismo científico e levou o antissemitismo ao extremo com a Solução Final, implementava a eliminação dos judeus do continente europeu.

A guerra desencadeada pelos nazistas – a maior deflagração do planeta – mobilizou 100 milhões de militares, provocando a maior carnificina já experimentada pela humanidade, entre 50 e 70 milhões de mortes, incluindo a barbárie absoluta, o Holocausto, o genocídio, o assassinato em massa de 6 milhões de judeus.

Este é o contexto que inspirou o autor a escrever a peça teatral “Irena Sendler, minha Irena”.

Para dar sustentação à trama dramática, Antônio Carlos mergulhou fundo na pesquisa histórica, promovendo a vasta investigação que conferiu à peça um realismo que inquieta, suscitando reflexões sobre as razões que levam o homem a entranhar tão exageradamente no infesto, no sinistro, no maléfico. Por outro lado, como se desanuviando o anverso da mesma moeda, destaca personagens da vida real como Irena Sendler, seres que, mesmo diante das adversidades, da brutalidade mais atroz, invariavelmente optam pelo altruísmo, pela caridade, pela luz.

É quando o autor interage a realidade à ficção que desponta o rico e insólito universo com personagens intensos – de complexa construção psicológica - maquinações ardilosas, intrigas e conspirações maquiavélicas, complôs e subterfúgios delineados para brindar o leitor – não com a catarse, o êxtase, o enlevo – e sim com a reflexão crítica e a oxigenação do pensamento.
Dividida em oito atos, a peça traz à tona o processo de desumanização construído pelas diferentes correntes políticas. Sob o regime nazista, Irena Sandler foi presa e torturada – só não executada porque conseguiu fugir. O término da guerra, em 1945, que deveria levar à liberdade, lancinou o “Anjo do Gueto” com novas violências, novas intolerâncias, novas repressões. Um novo autoritarismo dominava a Polônia e o leste Europeu. Tão obscuro e cruel quanto o de Hitler, Heydrich, Goebbels, Hess e Menguele, surgia o sistema que prometia a sociedade igualitária, sem classes sociais, assentada na propriedade comum dos meios de produção. Como a fascista, a ditadura comunista, também, planejava erigir o novo homem, o novo mundo. Além de continuar perseguindo Irena, apagou-a dos livros e da historiografia oficial, situação que só cessaria com o debacle do império vermelho e a ascensão da democracia, na Polônia, em 1989.


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segunda-feira, 10 de julho de 2017

"Tesouros" da modernidade chegam ao Brasil com Picasso, Miró e Dalí

EFE/Sebastião Moreira
Os "tesouros" da modernidade foram redescobertos no Brasil com 59 obras sobre papel de alguns dos artistas que marcaram este período, entre eles os grandes nomes da pintura espanhola Pablo Picasso, Joan Miró e Salvador Dalí.
Mas o nascimento da modernidade não poderia ser entendido sem Edgar Degas (1834-1917), um dos grandes artistas da história e que também traçou suas famosas bailarinas em carvão sobre papel de decalque.
A sua obra "Duas bailarinas" (1890) é uma das peças que compõem a exposição Tesouros da Coleção Fundação MAPFRE - Obras sobre papel", um conjunto de obras compreendidas entre o século XIX e metade do século XX que levou até São Paulo a essência da modernidade sobre o papel.
"O papel é muito frágil, é a parte mais delicada da arte", explicou à Agência Efe Leyre Bozal, conservadora da Fundação Mapfre.
A fragilidade e a delicadeza deste material é resumida em a 'Jovem Adormecida' (1909), de Egon Schiele, uma criação cheia de "ternura" e que reforça a ideia de que "a mulher é a nova protagonista da modernidade", segundo Bozal.
A mulher também é a inspiração de 'Mademoiselle Léonie' (1910) - Crayon e tinta sobre papel de 64,3 x 49,5 centímetros -, um importante desenho de Picasso que a fundação comprou há alguns anos da família do pintor por mais de 1 milhão de euros.
'Mademoiselle Léonie' é um dos exemplos mais claros do cubismo analítico e um dos três desenhos expostos do pintor malagueño, "um monstro capaz de fazer tudo".
"Picasso é tudo ao mesmo tempo e isso é o que o transforma em um gênio", explicou Bozal durante a inauguração, realizada na terça-feira no Museu Lasar Segall, na capital paulista.
Com um espírito plenamente vanguardista, a exposição adentra nas tendências mais avançadas da arte contemporânea: o dadaísmo de Charchoune, Picabia e Schwitters e o surrealismo de Óscar Domínguez, Joan Miró e Salvador Dalí.
Em tinta sobre papel, Dalí (1904-1989) desenha a "Solitude mentale" (1932), no qual o gênio catalão incorpora o relógio, motivo crucial no universo do pintor e que tinha produzido um grande impacto ao aparecer na 'A Persistência da Memória '(1931), uma das obras mais aclamadas do surrealismo.
Os desenhos de Dalí convivem na mesma sala com três obras de seu contemporâneo Joan Miró, que fazem parte da coleção permanente que a Fundação Mapfre dedicou ao mago da arte contemporânea.
"A Mapfre tem uma tradição importante de impulsionar os investimentos em cultura, é importante dentro da nossa estratégia aqui no país", segundo explicou à Agência Efe o presidente da Mapfre no Brasil e representante da Fundação, Wilson Toneto.
A partir do círculo parisiense de André Breton, o surrealismo permaneceu na cultura espanhola durante muitos anos, tal como se vê nas formas puras e primitivas de Julio González e Alberto Sánchez, bem como nas primeiras obras de Antoni Tapies (1923-2012), que acabou sendo "informalista".
A coleção termina na metade do século XX, "onde as disciplinas começam a se misturar" e "a arte se transforma emm outra coisa", de acordo com Bozal.
Nessa época o limite entre os gêneros artísticos parece se diluir em um universo criativo que mistura desenho com pintura, escultura com ação e arquitetura.
Um exemplo disso está no desenho de Eduardo Chillida incluído na exposição, que combina a qualidade do desenho propriamente dito com as qualidades de escultura do ferro e da madeira.
A exposição, que estará em cartaz em São Paulo até 23 de agosto, também inclui obras de Gustav Klimt, Matisse, Paul Klee, George Grosz e Alexander Archipenko, entre outros.
Por Alba Santandreu, da EFE


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Um teatro de envergadura



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domingo, 9 de julho de 2017

Chacina de Pau D´Arco, no Pará, não pode ficar impune


A morte de dez camponeses, dia 24 de maio deste ano, em uma operação policial em Pau D´Arco, no Pará, não pode cair no esquecimento nem ficar impune. O pedido foi feito por lideranças sociais que acompanham o caso e parentes das vítimas, durante ato público na noite desta quarta-feira (5), na sede regional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Rio de Janeiro.
“A experiência histórica do Brasil é que de todos os homicídios de mortes no campo, nos últimos dez anos, só três pessoas foram julgadas e condenadas. O histórico de nossa realidade é sempre negar, não se investiga a participação do Estado nem do latifundiário. No máximo, se pune o pistoleiro”, disse o advogado da Liga dos Camponeses Pobres do Pará, Felipe Nicolau.
Nicolau disse que a questão agrária no estado é muito grave, com superposição de títulos de terras, muitos com indícios de serem falsificados, usados por fazendeiros para garantir a posse das áreas, o que gera insegurança e violência.
“A questão agrária se agudiza no Pará. Com toda a certeza, o que houve ali foi uma chacina. Muitas vítimas foram torturadas. A ação da polícia foi de matar. Falam na região em uma aliança de latifundiários para intimidar a ocupação de terras”, disse Nicolau. Policiais alegaram que foram recebidos a tiros pelos camponeses, mas a perícia não constatou tiros em nenhum dos militares nem nas viaturas.
Família quase destroçada
Uma das dez vítimas mortas pela polícia foi Ronaldo Pereira de Souza, marido de Sterfa da Silva Gonçalves, que ficou viúva com um bebê que tinha 29 dias na época. Ela também luta para que o caso não caia no esquecimento.
“A gente pede por justiça. É o que eu quero e estamos lutando. A minha vida está bagunçada, pois o meu apoio era ele. Agora estou na misericórdia de Deus, mas a gente não vai desistir da área. Eu não vou desistir. Minha família foi quase destroçada, uma tragédia muito grande”, lamentou Sterfa, de 25 anos, que admite viver com medo, pois não confia na polícia para lhe garantir proteção.
Durante o ato, foi apresentado o documentário Terra e Sangue – Bastidores do Massacre de Pau D'Arco, dirigido por Patrick Granja, que esteve no local, colhendo imagens e depoimentos quatro dias após a chacina.
Por Vladimir Platonow, da Agência Brasil





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sábado, 8 de julho de 2017

Grupo Aquela Cia abriu programação em Brasília do festival Palco Giratório

Teatro de Marionetes, um dos espetáculos do festival Palco Giratório, do Sesc (Foto Thiago Sabino - Divulgação)  
Retrato de um personagem que transita do mangue ao espaço em plena urbanização, o espetáculo musical Caranguejo Overdrive, do grupo fluminense Aquela Cia, abriu a programação de Brasília do festival Palco Giratório. Organizado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc), o evento se dedica, há 20 anos, a levar as artes cênicas às capitais e, principalmente, ao interior do Brasil. O lançamento nacional da edição ocorreu em 29 de março, em Campina Grande (PB).
Verdadeiro brinde à profusão de expressões regionais, o festival abrange, neste ano, 20 companhias, que percorrerão 147 cidades, com 685 atrações de dança, circo, teatro, performance e intervenção urbana. Como enfatizam os idealizadores no site oficial, o evento, em diversas cidades, representa “a única programação cultural, possibilitando a muitas pessoas assistir a um espetáculo pela primeira vez na vida. Permite que demandas sejam criadas e reforçadas pela população”.
No Distrito Federal, o circuito traz, além das peças apresentadas em teatros, uma novidade, o espetáculo de rua. A agenda com 20 atividades, que se estende até o dia 30 de julho, abrange ainda oficinas e mesas redondas e será distribuída no Plano Piloto e nas cidades de Taguatinga, Ceilândia e Gama.
A relação entre o ser humano e a metrópole também é exprimida pelos performers do grupo Ecopoética, que utiliza o lixo para compor suas instalações. O grupo deve ocupar, por 3 horas, a Ponte Juscelino Kubitschek, no Lago Sul, no sábado (8), a partir das 14h30.
Todas as atividades do festival são gratuitas. As informações sobre a programação no Distrito Federal estão disponíveis no site do Sesc - https://www.sescdf.com.br/wp-content/uploads/2017/06/palco20anos-program... - e os resumos das peças, no site oficial do evento - http://www.sesc.com.br/portal/site/palcogiratorio/2017/inicio/inicio . Interessados em participar das oficinas de palhaçaria, dança contemporânea e de confecção de bonecos gigantes poderão se inscrever pelo telefone (61) 3484.9142.
A peça Caranguejo Overdrive tem início às 20h, no Sesc Garagem, na Avenida W4 Sul, Quadra 713/913, Lote F. Os ingressos deverão ser retirados com uma hora de antecedência, na bilheteria do teatro.
Por Letycia Bond, da Agência Brasil


 
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