sexta-feira, 10 de novembro de 2017

São Paulo inaugura exposição permanente sobre o Holocausto


Uma réplica em tamanho natural de um barracão de prisioneiros judeus, objetos e peças de vestuários, posters da propaganda nazista. Logo na entrada, a famosa frase do portão do campo de Auschwitz Arbeit Macht Frei (O trabalho liberta em tradução livre), seguida pela foto de Anne Frank, a garota alemã cujo diário se transformou em uma das mais conhecidas obras do período do Holocausto. Uma exposição inaugurada ontem (9) em São Paulo vai levar o visitante de volta ao passado para um período importante, embora trágico, da história mundial.
Considerado um dos episódios mais cruéis da humanidade, o Holocausto vitimou durante a Segunda Guerra Mundial mais de 6 milhões de judeus, entre eles 1,5 milhão de crianças, mas ainda é pouco conhecido entre os brasileiros, especialmente os mais jovens. Para preencher essa lacuna, oMemorial da Imigração Judaica inaugurou a exposição permanente sobre o tema e passa a se chamar, a partir de hoje, Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto.
“Essa preservação da memória é fundamental e é feita no mundo inteiro, há museus do holocausto nas maiores capitais do mundo, então uma capital como São Paulo não podia deixar de ter seu Memorial do Holocausto”, diz o professor de história judaica Reuven Faingold, diretor de projetos educacionais do Memorial.
Desde sua concepção até sua inauguração, a mostra consumiu seis meses de preparação, com um eixo central: além de ser uma exibição de objetos, fotos ou vídeos históricos, é um local que produz um efeito sensorial no visitante. “Tentamos fazer um museu vivo, no sentido de que o visitante sinta na pele um pouquinho do que aqueles prisioneiros sentiram”, diz Faingold.
 “O visitante vai encontrar uma vitrine subterrânea com o prisioneiro e sua ração de comida, que era um pouco de batata; ele vai ver a construção de um comércio judaico em Berlim e efeitos sonoros como a quebra dos vidros dessas lojas durante a Noite dos Cristais, no dia 9 novembro de 1938. Vai ver reproduções de obras de arte que foram confiscadas de lares judaicos. Há ainda o famoso pijama listrado, tanto de adulto quanto de criança, usados pelos presos. O ponto mais alto é a barraca de prisioneiros, onde as pessoas poderão sentir o cheiro da palha que fazia às vezes de colchão, e a própria tigela que era o travesseiro do prisioneiro”, diz o diretor.
A exposição do Memorial também proporciona contato com objetos autênticos pertencentes às vítimas do Holocausto e doados por seus familiares que hoje residem no Brasil. Outra seção comovente é a que exibe desenhos feitos por crianças prisioneiras dos campos de concentração, que retratam cenas observadas durante a terrível estadia naqueles locais.
A exposição ainda exibe vídeos em uma sala especial que narram episódios da época, como a Noite dos Cristais, quando nazistas lançaram uma onda de ataques a judeus em várias regiões da Alemanha e da Áustria em 1938, ou filmes de propaganda feitos para exaltar o governo nazista de Adolf Hitler.
Radicado no Brasil há 27 anos, Faingold, de 60 anos, é descendente de judeus. Seu avô materno se refugiou na Argentina, onde ele nasceu. Para o professor, a preservação dos objetos é essencial para a história. “No futuro não haverá mais sobreviventes, porque esses que chegaram [no Brasil] já são pessoas com mais de 80 anos. O que vai sobrar são justamente os museus e os memoriais que temos”, observou.
Para que jamais volte a acontecer
Faingold falou também sobre a importância de divulgar a exposição entre alunos e ensinar algumas definições pouco conhecidas pelos jovens brasileiros.
“É preciso falar o que é um genocídio, dar exemplos, e contar o que foi o Holocausto: foi apenas um em toda a história da humanidade, pela brutalidade, pelas etapas e a abrangência do fenômeno, pelo uso e abuso de tecnologias na indústria da morte, por todos esses motivos o Holocausto é diferente de outro tipo de genocídio”, explica. "Nós vamos tratar, dentro do possível, para que escolas estaduais com menos recursos possam vir aqui e visitar nosso memorial”, disse ele
Localizado na primeira sinagoga do Estado de São Paulo, o Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto foi fundada em 1912 e guarda um amplo e valioso acervo documental para valorizar a contribuição dos judeus ao desenvolvimento do Brasil.
Serviço
Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto
Rua da Graça, 160, Bom Retiro, São Paulo (Estação Luz)
Domingo: apenas para grupos com agendamento
Segunda à quinta: 9h - 17h
Sexta: 9h - 15h
Entrada gratuita
EBC


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A arte de escrever bem


Escrever é uma necessidade vital, um fundamento sem o qual a comunicação perde em substância.
Os desafios do dia a dia exigem intensa troca de mensagens, seja nas redes sociais, seja nas corporativas: relacionamentos pessoais, correio eletrônico, elaboração de projetos e relatórios, participação em concursos e processos seletivos, negociações empresariais, tratados corporativos, convenções políticas, projetos literários... Tarefas que se tornam triviais, textos que se tornam mais adequados e elegantes quando as técnicas para a elaboração da redação criativa se encontram sob inteiro domínio. E não é só. Escrever está umbilicalmente vinculado à qualidade de vida, à saúde, ao bem-estar.
É o que comprova estudo realizado pela Universidade de Auckland, na Nova Zelândia. Os pesquisadores chegaram à conclusão que a prática da escrita atua na redução dos hormônios vinculados ao estresse, melhora o sistema imunológico, auxilia na recuperação do equilíbrio físico e emocional.  
Este livro disponibiliza uma exclusiva metodologia para a elaboração do texto criativo. Destina-se aos que tenham interesse em aprimorar a expressão através da escrita: trabalhadores e servidores públicos, gestores que atuam nos setores privado e estatal, empresários e empreendedores, lideranças políticas e sociais, professores e estudantes, sem perder de vista as pessoas comuns, o público em geral, porque qualificar as formas de interagir com o outro deve ser um objetivo estratégico acolhido por todos.     
A utilização da técnica ‘Moving Letters’ possibilita que a atividade ‘escrever bem’ se coloque ao alcance de qualquer um. O método, ancorado nos princípios do planejamento estratégico – de maneira gradual e progressiva – conduz o leitor pelos universos que podem levá-lo à carreira de escritor.  Caso a opção seja escrever um livro, por exemplo, a metodologia auxilia na definição dos temas, na estruturação das tramas, na caracterização das personagens, na coesão do enredo, na consistência dos conflitos, na lapidação do texto, desenvolvendo as habilidades necessárias para a elaboração da adequada escritura.
Fluência à escrita e qualidade à redação são as molas propulsoras que impulsionam o livro, são os objetivos possibilitados pela aplicação da metodologia. Como fundamento, um tripé harmoniosamente organizado: a linguística, a estruturação e análise do discurso e as técnicas de elaboração de textos criativos. 
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Rio exibe obras que buscam a terceira dimensão na pintura

Na mostra Memória e Transformação, obras buscam ultrapassar os limites entre a pintura e a esculturaAssessoria de Imprensa/Exposição
Obras que buscam ultrapassar os limites entre a pintura e a escultura podem ser vistas na exposição Memória e Transformação, do artista visual Mário Camargo, inaugurada na noite do dia 8, para convidados, no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro.
Dez trabalhos em grandes dimensões, entre pinturas, objetos e instalações, integram a mostra, realizada menos de um mês depois de Camargo ter sido um dos 19 artistas brasileiros que participaram da Bienal de Arte Contemporânea de Florença, na Itália, encerrada em dia 15 de outubro.
Na exposição, com curadoria de Ruy Sampaio, as pinturas parecem saltar da tela, na busca da transformação em um objeto, escultura, instalação ou simplesmente saindo do retângulo.
“Meu trabalho transita entre a arte gestual e abstração lúdica. Eu pego obras antigas e rasgo as telas e repinto. Isto aí é uma transformação. Nesse reaproveitamento, procuro sair do retângulo da tela e transformar meu trabalho em quase uma escultura, buscando a terceira dimensão”, explicou Mário Camargo, em entrevista ao programa Arte Clube, da Rádio MEC AM,da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
O trabalho de Camargo remete à Arte Povera italiana, que significa “arte pobre”, mas não no sentido da pobreza, e sim do reaproveitamento de matérias antes descartadas. “Uma obra pode ser usada como base para outra. Esta desconstrução proporciona um novo olhar para o trabalho e uma nova forma de liberdade, evidencia a intenção de promover algo instigante, intrigante e poético”, disse o artista, que citou o argentino-italiano Lucio Fontana (1899-1968) como uma de suas referências.
Arte não vista
Na Bienal de Florença, Mário Camargo apresentou o trabalho intitulado Arte não vista, uma instalação de 17 registros fotográficos feitos nos jardins da Villa Borghese, em Roma. O artista, que mora e trabalha no Rio de Janeiro, já recebeu prêmios internacionais, em Paris (1999) e no Chile (2001), e realizou exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior.
Um dos principais espaços expositivos do Rio, o Centro Cultural Correios inaugurou mais três mostras na noite desta quinta-feira. Uma delas é a terceira edição do Festival de Esculturas do Rio, com trabalhos de diferentes estilos, técnicas e materiais de 40 artistas nacionais e estrangeiros. As outras duas são as individuais A obra como espelho, que celebra 20 anos de carreira da artista visual Marilou Winograd e Natureza: geometria secreta, do pintor Paulo Symões.
As quatro exposições ficam em cartaz até 7 de janeiro de 2018 e podem ser visitadas, com entrada franca, de terça-feira a domingo, das 12h às 19h. O Centro Cultural Correios fica na Rua Visconde de Itaboraí, s/n, no centro do Rio.
Da Agência Brasil


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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Mudanças na aplicação do Enem reduziram o número de candidatos eliminados


Um total de 273 candidatos inscritos no Exame Nacional do ensino Médio (Enem) foram eliminados no primeiro dia de prova realizada no domingo (5). Desses, 264 foram por descumprimento de regras do edital, como portar equipamentos eletrônicos, ausentar-se antes do horário permitido, usar material impresso e não atender a orientações dos fiscais. Outros nove candidatos foram eliminados por porte de objetos proibidos identificados pelo sistema de detecção de metal.
O número de eliminações no primeiro dia de prova deste ano foi bem menor do que no ano passado, quando 3,9 mil pessoas foram eliminadas no primeiro dia e 4,7 mil no segundo dia. O principal motivo das eliminações em 2016 (44,3%) foi a falta de marcação do tipo de prova recebida. Neste ano, como foi usada a prova personalizada, com os cadernos de questões identificados com nome e número de inscrição do participante, não foi preciso marcar o tipo de prova recebida.
Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as medidas de segurança adotadas neste ano para deixar o Enem mais seguro resultaram na redução das eliminações. “A grande campanha de divulgação dessas novas medidas pode ter sido uma das causas que inibiram participantes com intenção de burlar o Enem 2017”, diz o Instituto.
O Enem 2017 estreou a prova personalizada e o uso de detectores de ponto eletrônico e teve a maior cobertura de detectores de metal desde que o recurso começou a ser usado: 100 participantes por detector.
Da Agência Brasil


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Procuradoria aponta 20 anos de 'omissões e desídias' do Ministério da Cultura


Na denúncia que levou à Justiça Federal contra 32 investigados da Operação Boca Livre - investigação sobre fraudes e desvios de R$ 21 milhões via Lei Rouanet - a Procuradoria aponta vinte anos de 'omissões e desídias' do Ministério da Cultura.
'Foram quase duas décadas repletas de aprovações, pelo MinC, de projetos culturais irregulares, marcadas pela ausência de análise da correspondente prestação de contas e da devida e aprofundada fiscalização, em especial, no que toca aos projetos do Grupo Bellini Cultural, cujas prestações de contas, na sua quase totalidade, não restaram concluídas', assinala a procuradora Karen Louise Kahn, do Ministério Público Federal de São Paulo.
Segundo a Procuradoria, uma organização criminosa se formou no Grupo Bellini para a prática de estelionatos contra a União e falsidade ideológica. Empresas tradicionais se valeram, na condição de patrocinadoras, de parcerias com o Grupo Bellini para alcançar generosos incentivos fiscais.
A Procuradoria dedica um capítulo inteiro ao Ministério da Cultura. 'Da omissão na fiscalização pelo Ministério da Cultura e da continuidade delitiva na execução de projetos fraudulentos.'
A denúncia de Karen insere-se em 'um contexto de desvirtuamento dos objetivos da Lei Rouanet, os quais, inobstante a regular captação de recursos instituída para a promoção de projetos culturais em nível nacional, deixaram de ser atingidos por conta dos desvios de recursos públicos promovidos por parte dos denunciados, especialmente, a partir dos falsos registros de pagamentos e da pactuação, entre eles, de contrapartidas ilícitas, dentre outras fraudes detectadas'.
A Lei Rouanet, ao instituir o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) teve como escopo a criação de mecanismos para facilitar a arrecadação de recursos, visando a promoção de projetos culturais que difundissem a cultura brasileira, facilitando à toda a sociedade o livre acesso às fontes de cultura e o pleno exercício dos direitos culturais.
Na dinâmica do processo de aprovação do projeto cultural, a proposta é submetida à Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic), braço do Ministério da Cultura, que avalia a capacidade técnica do proponente - com atuação há pelo menos dois anos na área cultural -, a viabilidade de execução do projeto, seus custos e, por fim, o atendimento à finalidade da Lei Rouanet.
'Incumbe ao Ministério da Cultura, dentre outras atribuições, a aprovação e fiscalização de projetos culturais, dispensando às empresas patrocinadoras o chamado 'Incentivo Fiscal', previsto na Lei Rouanet', destaca a denúncia de 167 páginas. 'No presente caso, porém, foi verificada grave omissão do Ministério da Cultura na efetiva fiscalização dos projetos culturais (Pronacs, Programa Nacional de Apoio à Cultura), no bojo dos quais foram detectadas as fraudes denunciadas.'
A Procuradoria assinala que já em 2011, o Ministério da Cultura 'fora fiscalizado pelo Tribunal de Contas da União, que identificou um passivo de 87,94% de Pronacs propostos desde 1992, sem a conclusão da correspondente prestação de contas, e que demandaria cerca de 19 anos para ser efetivada'.
Karen Kahn ressalta que, em 2013, foi constituída uma força-tarefa para a análise das prestações de contas pendentes.
Dentro deste escopo, o Ministério da Cultura fiscalizou 24 projetos do Grupo Bellini Cultural, apresentados no período de 1990 a abril de 2011, 'havendo detectado indícios de falsificações nos documentos de comprovação de despesas'.
Tal fato resultou na elaboração da Nota Técnica 01/2013. 'Após criar diversos parâmetros para fiscalização, entre 2014 e início 2016, pelos quais somente projetos com captação superior ao valor de R$ 2 milhões seriam submetidos a uma análise financeira completa, o MinC, em 20 de abril de 2016, buscou uma uniformização na análise desse 'Passivo', compreendendo as prestações de contas recebidas de 1991 a dezembro de 2011', segue a acusação formal da Procuradoria.
Nesta linha, aprovou o Manual de Análise de Prestação de Contas Força-Tarefa Passivo, em cumprimento ao Acórdão TCU n.º 1385/2011, 'em cujo roteiro o próprio MinC admite que não houve a fiscalização in loco da execução dos projetos'.
'Tal fato revelou a falta de capacidade do Ministério da Cultura em fiscalizá-los, fato este que, facilmente, propiciou o surgimento de associações e organizações criminosas, como a ora denunciada, com desvio de recursos públicos por mais de uma década e em valores que superam a casa dos R$ 21 milhões', aponta a Procuradoria.
'Somente a partir de tais constatações, que o MinC decidiu por comunicar as diversas irregularidades à Controladoria-Geral da União, solicitando apuração.'
Estas irregularidades, segundo a Procuradoria, consistiram nos seguintes indícios. a) fotos adulteradas, b) comprovantes de bibliotecas adulterados (as quais teriam sido contempladas com livros de acesso ao público, objeto de diversos Pronacs), c) fraudes de documentos e declarações falsas, d) de emissão de notas fiscais inidôneas; f) apresentação de documentos para comprovação que pertenciam a outros Pronacs; g) utilização das mesmas prestadoras de serviços para dispêndios mais substanciais com recursos do Pronac; h) alternância entre as empresas Amazon Books e Solução Cultural na qualidade de proponentes dos projetos e prestadoras de serviços.
Segundo a denúncia, um dos acusados, Felipe Vaz Amorim, do Grupo Bellini, indicou a ausência de fiscalização do Ministério da Cultura, em seu depoimento prestado à Polícia Federal.
'A clara inércia do Ministério da Cultura em apurar devidamente as irregularidades apontadas na denúncia anônima, encaminhada pelo Ministério Público Federal, evidenciou-se, a partir da continuidade na atuação fraudulenta das empresas do grupo (Bellini), não impedindo a perpetuação de suas fraudes, inobstante diversos indícios das fraudes já tivessem vindo à tona, durante o trâmite do procedimento administrativo interno instaurado. que a estrutura administrativa voltada para tal apenas foi criada após o acórdão do Tribunal de Contas da União em que foi determinada a adoção de providências quanto ao estoque de prestações de contas existente', segue a Procuradoria.
Felipe Amorim declarou que o MinC 'não realizava a análise na prestação de contas dos projetos culturais, esclarecendo que no período de 2001 a 2011 acredita que houve a análise de prestação de contas de somente 5 projetos, dentre dezenas, os quais foram aprovados'.
'Somente depois que o MinC recebeu uma denúncia envolvendo o Grupo Bellini é que começaram a ocorrer análise nas prestações de contas', disse Amorim. 'Até 2012, não havia regulamentação específica na forma como as prestações de contas deveriam ser realizadas.'
A procuradora Karen Kahn é enfática. 'Foram quase duas décadas repletas de aprovações, pelo MinC, de projetos culturais irregulares, marcadas pela ausência de análise da correspondente prestação de contas e da devida e aprofundada fiscalização, em especial, no que toca aos projetos do Grupo Bellini Cultural, cujas prestações de contas, na sua quase totalidade, não restaram concluídas.'
Segundo a denúncia, a Operação Boca Livre apurou o descumprimento de diversos procedimentos legais que visavam evitar a utilização indevida de recursos públicos, como: a) o princípio da não-concentração por segmento e por beneficiário, previsto no artigo 19, parágrafo 8º da Lei 8313/91; b) a não fiscalização dos projetos durante sua execução, em descumprimento ao artigo 20, caput, da Lei 8313/9113; c) a avaliação final totalmente extemporânea, em dissonância ao disposto no artigo 20, parágrafo 1º da Lei 8313/91.
'Diante da manifesta desídia e omissão do Ministério da Cultura em empreender a devida fiscalização quanto à aprovação dos projetos culturais que lhe foram, à época, apresentados, persistem fortes indícios da prática de prevaricação e possível corrupção por servidores da Secretaria de Fomento e Incentivo a Cultura, muito embora ainda não identificados, circunstâncias essas que permitiram que o Grupo Bellini Cultural continuasse desviando recursos públicos ao longo de quase vinte anos', acusa a Procuradoria.
'Estes e outros desvios de recursos públicos, com elevados danos ao erário, vieram corroborados pelo referido Relatório de Auditoria n.º 20160011615 elaborado pela Controladoria Geral da União, indicando a necessidade de melhor apuração de responsabilidades, no âmbito civil e administrativo, em especial, envolvendo a atuação omissão ou ilegal de servidores, inclusive, no tocante à aprovação e fiscalização dos projetos culturais junto à Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic), responsável pela aprovação e fiscalização dos projetos', argumenta o Ministério Público Federal.
Defesas
O Ministério da Cultura
'Em relação à denúncia realizada nesta segunda-feira (6) pelo Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP) de 32 suspeitos de participarem de organização criminosa liderada por Antônio Carlos Bellini, que teria desviado recursos captados via Lei Rouanet para benefício próprio, o Ministério da Cultura esclarece que:
1. O MinC iniciou investigação interna deste caso em 2011, a partir de denúncia recebida pelo Ministério Público. As irregularidades identificadas nos projetos do Grupo Bellini foram informadas ao Ministério da Transparência e Controladoria Geral da União em 2013, e resultaram na Operação Boca Livre, deflagrada pela Polícia Federal em 2016.
2. O Ministério da Cultura inabilitou as empresas identificadas, que não tiveram mais nenhum projeto admitido.
3. No curso das investigações, os técnicos do MinC descobriram que a organização criminosa desenvolveu novas estratégias: passou a operar com outras empresas, com outro CNPJ. À medida em que o MinC identificava novas empresas, as inabilitava e comunicava ao Ministério da Transparência e Controladoria Geral da União.
4. O Ministério da Cultura esclarece que não repassa recursos públicos de seu orçamento para realização de projetos culturais via Lei Rouanet. O MinC é responsável por analisar os requisitos objetivos e aprovar os projetos culturais apresentados. Tais projetos são apoiados financeiramente por pessoas físicas ou jurídicas. Em contrapartida, o governo federal abre mão de até 100% do valor desembolsado deduzido do imposto devido (artigo 18 da Lei 8.313/1991), dentro dos percentuais permitidos pela legislação tributária.' O Grupo Bellini ainda não retornou ao contato da reportagem. (AE)

Do Diário do Poder

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