quarta-feira, 11 de abril de 2018

Escolas da rede pública do Rio incluirão ações sobre intolerância religiosa



O debate sobre intolerância religiosa vai fazer parte do dia a dia dos alunos das 1.249 escolas da rede pública estadual do Rio de Janeiro. As secretarias estaduais de Educação e de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos fecharam parceria para desenvolver ações nas escolas.

O ponto de partida é um vídeo produzido por meio do Programa Educação Mais Humana, por alunos do Colégio Estadual Pedro II, de Petrópolis, na região serrana, que fazem o Curso Técnico de Produção de Áudio e Vídeo. O trabalho será apresentado aos estudantes da rede para conscientizar sobre a importância do combate à intolerância religiosa.
Além desse trabalho, serão produzidos outros vídeos de 5 minutos para exibição nas escolas, no YouTube e nas redes sociais. A ideia é, após a divulgação, fazer um debate sobre o assunto. Para o secretário de Educação, Wagner Victer, o diferencial é a linguagem dos vídeos. “Colocamos em uma linguagem de jovens e eles são produzidos pelos próprios alunos. É um ato novo. Muita gente faz discurso, mas na prática não produz nada. Esse é um exemplo concreto.
Victer espera repetir nesse tipo de ação o sucesso que vem sendo obtido em um ano de discussões da Lei Maria da Penha nas escolas. “Esse é um tema transversal permanente, que é a questão do combate à intolerância religiosa. Futuramente, a gente vai trabalhar alguma coisa contra o preconceito racial. A violência contra as mulheres já está sendo trabalhada e completou um ano agora  com a discussão da Lei Maria da Penha nas escolas. Produzimos cinco vídeos e todas as escolas já estão usando”.
Os professores de diversas disciplinas e profissionais em educação do Rio vão ser capacitados por integrantes da Secretaria de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos, para que façam a abordagem do tema nas aulas de forma pedagógica. O secretário de Direitos Humanos, Átila Alexandre Nunes, disse que está previsto ainda um trabalho específico em uma unidade escolar, se ocorrer algum caso de intolerância religiosa.

“Ocorrendo um episódio de intolerância religiosa em determinada escola, nós vamos aplicar ali como se fosse uma vacina, ou seja, vai ser aplicada uma dinâmica envolvendo debates, apresentação cultural e vídeos, para que a gente possa aumentar a consciência desses adolescentes com relação à importância do tema. Aquele que é vítima da intolerância, muitas vezes pensa em abandonar a educação”, lembrou.
O projeto foi lançado no último dia 5, no auditório do prédio anexo do Palácio Guanabara, sede do governo fluminense. Representantes de várias religiões estavam presentes. O presidente do Conselho Estadual de Promoção da Liberdade Religiosa do Rio de Janeiro (Coneplir/RJ), o babalorixá Márcio de Jagun, informou que pesquisas mostraram que o ambiente escolar é o mais hostil em termos de intolerância religiosa, seja por parte de pais, educadores e alunos.
“A intolerância religiosa não é um caso isolado. Não é um problema pontual da sociedade. Ela causa evasão escolar, causa traumas que se estendem por toda a vida de um aluno, causa problemas sociais, conturbações de várias ordens, inclusive agressões físicas e até mortes, como já foram constatadas. Dentro do leque dos direitos humanos existe um tema que ainda não ganhou visibilidade diante da importância que tem, que é justamente o da liberdade religiosa”, afirmou.
A coordenadora do Observatório Cultural das Aldeias, Cristiane Santos, espera que o projeto possibilite aos alunos receber também mais informações sobre cultura indígena, que apesar de estar prevista na legislação junto com a divulgação da cultura africana, não ocorre.
Og Sperle, da direção nacional da União Wicca do Brasil e sumo sacerdote da religião que professa o paganismo, contou que também enfrenta barreiras e falta de entendimento da sociedade. Na visão dele, a melhor forma de acabar com o preconceito é por meio da informação. “A grande preocupação da intolerância é aquela que vem meio velada, por meio do bullying”, disse, acrescentando que praticantes da sua religião são frequentemente apontados como bruxos.
“Existe um trabalho interno da comunidade pagã. Nessas coisas pequenas podem não nos ofender diretamente, porque estamos cientes da nossa fé, mas podem ofender a um irmão nosso que não esteja tão preparado psicologicamente. Então, temos que combater o pequeno bullying e a outra forma é fomentar o conhecimento da fé”. Ele disse que a religião tem atraído muitos jovens e que há falta de compreensão das famílias, que pensam que eles estão envolvidos com bruxaria.
Segundo a professora Anita Ferreira Marinho, da Superintendência de Gestão de Ensino da Secretaria de Educação e uma das idealizadoras do projeto, o melhor do trabalho é saber que vai ser incentivada a cidadania dos alunos. “Vai ser o desenvolvimento do cidadão, raciocínio cidadão, respeito ao próximo. A gente sabe que a tarefa não é fácil, é árdua, mas vislumbra muito possível, porque é um campo que está ali, fértil, e é só plantar. A gente precisa ter ações como essa para colher no futuro bons posicionamentos, olhares respeitosos”.
De acordo com Anita, a intenção foi criar um projeto sustentável que possa permanecer, a partir de agora, na grade curricular das escolas. “O projeto é feito para ações simples, para que a gente consiga tê-lo de forma permanente dentro da nossa rede, para que isso seja uma prática de professores. Esse vai ser um assunto aberto em sala de aula, que a gente sabe, muitas vezes polêmico, mas possível”, completou.
O secretário de Direitos Humanos informou que nos últimos anos os casos de intolerância religiosa no Rio se agravaram com o uso da violência. Segundo Nunes, foi desenvolvido um trabalho em conjunto com a Secretaria de Segurança, entidades do terceiro setor e integrantes de diversas matrizes religiosas. “Esse trabalho deu resultado até na área de educação - porque casos isolados ocorrem em escolas, tanto particulares quanto públicas; este ano, não recebemos nenhum tipo de denúncia como no ano passado. Entendo que, principalmente a imprensa, desenvolveu um papel fundamental que foi expor os casos de intolerância religiosa e passou o recado de que a sociedade não aceitará isso no estado”.
Márcio de Jagun disse que dados da Secretaria de Direitos Humanos mostram quase 900 casos registrados entre 2017 e 2018. Esse nível alto de notificações pode ser explicado, de acordo com ele, pelo maior esclarecimento sobre a intolerância religiosa. “As pessoas estão se acostumando a denunciar, estão entendendo que isso é crime, coisa que não acontecia. Nós vivemos 500 anos de intolerância religiosa sem que o cidadão se desse conta de que isso constitui crime, agressão à dignidade humana. Agora, isso está sendo conscientizado; então, há certa tendência, por esse motivo, que os registros aumentem”, observou.
Agência Brasil
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terça-feira, 10 de abril de 2018

Bumba Meu Boi concorrerá ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade



Considerado Patrimônio Cultural do Brasil desde 2011, o Bumba Meu Boi, expressão emblemática do Maranhão, está mais próximo de ganhar uma nova distinção: o status de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) entregou ao Ministério das Relações Exteriores a candidatura do Bumba Meu Boi para concorrer ao novo título, que é conferido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Com esse passo, a previsão é de que a decisão sobre a inclusão do Bumba Meu Boi na lista de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade seja anunciada já no começo do próximo ano. Segundo a presidente do Iphan, Kátia Bogea, a própria fundamentação documentada em forma de dossiê exigiu que os profissionais designados para a tarefa se voltassem à diversidade artística dessa manifestação.
Fazem parte do Bumba Meu Boi a brincadeira, a música, a dança e as artes cênica e plástica. A versão final do dossiê, que será enviado a Paris, acabou sendo composta por dois vídeos - um que aborda o que é o Bumba Meu Boi e outro só de depoimentos. Também foi desenvolvida uma pesquisa que detalha os elementos e reconta a história dessa arte desde os primórdios.
"Ele [o Bumba Meu Boi] estava em todos os livros de registro, envolve tudo. Desde aquele primeiro momento, a gente percebia a diversidade e a complexidade dessa manifestação. Eu tenho certeza absoluta de que, pela beleza, por tudo que o boi representa, é uma manifestação que é a cara do Brasil, um país tão diverso", disse Kátia.
Cultura popular
Somente no Maranhão, o Bumba meu boi é difundido por mais de 400 grupos, em 79 municípios. No estado, que segundo Kátia "respira" e é "totalmente contaminado" diante das primeiras notas dos instrumentos, a manifestação é dividida em cinco estilos principais, conhecidos como sotaques: Matraca, Orquestra, Zabumba, Baixada e Costa-de-mão.
"Você poderia fazer milhões de recortes no boi. O boi de Orquestra não tem nada a ver com o de Matraca, que não tem nada a ver com o Costa-de-mão. É uma diversidade tão grande, não só de coreografias, de musicalidade, religiosidade - tem os bois dos encantados, tem o boi ligado aos terreiros, tem o ligado à religião católica, o dos festejos de Minas Gerais. O boi é batizado, depois morre, ressuscita. O ano inteiro, esse ciclo do boi, que é a própria vida da gente", completou.
Segundo Kátia, que é historiadora, maranhense e funcionária do instituto há 38 anos, para o povo de seu estado natal, o boi "é uma questão muito séria, que traduz a própria vivência das pessoas". "A gente fala até em sociologia do boi, antropologia do boi." Em outros pontos do país, como na região Sudeste, por exemplo, o Bumba Meu Boi muda de nome para Boi Pintadinho. Em Santa Catarina, se chama Boi de Mamão.
Fascinado pelo Bumba Meu Boi desde os 8 anos, o servidor do Banco Central Tarquínio Costa Cardoso, participante do Meu Boi do Maracanã, do Maranhão, e Seu Teodoro, de Brasília, disse considerar "sagrada" a alegoria do animal. Cardoso, que é integrante dos grupos há mais de 30 anos, acredita que o status, se concedido pela Unesco, trará mais condições de o trabalho ser divulgado e um orçamento menos apertado para o desenvolvimento das atividades. Foi por se envolver desde pequeno com o Bumba Meu Boi que ele chegou aos 65 anos sabendo tocar pandeiro, tambor-de-onça e matraca.
Unesco
Caso o comitê responsável pela definição dê um parecer favorável, o Brasil passará a ter cinco bens reconhecidos sob a classificação, junto a Arte Kusiwa - Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajãpi (2003), o Samba de Roda no Recôncavo Baiano (2005), o Frevo: expressão artística do Carnaval de Recife (2012), o Círio de Nossa Senhora de Nazaré (2013) e a Roda de Capoeira (2014).
"É um momento muito importante para que as pessoas respeitem a cultura afrobrasileira e não torçam o nariz para ela", afirmou o presidente da Fundação Palmares, Erivaldo Oliveira da Silva, também otimista com a possibilidade de ampliação de recursos destinados ao Bumba Meu Boi.
Silva ressaltou a sensibilidade do Iphan de legitimar o valor da cultura popular ao selecionar uma expressão de matriz africana para concorrer ao título, como anteriormente feito com o samba e a capoeira. Conforme explicou Kátia Bogea, o Iphan pode submeter somente uma única candidatura por ano e a escolha teve princípio em agosto de 2011.
EBC


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segunda-feira, 9 de abril de 2018



A voz humana apresenta uma variedade de característica e entonações de impressionar.

O som produzido pelo ser humano pode se desdobrar de ruídos e tinidos a timbres que remetem às mais belas e inusitadas melodias. No interim, o choro e o grito, o riso e a gargalhada, o murmúrio e o brado, o burburinho e o bramido, a simples fala e o complexo cântico.

Com a voz podemos cuidar da comunicação oral, interagindo e compartilhando informações físicas e culturais; mas podemos também lidar com a magia do canto e suas implicações acústicas. Com a voz instrumentalizamos as pessoas para que exerçam suas atividades profissionais. 

É neste contexto que este livro se insere. Destina-se a atores, cantores, professores e trabalhadores que atuam nos meios de comunicação oral e na área de telemarketing, é certo. Mas, também, orienta-se para as pessoas comuns porque a emissão vocal integra uma das facetas de nossa identidade. 

Vamos, neste livro, empreender uma jornada de modo que possamos compreender a engenhosa linha de produção da voz. Como se origina? Do que depende? Do que se constitui? O que a enfraquece e o que a fortalece? É possível ‘educá-la’ ou este importante insumo humano já nasce ‘pronto e acabado’? Quais as vinculações existentes entre a respiração e a emissão vocal? São questões sobre as quais nos debruçaremos.

Daí a parte inicial onde é apresentado o referencial teórico, o substrato de onde emergirá um conjunto de exercícios capazes de tornar os leitores senhores absolutos de suas vozes. Não uma voz qualquer e sim uma voz qualificada. Para isso, o livro disponibiliza mais de 200 exercícios. Praticados cotidianamente, com natural habitualidade, permitirão elevar a performance da voz, alcançando o máximo desempenho. 
Mais aqui.

domingo, 8 de abril de 2018

Teatro de bonecos

1.385 exercícios teatrais: O Teatro de Bonecos Mané Beiçudo



Adquira o seu volume aqui.

Os conteúdos abordados na obra “O Teatro de Bonecos Mané Beiçudo - 1.385 exercícios e laboratórios de teatro”:

Capítulo I – as referências teóricas 1. O que é teatro? 2. O que é teatro de bonecos? 3. O que é Teatro de Bonecos Mané Beiçudo - TBMB? 4. Tipologia a. Marionete b. Fantoche c. Ventríloquo d. De sombras e. Negro. 5. Para fazer teatro de bonecos, o que é necessário? 6. O que é possível representar no teatro de bonecos? 7. História do teatro de bonecos 8. O teatro de bonecos no Brasil 9. A música no teatro de bonecos 10. A irreverência do Mane Beiçudo 

Capítulo II – O Teatro de Bonecos Mane Beiçudo 1. A fábrica de teatro popular 2. O plano político-estratégico a. A radicalização da participação e a intervenção social b. A estética do imaginário popular – o patrimônio imaterial c. Os momentos da produção: i. A Fábrica Ex-Ante O espaço-objeto O perfil dos integrantes do Núcleo Gestor – NG Mobilização dos integrantes do NG A oficina Teatro de Bonecos Mane Beiçudo Definição da questão central a ser problematizada ii. A Fábrica Ex-Cursus iii. A Fábrica Ex-Post d. A tecnologia de fabricação de bonecos i. O Teatro Mamulengo ii. O boneco de isopor iii. O boneco de jornal iv. O boneco de papier-mâché v. O boneco de cabaça vi. O boneco de bucha vii. O boneco de sucata e. Faça a sua tinta f. A tecnologia da criação e elaboração da dramaturgia i. Princípios da metodologia Quasar ii. Algumas passagens e cenas de referência 3. A estrutura cênica do Teatro de Bonecos Mane Beiçudo a. A empanada b. Os integrantes do teatro de luvas c. O teatro de rua 

Capítulo III – a manipulação: o movimento, a voz, a vida 1. Aquecimento físico, alongamento e relaxamento 2. Exercícios para os dedos, as mãos e os braços 3. A respiração 4. A voz a. Cuidados b. Os alarmes c. Fatores inibidores d. O aquecimento e. Exercícios para educar a voz f. A dicção g. Exercícios de dicção 5. Exercícios para adquirir a habilidade da improvisação 6. Como caracterizar o boneco: a identidade, a voz a. A caracterização b. A voz.
Exercícios, jogos e laboratórios
Quadro-sinopse – algumas das principais categorias e características do teatro popular Mane Beiçudo
Anexo – A fonte da eterna juventude: Cultura popular & Educação, A Commedia dell’Arte, Antonin Artaud, Bertolt Brecht, Stanislavski, Meyerhold, Grotowski
Entrevista com o autor
Referência bibliográficas

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Festival de Teatro de Curitiba chega este ano à 27ª edição, com 400 atrações



A capital paranaense sedia, até o dia 8 de abril, o Festival de Curitiba, uma das maiores atrações de artes cênicas do país. Sempre aberto a incorporações de novos formatos de espetáculo que caem no gosto do público, como a comédia stand-up, o evento tem uma programação que inclui 400 atrações, entre apresentações teatrais e musicais, debates, oficinas, encontros, lançamentos de livros, exibição de filmes e palestras.
No segmento Mostra, estão reunidos os espetáculos convidados pela curadoria oficial do evento, a exemplo do projeto A Máquina de Ser Outro, que se propõe a promover uma maior empatia e tolerância com o outro. "Como seria o mundo se pudéssemos enxergar pelos olhos dos outros?", provoca o coletivo BeAnotherLab.
Além da Mostra, o Guritiba, voltado ao público infantil e juvenil, chega à 10ª edição com mais de 32 mil espectadores, mantendo a iniciativa de distribuir vale-ingressos e trabalhar em dois terrenos: no de espetáculos abertos ao público e nas escolas, de peças exibidas gratuitamente.
Além de poder utilizar, no sistema de busca do site oficial, filtros com base em classificação etária, quem vai acompanhado da família terá diversão garantida pelo segmento MishMash, que inclui shows de mágica, malabarismo e comédia. Também participam do festival diversos comediantes.
Em sua 27ª edição, o festival, que segue com a democratização da arte entre seus principais motes, terá mais de 75 apresentações a céu aberto. A maioria integra o Fringe, uma das ramificações do festival, também exemplo dessa atenção a trocas que possam enriquecer e já bastante familiar aos curitibanos. Praças, parques, ruas da cidadania, feiras, mercadões e casas de leitura de Curitiba e região metropolitana acolherão a plateia em diversas atrações com entrada franca.
Em sua abundante variedade de temas, que vai da dramaturgia infantil a experimentações com sons utilizados em terapias alternativas, o Fringe também se propõe a atingir assuntos mais delicados, como a violência contra a mulher e o feminicídio, abordados em Espaço do Silêncio, de Nina Caetano, de Belo Horizonte.
Outra opção intrigante preparada para o público é a performance Percursos Afetivos, de Cadu Cinelli, do Rio de Janeiro. Quem quiser assistir deve chegar de bicicleta, para acompanhar uma rota escolhida pelo artista para a contação de histórias semificcionais.
Serviço
Os ingressos estão à venda pelo site www.festivaldecuritiba.com.br, pelo aplicativo Festival de Curitiba 2018 e também em bilheterias instaladas no Shopping Mueller e ParkShoppingBarigui. Os ingressos variam de gratuitos a até R$ 70. Há 384 sessões grátis e em outras 138 funciona o sistema “pague o quanto vale”, em que o público escolhe o quanto paga.
EBC


quinta-feira, 5 de abril de 2018

Combater a evasão escolar é trabalhar para um país melhor



No final de 2017, tive a oportunidade de fazer a palestra de abertura da semana acadêmica de Pedagogia de uma faculdade filantrópica de São Paulo. Lá, conheci Carla, uma estudante que me puxou para um canto no final do evento e compartilhou como era importante ela estar na faculdade. Há alguns anos atrás, Carla tinha deixado a escola e entrado na lista de evasão e abandono escolar.

Carla não estava sozinha nessa realidade, mas se tornou exceção por conseguir voltar aos estudos. Todos os anos, aproximadamente ¼ dos jovens de 15 a 17 anos não concluirá uma nova série por falta de engajamento, segundo a pesquisa “Engajamento Escolar”, da Galeria de Estudos e Avaliação de Iniciativas Públicas (GESTA). A iniciativa, liderada pela Fundação Brava e pelo Instituto Ayrton Senna, ainda aponta que a evasão e o abandono têm um custo estimado de R$130 bilhões de reais por ano – considerando perda de renda, prejuízos na atividade econômica do país, aumento do crime e violência e de questões de saúde. Alguns Estados brasileiros chegam a gastar 30% de suas receitas anuais com reprovação e abandono no Ensino Médio.
Mais pobres têm maior dificuldade de frequentar a escola
O estudo também ressalta que a probabilidade de frequentar a escola entre jovens de 15 a 17 anos é bem mais baixa em cenários de jovens de famílias chefiadas por mulheres negras analfabetas, pobres e residentes na área rural.
Ou seja, em todos os Estados brasileiros e no Distrito Federal, encontram-se muitos jovens com menos oportunidades de frequentar a escola na idade certa. Em Santa Catarina e no Paraná, por exemplo, a proporção é de que apenas 2 em cada 10 jovens com menos oportunidades frequentando o Ensino Médio entre 15 e 17 anos, enquanto 8 em 10 jovens com mais oportunidades frequentam essa mesma etapa escolar na idade correta.

Em entrevista para o jornal Valor Econômico, o diretor de educação e de competências da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), Andreas Schleicher, defendeu: “Os mais pobres não têm esse estímulo social ao aprendizado em casa, então a escola tem um papel muito importante” e complementou reforçando que não podemos mais lidar com a desigualdade na nossa sociedade somente redistribuindo o dinheiro. Precisamos mexer nas oportunidades.
Muita gente pequena, em lugares pequenos, fazendo coisas pequenas, pode mudar o mundo
Em 2013, decidi conhecer mais da realidade educacional brasileira e conhecer soluções criativas locais que possibilitam que realidades como as citadas acima sejam combatidas por meio da educação. Decidi sair da área corporativa da educação básica e iniciar o Caindo no Brasil. Viajei 5 meses de ônibus pelo país para conhecer iniciativas e educadores que trabalham para uma educação com mais significado, de maior qualidade e que garantam oportunidades para todos.
Nas mais variadas cidades que visitei, tive a oportunidade de conhecer educadores que são empreendedores de necessidade. Gente de todos os tipos que superavam desafios para que crianças, jovens e adultos tivessem educação de qualidade e inventavam soluções com os recursos disponíveis para garantir essa possibilidade. A iniciativa se concretizou no  livro Caindo no Brasil: uma viagem pela diversidade da educação e hoje é uma plataforma que apoia soluções que combatem a evasão escolar na Educação Básica.

Caio Dib

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Associação Roquette Pinto vai gerir Cinemateca Brasileira




A Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp) firmou termo de contrato com os ministérios da Cultura (MinC) e da Educação (MEC) para gerir a Cinemateca Brasileira. Com o contrato, a Acerp assumirá a gestão integral dos núcleos de Preservação, Documentação e Pesquisa, Difusão, Administração e Tecnologia da Informação da Cinemateca. A vigência do contrato é até 2021.

Na solenidade, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, explicou que, com a assinatura do contrato, a Organização Social (OS) passa a ser responsável pela gestão da Cinemateca Brasileira e, por não ser um órgão da administração pública, "tem uma série de facilidades para operar essa gestão”. Ele disse que a gestão por OS permitirá a contratação de novos funcionários e a existência de recursos de outras fontes que não o orçamento do Ministério da Cultura.
Indagado se não haveria alguma irregularidade no contrato, pois a Acert já tem um contrato com o MEC, envolvendo a TV Escola [e que, por força do Decreto 9.190, a OS não poderia ter mais de um contrato com o governo federal], o ministro afirmou que não há problema algum e que o contrato foi analisado por toda a área jurídica dos dois ministérios e também pelo Planejamento.

“O decreto não determina que só pode ter um contrato. Ele determina que só pode ter contrato com um órgão da administração pública federal. E o órgão em questão é o Ministério da Educação. Por isso, encontramos essa maneira: estamos celebrando esse contrato no âmbito do contrato que já existia entre a Acerp e o Ministério da Educação. O Ministério da Cultura entra como interveniente, e incluímos a Cinemateca nesse contrato. O que diz o decreto está plenamente preservado e respeitado e se dá na mais absoluta legalidade”, esclareceu Sá Leitão.
Ele informou que, para este ano, o valor do contrato é de R$ 9 milhões, em recursos oriundos do Ministério da Cultura. “Além dos R$ 9 milhões que o MinC está colocando para o custeio da Cinemateca, por meio do contrato de gestão, teremos um valor a ser definido, superior a esse, para o investimento na política de preservação, restauração e difusão do acervo”, acrescentou.
Com o contrato firmado nesta terça-feira, a Cinemateca, mais antiga instituição de cinema do país e responsável pela preservação do maior acervo audiovisual da América Latina, será a primeira instituição cultural a ser administrada por uma OS. De acordo com Sá Leitão, até o fim deste ano, mais três instituições culturais – um museu, o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e o Centro Técnico Audiovisual – serão administradas por organizações sociais.
O ministro adiiantou que será preservada a equipe atual da Cinemateca, formada pela coordenadora-geral, Olga Futema, mais 11 servidores públicos, três gestores do Ministério do Planejamento e 42 técnicos especializados, cujo contrato se encerraria  em abril. “Este número é suficiente, mas para um plano emergencial. Precisamos ampliar o quadro assim que for possível. O básico seria em torno de 85 técnicos”, disse Olga. Para ela, a parceria veio em boa hora. “Esse modelo vinha sendo discutido na Cinemateca desde 2008. A expectativa é grande.”
Também participou da solenidade, realizada nesta tarde  em São Paulo, o ministro da Educação, Mendonça Filho, que destacou a importância do contrato para preservar a "memória histórica" do cinema brasileiro. “Qualquer país tem que preservar seus valores culturais e sua história, e parte de nossa história é contada pelo cinema brasileiro.”
EBC


terça-feira, 3 de abril de 2018

65 anos sem Graciliano Ramos: "Ele continua atual", diz neto



O escritor e roteirista Ricardo Ramos Filho evita sair de casa no dia 20 de março. É a data da morte do avô dele, o escritor Graciliano Ramos (que morreu há 65 anos), e também da perda do pai, Ricardo Ramos (também escritor, há 26 anos).
Graciliano Ramos é autor de Vidas Secas, obra de 1938, que conta a história de retirantes nordestinos castigados pela seca. Além de romances, Graciliano também era conhecido por ser cronista, contista e político. Foi preso durante o governo Getúlio Vargas, em 1953, acusado de subversão, experiência retratada no livro Memórias do Cárcere, publicado pela viúva Heloísa Ramos.
O neto Ricardo Filho, que se tornou pesquisador da obra graciliana e da literatura infanto-juvenil, não chegou a conhecer o avô, mas as influências marcaram a vida dele desde a infância. Nessa família, o livro interligou as gerações. “Pela literatura, me aproximava do meu pai [...] me explicava a melhor forma de escrever e enxugar o texto”.
Ricardo Ramos Filho revela que Vidas Secas representa até hoje 80% dos direitos autorais que a família recebe. “Acho uma obra extraordinária”, mas diz preferir outros romances. 
Confira a entrevista:
Agência Brasil: Como pesquisador da obra de Graciliano Ramos, qual o segredo da atualidade dos livros dele?
Ricardo Ramos Filho:  O segredo é a verdade com que Graciliano escreveu, a maneira como ele enxerga o país, como retrata as pessoas. Nesse sentido, fica tudo muito atual. Infelizmente, 80 anos depois, a gente ainda encontra muitos Fabianos, Sinhás Vitória, Baleias [a cachorra], meninos mais novos, meninos mais velhos [sem nome] no nosso país.
Agência Brasil: Vidas Secas, além de aclamado, é um cânone da nossa literatura. Podemos dizer que para conhecer a alma de Graciliano é preciso ler esse livro?
Ricardo Ramos Filho: Sem dúvida. Vou dar um dado que eu tenho e nem todo mundo tem: se a gente for verificar o direito autoral da obra de Graciliano, é o livro mais relevante. Graciliano tem quatro romances [pela ordem de publicação]: CaetésSão BernardoAngústia e Vidas Secas, além de dois livros de memórias, como Infância e Memórias do Cárcere. Há livros infantis também, é uma obra muito vasta. Vidas Secas arrecada para família pelo menos 80% do total dos direitos autorais da obra dele. E todo o restante vale no máximo 20%. Vidas Secas é adotado por muitos vestibulares, o que ajuda a incentivar as vendas. Eu, particularmente, não acho que seja o mais definitivo. Nasceu da união de alguns contos. Mas não tem, para mim, como leitor, a mesma força de São Bernardo e Angústia, embora eu goste muito. Vidas Secas não foi escrito para ser romance.  Mas é um romance extraordinário. Tenho certeza de que quem entrar em contato com esse livro terá acesso ao melhor da obra de Graciliano.
Agência Brasil: Pode falar sobre as características mais relevantes, em sua opinião, nessas obras? Tanto como pesquisador quanto como neto?
Ricardo Ramos Filho: Graciliano publicou, em 1933, Caetés [o primeiro romance]; em 1934, São Bernardo, e em 1936, Angústia. São obras narradas em primeira pessoa com uma estrutura de romance. A experiência prisional fez com que ele mudasse o perfil. Quando foi solto, precisava transformar o que ele escrevia em dinheiro. Ele precisava vender. Participar de concursos para sustentar a família. Ele estava desempregado.
Agência Brasil: Apesar de não ser uma pergunta simples, poderia dizer de que forma Graciliano influenciou seu pai, e de que forma seu avô e seu pai fizeram a diferença para o senhor?
Ricardo Ramos Filho: É uma pergunta necessária. Eu não conheci meu avô. Ele morreu um ano antes de eu nascer. Graciliano influenciou mais diretamente meu pai. Quando Graciliano foi preso, meu pai, que estava em idade escolar, ficou em Maceió, e não foi para o Rio de Janeiro. Foi um contato tardio entre eles. Depois dos 14 anos, eles conversavam bastante sobre literatura. E essas conversas chegaram a mim por meu pai. Ele falava sobre o texto ter frases curtas, sem gerúndios ou adjetivos, do que seria um “um bom texto” a ser lido. Conselhos fundamentais como a ideia de que um texto precisa ser lido e relido para enxugar e retirar os excessos.

Agência Brasil: Para o senhor essa influência foi desde muito novo?
Ricardo Ramos Filho: Eu tive uma intermediação muito competente do meu pai. Muita gente me diz: “Meu filho não lê. O que eu faço?” Eu sempre repito: “Você lê?” ou “Teu filho te vê lendo?” Se o pai não lê, teu filho não vai ler. Uma coisa muito gostosa eram nossas conversas sobre as leituras que meu pai nos recomendava. A literatura foi sempre um canal de aproximação com meu pai. Ele, que não era uma pessoa tão acessível, sempre gostava de conversar sobre livros. Era um cara que trabalhava muito e chegava tarde em casa.
Agência Brasil: O senhor teve filhos?
Ricardo Ramos Filho: Não, mas meu enteado me via lendo e era interessante como ele imitava quando era bem pequeno. Até com o livro de ponta-cabeça, mas era o gesto.
Agência Brasil: E essa influência para o senhor na escrita?
Ricardo Ramos Filho: Eu cresci na minha casa no meio da ditadura. Tudo isso fez com que me colocasse criticamente em relação a tudo o que vi. Sou de 1954 e toda a minha juventude foi durante o regime militar. A gente se emocionava com tudo o que criticava a ditadura. Por isso, a obra de Graciliano fica muito atual.
Agência Brasil: E atualmente, como o senhor vê a literatura?
Ricardo Ramos Filho: O romance brasileiro tem trazido gente muito boa. Tem muita gente escrevendo romances de extrema qualidade. São tantos: Milton Hatoum, Marcelino Freire, Sheila Smanioto, Victor Heringer [morreu aos 29 anos]... Tem muita gente boa.
EBC


segunda-feira, 2 de abril de 2018

Venda de obra do MAM para criação do fundo divide opinião de órgãos de cultura



O anúncio do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro de que vai vender a pintura Nº16, do artista plástico norte-americano Jackson Pollock, dividiu opiniões de órgãos federais de Cultura. Para o Ministério da Cultura, museus têm autonomia para decidir sobre a venda de seu acervo. No entanto, o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) criticou a decisão e pediu a suspensão do processo. A obra faz parte do acervo do MAM desde 1954.
Com o dinheiro da venda, o MAM pretende criar um fundo, cujo rendimento vai garantir uma receita estável por até 30 anos à instituição. Segundo a direção do museu, o fundo permitirá o planejamento a curto, médio e longo prazos, sem depender de recursos obtidos por empresas privadas, por meio da Lei Rouanet. Com o fundo, o MAM quer ainda melhorar e atualizar as condições de suas instalações.
O presidente do museu, Carlos Alberto Chateaubriand, disse que esta é a primeira vez que o museu vai vender uma obra. A previsão é de que a tela assinada por Pollock seja adquirida por cerca de US$ 25 milhões. Ele disse que a instituição ainda não enfrente dificuldades financeiras. “Antes que a gente comece a ter realmente dificuldades é melhor tomar uma atitude para não deixar que isso aconteça. Temos várias responsabilidades com funcionários, manutenção de acervo”, disse à Agência Brasil.
Ministério da Cultura
Por meio de nota, o Ministério da Cultura disse reconhecer e valorizar a autonomia do MAM, “uma instituição privada que presta relevantes serviços à cultura brasileira, à sociedade e ao país”. O órgão acrescentou que, por isso, respeita e apoia a decisão da diretoria do espaço cultural. “A venda de obras de acervo com objetivos específicos é prática comum em museus norte-americanos e europeus e muitas vezes serve ao objetivo de garantir a sustentabilidade financeira dessas instituições”.
O MinC afirmou que no caso do MAM, “embora a obra seja de inquestionável relevância, sua venda, isoladamente, mostra-se suficiente para angariar os recursos necessários à criação de um endowment [fundo para manutenção da instituição] que assegurará a sustentabilidade do MAM-Rio”.
Para o ministério, com a opção pelo modelo de um fundo para a construção de uma base financeira mais sólida, “a instituição demonstra estar olhando para o futuro, alinhando-se com as tendências internacionais de excelência em gestão de museus”.
Com isso, no entendimento do ministério, o museu se tornará menos vulnerável a crises e menos dependente de doações e patrocínios, com maior estabilidade financeira e viabilidade operacional.
“O resultado disso, no longo prazo, será a permanência da instituição e a melhoria dos serviços que presta à arte brasileira e ao público. A venda de uma obra assegurará a conservação adequada e a exibição das 16 mil remanescentes, assim como o incremento da coleção de arte brasileira. A direção do MAM-Rio tem total apoio do Ministério da Cultura e de suas instituições”.
Ibram
Já o Instituto Brasileiro de Museus informou, também por meio de nota, que a decisão de vender a obra foi vista com surpresa pelo órgão. “Temos pleno conhecimento com relação às profundas dificuldades financeiras que se apresentam aos museus brasileiros no cenário atual e não podemos deixar de reconhecer o esforço dos gestores dessas instituições em buscar alternativas para enfrentar este momento adverso. Gostaríamos, no entanto, de ponderar que a preservação de seus acervos é objetivo primordial dos museus brasileiros e imperiosa obrigatoriedade para suas atuações”.
Segundo o Ibram, destacou que “os preceitos éticos que norteiam a gestão dos museus acolhem a possibilidade de venda de obras unicamente se a renda obtida for integralmente destinada à aquisição de outras obras, dentro de uma política de aprimoramento de acervos. No caso presente, a situação é ainda mais delicada, por tratar-se da única obra do artista no acervo do MAM Rio”.
Com este entendimento o Ibram pediu que o MAM não leve a venda a diante. “Solicitamos assim, respeitosamente, a suspensão desta decisão, para que possamos pensar de forma conjunta, em diálogo com as demais instâncias governamentais e sociedade civil, outras soluções possíveis para os desafios atualmente enfrentados pelo MAM Rio”.
MAM
O presidente do MAM informou que, somente de conta de energia, o MAM gasta quase R$ 130 mil por mês. Os gastos mensais do museu, em média, alcançam, segundo Chateaubriand, entre R$ 520 mil a R$550 mil. O MAM não conta com recursos dos governos federal ou estadual. No que se refere à Prefeitura, nunca recebeu uma contribuição sugerida pela Lei nº 1961/93.
Segundo o presidente, diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos e na Europa, onde são frequentes as doações de valores elevados para museus, e até contribuições de cidadãos comuns, no Brasil não existe esta prática e o financiamento acaba ficando a cargo de leis de renúncia fiscal, nos âmbitos federal, estadual e municipal.
O museu solicitou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autorização para continuar o processo de venda. Caso a autorização seja concedida, o MAM informa que vai disponibilizar a obra ao Ibram para que faça uma consulta aos museus brasileiros.
Se não houver interesse de nenhum deles, o MAM buscará, através de comissão a ser criada para este fim, casas internacionais de leilão com amplo histórico de credibilidade, como a Sotheby’s e a Christie's, para dar transparência a todo processo.
Iphan
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou, no entanto, que não tem competência legal para se manifestar sobre a venda da obra N° 16, uma vez que sua competência se restringe a situações de venda de bens tombados e, neste caso, nem o museu, nem seu acervo são tombados em nível federal.
“Conforme a legislação vigente no que se refere à circulação e ao comércio de obras de arte, as competências autorizativas do Iphan limitam-se ao universo dos bens protegidos em nível federal para situações de exportação temporária de bens tombados e produzidos até 1889, desde que para fins de exposições no exterior, com data definida para retorno”, completou em resposta à Agência Brasil.
Agência Brasil