sexta-feira, 2 de julho de 2021

Entenda o inequívoco papel humano na mudança climática



A comunidade científica não tem mais dúvida sobre a mudança climática causada por atividades humanas.

 

A DW explica como o estudo do clima evoluiu para o consenso científico sobre o aquecimento global.

É verdade que, dentro de sua história de 4,5 bilhões de anos, o planeta Terra experimentou eras de menor e maior calor.

Numa alternância de milhares de anos, essas mudanças foram determinadas por variações na órbita da Terra ao redor do Sol. Enquanto distâncias maiores resultaram em ciclos mais frios, a proximidade gerou eras mais quentes e interglaciais.

No final do século 20, quando cientistas começaram a observar como as temperaturas mudaram ao longo da história, eles notaram um aquecimento planetário muito mais rápido que a média, iniciado a partir dos anos 1980.

Em 1998, pesquisadores da Universidade de Massachusetts e do Laboratório de Pesquisas de Anel de Árvore da Universidade do Arizona, ambas nos Estados Unidos, publicaram um estudo mostrando a temperatura média anual global durante os últimos mil anos.

Para calcular temperaturas tão antigas, eles estudaram os chamados registros naturais – medições de núcleos de gelo, anéis de árvores e corais.

O resultado mostrou pouca variação durante muitas centenas de anos até o século 20, quando subitamente houve um aumento acentuado.

Em 2013, uma pesquisa publicada na revista Science analisou temperaturas ainda anteriores, datando de 11 mil anos atrás. A conclusão foi a mesma: o planeta aqueceu mais rápido no século passado do que em qualquer outra época desde o final da última era glacial.

O estudo também revelou que, nos últimos 2 mil anos, a Terra vem enfrentando um período de resfriamento natural em termos de sua posição em relação ao Sol.

Mas, como explica o estudo, esse resfriamento natural praticamente não foi notado devido ao aquecimento sem precedentes causado pelas emissões humanas de gases de efeito estufa.

O que as emissões de CO2 têm a ver com a mudança climática?

O efeito estufa – um processo natural que aquece a Terra – é necessário para sustentar a vida no planeta. Ele acontece quando certos gases em nossa atmosfera capturam o calor emitido pela Terra e atuam como o próprio efeito estufa do planeta. Os gases naturais que retêm o calor em nossa atmosfera, que incluem dióxido de carbono (CO2), metano e óxido nitroso, são necessários para manter a temperatura da superfície da Terra quente.

Sem o efeito estufa, a temperatura da superfície cairia 33 graus Celsius, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Isso tornaria o planeta um lugar congelado e inabitável.

Durante milhares de anos, a natureza regulou bem a concentração desses gases. Mas isso começou a mudar quando os seres humanos passaram a queimar combustíveis fósseis para criar energia, o que desencadeou um aumento acentuado das emissões não naturais de CO2. Isso interferiu no equilíbrio atmosférico do planeta e, como resultado, a Terra começou a aquecer mais rapidamente.

De acordo com o relatório da OMM sobre o Estado do Clima Global 2020, a temperatura média no ano passado foi 1,2 grau Celsius mais alta do que os níveis pré-industriais. Isso se refere ao período entre 1850-1900, quando os combustíveis fósseis não eram amplamente utilizados como meio para gerar energia.

O relatório descreveu os níveis crescentes de gases de efeito estufa na atmosfera resultantes das atividades humanas como "um dos principais motores das mudanças climáticas".

Em 2001, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) estimou que a concentração de CO2 na atmosfera havia sido de 280 partes por milhão (ppm) por vários milhares de anos antes da era industrial. Em 1999, havia aumentado para 367 ppm.

Criado como um órgão da ONU em 1988, o IPCC tem 195 países-membros e se ocupa da ciência relacionada à mudança climática. Ele atribuiu o aumento de CO2 atmosférico às emissões geradas pelo homem, três quartos delas provenientes da queima de combustíveis fósseis, e o restante da mudança no manejo da terra.

Em maio de 2021, o nível médio global de CO2 atmosférico atingiu 415 ppm. A última vez em que os níveis de CO2 haviam sido tão elevados foi há cerca de 3 milhões de anos, quando o nível do mar era cerca de 30 metros mais alto, e os humanos modernos nem sequer existiam.

O cientista climático Benjamin Cook, do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da Nasa, explica que, no final do século 20, quando os pesquisadores começaram a procurar respostas para explicar a tendência de aquecimento, eles examinaram diferentes fatores, incluindo gases de efeito estufa, energia solar, circulação oceânica e atividade vulcânica.

"Somente as emissões de gases de efeito estufa dos combustíveis fósseis e a industrialização nos deram uma previsão que se alinha com o aquecimento que estamos vendo", disse Cook à DW.

Ele afirma que a comunidade científica está tão confiante na mudança climática causada pelo homem hoje quanto na compreensão da teoria da gravidade.

"Há incertezas e nuances a serem discutidas na ciência climática", comenta Cook. "Mas a única coisa em que praticamente todo cientista concorda hoje é que o aquecimento que estamos vendo é impulsionado pela queima de combustíveis fósseis."

Por que demorou para se chegar a essa conclusão?

Uma análise amplamente discutida sobre a evolução do consenso científico sobre o aquecimento global antrópico foi publicada em 2013.

Liderado por John Cook, pesquisador do Centro de Pesquisa de Comunicação sobre Mudanças Climáticas da Universidade de Monash, na Austrália, pesquisadores americanos, britânicos e canadenses examinaram 11.944 textos relacionados ao clima publicados na literatura científica revisada por pares entre 1991 e 2011.

Menos de 1% dos trabalhos de pesquisa examinados rejeitavam a ideia da influência humana sobre o clima da Terra. Dos textos, 66,4% não expressaram nenhuma posição sobre o fator antrópico, e 32,6% o endossaram. Uma análise mais aprofundada desse último número revelou um consenso de 97,1% sobre a mudança climática causada pelo homem.

Os críticos, no entanto, atacaram as conclusões com base no fato de que o consenso de 97,1% foi derivado de menos de um terço (32,6%) de todos os artigos revisados. A maioria (66,4%), argumentaram eles, não havia expressado um ponto de vista.

O consenso científico não pode ser alcançado através de votação, mas evolui com o tempo à medida que mais pesquisas são feitas.

Um estudo mais recente conduzido por um grupo de autores internacionais confirmou que mais de 90% dos cientistas climáticos compartilham o consenso de que a mudança climática é causada pelo homem.

E uma análise de 2019 de 11.602 artigos revisados por pares sobre mudança climática publicados nos primeiros sete meses de 2019 constatou que os cientistas chegaram a um acordo de 100% sobre o aquecimento global causado pelos humanos. Essa pesquisa foi realizada por James Lawrence Powell, geólogo americano e autor de 11 livros sobre mudanças climáticas e ciência da Terra.

"Se uma teoria alternativa do que está impulsionando a mudança climática em vez de gases de efeito estufa fosse apoiada por pesquisas e evidências, tal trabalho seria inovador", diz Benjamin Cook. "Seria um estudo de nível de prêmio Nobel. Mas nós não temos ainda essa pesquisa."

A mudança climática de origem humana é endossada pelo IPCC. Já em 1995, o órgão intergovernamental disse: "O equilíbrio das evidências sugere que existe uma influência humana discernível sobre o clima global."

"Uma abordagem científica significa olhar para os dados, observações e resultados para tirar conclusões", afirma Helene Jacot Des Combes, climatologista da Universidade do Pacífico Sul, autora do IPCC e assessora do governo das Ilhas Marshall. "E tudo isso nos diz que a atual mudança climática é causada pelas atividades humanas."

Por Tatiana Kondratenko, Deutsche Welle


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quinta-feira, 1 de julho de 2021

A 16ª Olímpiada de Matemática aplica provas até 3 de agosto

 


Além de estimular o estudo da matemática no país, a competição visa identificar jovens talentosos e promover inclusão social por meio da difusão do conhecimento.

 

A aplicação dos exames já começou

As provas da primeira fase da 16ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) serão aplicadas até o próximo dia 3 de agosto pelas escolas, que deverão enviar para o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) a relação dos estudantes classificados para a segunda etapa do certame, pelo correio ou por aplicativo, até o dia 11 de agosto. A aplicação das provas começou ontem (28). Os testes são elaborados e fornecidos pelo IMPA.

O coordenador-geral da OBMEP e diretor adjunto do IMPA, Claudio Landim, lembrou, em entrevista à Agência Brasil, que uma das mudanças introduzidas na olimpíada, em razão da pandemia do novo coronavírus, foi dar às escolas mais tempo para aplicarem os exames.

 “A ideia é garantir a presença de um maior número de alunos na segunda fase. Como muitas escolas estavam fechadas e, de fato, algumas ainda não voltaram às aulas presenciais, nós permitimos que as escolas aplicassem as provas no período de um pouco mais de um mês, com a única ideia de a escola poder escolher o dia mais conveniente para aplicar a prova. E dando liberdade às escolas que ainda estão em modo virtual de aplicar o exame nesse formato”, explicou Landim.

Seleção

O coordenador salientou, no entanto, que as provas da primeira fase servem exclusivamente para a escola selecionar, internamente, 5% dos alunos inscritos em cada nível que vão participar da segunda fase e concorrerão às medalhas e prêmios.

A OBMEP acontece em duas fases. A primeira é composta por uma prova de múltipla escolha com 20 questões, e a segunda por uma prova discursiva com seis questões. Os exames são divididos por grau de escolaridade: Nível 1 (6º e 7º anos do Ensino Fundamental), Nível 2 (8º e 9º anos) e Nível 3 (Ensino Médio).

No dia 9 de setembro, a organização divulgará os classificados para a segunda fase, prevista para acontecer de forma presencial, em 6 de novembro. “Nós vamos respeitar as medidas sanitárias, com distanciamento social, vamos entregar máscaras para os alunos que tiverem esquecido de levar, para aplicar (a prova) com toda a segurança possível, mas será uma prova presencial, como de hábito, tradicionalmente”, informou Claudio Landim. Nove mil centros escolares espalhados pelo Brasil serão locais de prova da segunda fase da OBMEP, além de institutos federais e universidades.

Universitários

Outra novidade importante causada pela pandemia é o atendimento a uma solicitação dos alunos que, no ano passado, estavam no terceiro ano do ensino médio, saíram da educação básica e não tiveram a chance de participar da olimpíada, cuja edição não ocorreu em 2020. “Muitos alunos que participavam tradicionalmente da olimpíada ficaram frustrados por não terem participado no ano passado. Este ano, nós estamos admitindo esses alunos, que já estão na universidade, e vão concorrer a medalhas, sem prejudicar os estudantes que estão no ensino médio. Vai ter uma premiação especial para esses alunos que já estão na universidade”.

Serão distribuídas aos alunos participantes dos três níveis de ensino 575 medalhas de ouro, 1.725 medalhas de prata e 5.175 medalhas de bronze, além de 51.900 menções honrosas. Todos os medalhistas serão convidados a participar do Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC), como incentivo e promoção do desenvolvimento acadêmico dos estudantes. Será distribuído um número extra de medalhas para contemplar os alunos universitários.

Os resultados da segunda fase da 16ª OBMEP serão divulgados em dezembro. A premiação será em 2022, porém, ainda não tem dada definida, disse Claudio Landim. O diretor adjunto do IMPA informou ainda que não há definição também quanto à premiação da OBMEP de 2019, que deveria ter acontecido em 2020. “Ela está prevista para acontecer em outubro deste ano, mas nós vamos aguardar mais um pouco para confirmar, porque não sabemos como estará a situação do país em outubro”, comentou.

Criada pelo IMPA em 2005, a OBMEP é realizada com o apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), com recursos dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovações e da Educação. Além de estimular o estudo da matemática no país, a competição visa identificar jovens talentosos e promover inclusão social por meio da difusão do conhecimento.

Agência Brasil


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