segunda-feira, 25 de junho de 2018

Especialista descobre "primeira obra" pictórica de Da Vinci, datada de 1471

Retrato de autoria desconhecida de Leonardo Da Vinci. Wikimedia Commons

O primeiro trabalho pictórico do gênio do Renascimento Leonardo Da Vinci foi um azulejo datado em 1471 no qual está representado o Arcanjo Gabriel, anunciou nesta quinta-feira o especialista de arte Ernesto Solari, que apresentou a peça em um ato em Roma.
O professor expôs a peça "pela primeira vez ao mundo" em Roma e defendeu a autencidade, que ficou evidente em um estudo de 6 mil páginas realizado durante três anos com diferentes análises técnicas, científicas e históricas.
Trata-se de um azulejo em terracota quadrado, propriedade da nobre família Fenice da Ravello, que foi feito por um jovem Leonardo com 18 anos e meio, explicou.
Sua assinatura, "Da Vinci lionardo LDV", figura no rosto do próprio Arcanjo, parcialmente mimetizada na mandíbula.
"Esta obra é 100% de Leonardo, é a primeira", disse Solari, reputado especialista sobre a obra do gênio renascentista.
A obra, protegida em uma urna e por dois agentes de segurança, tem 20 centímetros de comprimento e largura e 1,2 centímetro de espessura e mostra o rosto, busto e a parte superior das asas de um arcanjo Gabriel de lado, coroado com uma auréola dourada.
O especialista considerou que é a obra mais antiga do gênio que chegou até nossos dias e conta com sua primeira assinatura, da esquerda para direita e coberta pela última camada de cozimento do azulejo, o que demonstra que não foi falsificada posteriormente.
Por outro lado, antecipou que "com muitíssima probabilidade é um autorretrato de Leonardo, o primeiro em absoluto", segundo a comparação com a sequência de outros retratos.
A grafóloga Ivana Rosa Bonfantinio explicou que para o estudo da assinatura foi empregada a mesma técnica que para os tribunais e destacou que, com base nos resultados, "podemos afirmar que é a primeira obra realizada e assinada por Leonardo Da Vinci, em 1471".
O professor Solari disse que o valor desta obra "não é estimável" ao ser a primeira e opinou que o Estado deveria adquiri-la para mostrá-la ao público.
EFE


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domingo, 24 de junho de 2018

Espetáculo discute a ‘bomba de estímulos' da vida contemporânea


Com texto de Victor Névoa e direção de Kiko Marques, 'Insones' estreiou em São Paulo

Faz 365 dias que eles não pregam os olhos.

Inertes sobre um longo sofá, vestindo trajes de festa, os quatro personagens de "Insones” tentam sem sucesso finalizar a conta-gem regressiva do Ano-Novo.

A cada vez que experimentam celebrar a virada, são tomados por uma distração qualquer.
Para conceber a montagem, idealizada por Névoa e pelas atrizes Fernanda Raquel e Helena Cardoso — que dividem o palco com Paulo Arcuri e Vinícius Meloni —, o grupo se baseou nos livros “'24/7 - Capitalismo Tardio e os Fins do Sono” do crítico americano Jonathan Crary, e “Sociedade do Cansaço”, do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han.

D o primeiro, comenta o dramaturgo, pinçaram o conceito de que dormir significaria profanar a liturgia do capitalismo. "Se você dorme, não consome, não produz."

É uma sociedade em que sente-se angústia por não produzir, continua Kiko Marques, diretor da montagem.

“A gente se sente obrigado a criar e a se divertir sempre.

Vivemos numa ditadura da felicidade, e criamos representações falsas de felicidade.”

Os insones do espetáculo forçam a todo momento alguma forma de diversão. Dançam, ainda que de modo mecânico e visivelmente desconfortável, brindam sem saber com quem ou por que.

Uma delas, um tanto paranoica, irrita-se com as sombras sobre o chão e a cada instante resolve aumentara luz.

Outro sente uma dor de cabeça constante e, apesar do desconforto, fala de suas noites em claro não como uma insônia comum, mas como algo potente, que o agiganta.

Uma dupla tenta discorrer sobre as coisas que “nos preenchem”, porém lhes faltam palavras. Não conseguem definir o que seriam elas e terminam em frases incompletas.

Estão juntos, mas desconectados um do outro. “É um simulacro de relações. Eles se relacionam para o que é absolutamente individual e quase utilitário”, diz Marques.

Em contraponto a isso, o cenário é bastante realista: um grande sofá, que pressupõe a comunhão entre pessoas. Mas as quatro figuras parecem ter uma cisão entre sua presença física e suas falas. “Eles estão aqui, mas seus corpos estão degringolados”, afirma Névoa.

Até quando uma personagem recebe um abraço, reage de forma apática. “Eu quase senti coisas lindas” diz ela.

Parecem se relacionar apenas em momentos violentos, como quando comentam vídeos de agressões policiais ou quando sentem um prazer estranho em bater no outro.

“Nessa tentativa de se desconectar desse mundo” afirma Névoa, “criamos nódulos e as violências vá o escapando”.

Insones

Folha de S. Paulo


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sábado, 23 de junho de 2018

Janet Jackson revela 'luta intensa' contra a depressão

Janet Jackson (Foto: REUTERS/Steve Marcus)

Janet Jackson revelou que travou uma "intensa" batalha contra a depressão durante seus 30 anos, que relacionou com um complexo de inferioridade infantil, com o racismo e com o sexismo.
Em um ensaio para a mais recente edição da "Essence", uma revista dirigida a mulheres afro-americanas, a estrela do pop de 52 anos também disse que experimentou a alegria depois de dar à luz seu primeiro filho em 2017.
Mas a cantora, que se tornou uma estrela aos 20 anos com sua mistura de hip-hop e música pop, além de suas espetaculares coreografias em suas atuações ao vivo, disse que seus 30 foram "anos difíceis".
"A luta foi intensa. Poderia analisar a origem da minha depressão eternamente", disse, segundo trechos divulgados nesta quarta-feira (20).
"A baixa autoestima poderia ter suas raízes em sentimentos de inferioridade da infância. Poderia estar relacionada com não cumprir com padrões impossivelmente altos. E, é claro, sempre existem os problemas sociais do racismo e do sexismo", disse.
"Coloque tudo junto e a depressão é uma condição tenaz e aterrorizante. Felizmente, encontrei o meu caminho para atravessá-la".
A irmã mais nova de Michael Jackson, que também lutou contra a depressão e a ansiedade, retornou com um álbum em 2015 e depois suspendeu sua turnê abruptamente.
Então deu à luz seu primeiro filho, Eissa, e pouco depois anunciou sua separação do pai da criança, seu terceiro marido, Wissam Al Mana, um magnata do Catar.
A "Essence" anunciou que Jackson comandará um festival patrocinado pela revista no mês que vem em Nova Orleans.
Também tocará em julho no Panorama Music Festival, um show em Nova York a cargo dos promotores do Coachella, principal festival da Califórnia.
AFP



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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Países do G7 pedem libertação de cineasta ucraniano preso na Rússia

O cineasta ucraniano Oleg Sentsov durante seu julgamento nesta terça-feira (21) (Foto: Sergey Pivovarov/Reuters)

Contrário à anexação da Crimeia pela Rússia em 2014, Oleg Sentsov foi condenado por 'terrorismo' e 'tráfico de armas'.
Os países do G7 afirmaram no dia 21 que estão muito preocupados com o destino do cineasta ucraniano Oleg Sentsov, preso na Rússia e em greve de fome há um mês, e pediram sua libertação em uma troca de detentos entre Moscou e Kiev.
"Estamos muito preocupados com a situação de Oleg Sentsov e outros presos e detidos na Rússia", afirmaram os embaixadores em Kiev das sete potências do G7: Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Grã-Bretanha, França e Itália.
Contrário à anexação da Crimeia pela Rússia em 2014, Oleg Sentsov foi condenado por "terrorismo" e "tráfico de armas" em um processo chamado de "stalinista" pela organização Anistia Internacional e denunciado por Kiev, União Europeia e Estados Unidos.

Greve de fome

Nesta quinta-feira, seu 38º dia sem alimentação, o cineasta de 41 anos afirmou que está disposto a morrer na prisão para exigir a libertação de "todos os prisioneiros políticos" ucranianos detidos na Rússia.
Os presidentes da Rússia e da Ucrânia, Vladimir Putin e Petro Porochenko, mencionaram recentemente a possibilidade de uma "troca de prisioneiros" entre os dois países.
Ao comentar a hipótese de um indulto reclamado por alguns defensores do cineasta, o Kremlin afirmou esta semana que o procedimento deveria ser solicitado "pelo próprio condenado".
O Conselho Europeu, assim como várias personalidades, incluindo o escritor americano Stephen King, também pediram a libertação.
G1.Globo, da AFP



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quinta-feira, 21 de junho de 2018

Benetton é criticada por campanha com imagem de refugiados

Imagem utilizada pela Benetton em nova campanha mostra refugiados sendo resgatados pela equipe da SOS Méditeranée

Em anúncio da fabricante de roupas italiana, imigrantes resgatados no Mediterrâneo aparecem com coletes vermelhos ao lado do logo "United Colors of Benetton". Foto foi tirada durante operação do navio Aquarius.

A marca de roupas italiana Benetton foi alvo de críticas devido a uma nova campanha publicitária que mostra uma fotografia de imigrantes sendo resgatados no mar. A imagem – que mostra migrantes em um bote vestindo coletes vermelhos, com o logo "United Colors of Benetton" sobre a foto – foi publicada no Twitter da empresa nesta semana.
A organização humanitária europeia SOS Méditerranée, a quem a imagem é atribuída, fez questão de repudiar a publicidade. A foto foi tirada no momento em que uma equipe do navio Aquarius, operado pela ONG, resgatava migrantes na costa da Líbia.
 "A SOS Méditerranée se dissocia completamente desta campanha, que exibe uma foto tirada enquanto nossas equipes estavam resgatando pessoas em perigo em alto mar, no dia 9 de junho", afirmou a ONG nesta terça-feira (19/06) através do Twitter.
A "dignidade dos sobreviventes deve ser respeitada em todos os momentos", disse a organização, destacando que não dá seu consentimento para qualquer uso comercial de suas imagens. "A tragédia humana em jogo no Mediterrâneo nunca deve ser usada para fins comerciais", afirmou.
O ministro do interior italiano, Matteo Salvini, também manifestou indignação: "Só eu acho que isso seja desprezível?", disse por meio de um tuíte com um link sobre o tema.
Em sua conta no Twitter, a Benetton publicou duas fotos publicitárias com migrantes: a primeira, creditada à SOS Méditerannée, e uma segunda, creditada à agência de notícias italiana ANSA.
Na semana passada, um navio operado pela SOS Méditerannée, o Aquarius, resgatou mais de 600 migrantes no Mediterrâneo. A operação provocou polêmica depois que o governo da Itália se recusou a permitir o desembarque dos migrantes, que acabaram então sendo levados para a Espanha.
O grupo italiano Benetton, que registrou em 2017 o maior prejuízo de sua história,  de 180 milhões de euros, já foi criticado no passado por suas campanhas publicitárias. Entre as mais polêmicas estão as que mostram um paciente com Aids, uma mulher negra amamentando uma criança branca e até mesmo o ex-papa Bento 16 beijando um imã egípcio.
Deutsche Welle


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