domingo, 24 de junho de 2018

Espetáculo discute a ‘bomba de estímulos' da vida contemporânea


Com texto de Victor Névoa e direção de Kiko Marques, 'Insones' estreiou em São Paulo

Faz 365 dias que eles não pregam os olhos.

Inertes sobre um longo sofá, vestindo trajes de festa, os quatro personagens de "Insones” tentam sem sucesso finalizar a conta-gem regressiva do Ano-Novo.

A cada vez que experimentam celebrar a virada, são tomados por uma distração qualquer.
Para conceber a montagem, idealizada por Névoa e pelas atrizes Fernanda Raquel e Helena Cardoso — que dividem o palco com Paulo Arcuri e Vinícius Meloni —, o grupo se baseou nos livros “'24/7 - Capitalismo Tardio e os Fins do Sono” do crítico americano Jonathan Crary, e “Sociedade do Cansaço”, do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han.

D o primeiro, comenta o dramaturgo, pinçaram o conceito de que dormir significaria profanar a liturgia do capitalismo. "Se você dorme, não consome, não produz."

É uma sociedade em que sente-se angústia por não produzir, continua Kiko Marques, diretor da montagem.

“A gente se sente obrigado a criar e a se divertir sempre.

Vivemos numa ditadura da felicidade, e criamos representações falsas de felicidade.”

Os insones do espetáculo forçam a todo momento alguma forma de diversão. Dançam, ainda que de modo mecânico e visivelmente desconfortável, brindam sem saber com quem ou por que.

Uma delas, um tanto paranoica, irrita-se com as sombras sobre o chão e a cada instante resolve aumentara luz.

Outro sente uma dor de cabeça constante e, apesar do desconforto, fala de suas noites em claro não como uma insônia comum, mas como algo potente, que o agiganta.

Uma dupla tenta discorrer sobre as coisas que “nos preenchem”, porém lhes faltam palavras. Não conseguem definir o que seriam elas e terminam em frases incompletas.

Estão juntos, mas desconectados um do outro. “É um simulacro de relações. Eles se relacionam para o que é absolutamente individual e quase utilitário”, diz Marques.

Em contraponto a isso, o cenário é bastante realista: um grande sofá, que pressupõe a comunhão entre pessoas. Mas as quatro figuras parecem ter uma cisão entre sua presença física e suas falas. “Eles estão aqui, mas seus corpos estão degringolados”, afirma Névoa.

Até quando uma personagem recebe um abraço, reage de forma apática. “Eu quase senti coisas lindas” diz ela.

Parecem se relacionar apenas em momentos violentos, como quando comentam vídeos de agressões policiais ou quando sentem um prazer estranho em bater no outro.

“Nessa tentativa de se desconectar desse mundo” afirma Névoa, “criamos nódulos e as violências vá o escapando”.

Insones

Folha de S. Paulo


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sábado, 23 de junho de 2018

Janet Jackson revela 'luta intensa' contra a depressão

Janet Jackson (Foto: REUTERS/Steve Marcus)

Janet Jackson revelou que travou uma "intensa" batalha contra a depressão durante seus 30 anos, que relacionou com um complexo de inferioridade infantil, com o racismo e com o sexismo.
Em um ensaio para a mais recente edição da "Essence", uma revista dirigida a mulheres afro-americanas, a estrela do pop de 52 anos também disse que experimentou a alegria depois de dar à luz seu primeiro filho em 2017.
Mas a cantora, que se tornou uma estrela aos 20 anos com sua mistura de hip-hop e música pop, além de suas espetaculares coreografias em suas atuações ao vivo, disse que seus 30 foram "anos difíceis".
"A luta foi intensa. Poderia analisar a origem da minha depressão eternamente", disse, segundo trechos divulgados nesta quarta-feira (20).
"A baixa autoestima poderia ter suas raízes em sentimentos de inferioridade da infância. Poderia estar relacionada com não cumprir com padrões impossivelmente altos. E, é claro, sempre existem os problemas sociais do racismo e do sexismo", disse.
"Coloque tudo junto e a depressão é uma condição tenaz e aterrorizante. Felizmente, encontrei o meu caminho para atravessá-la".
A irmã mais nova de Michael Jackson, que também lutou contra a depressão e a ansiedade, retornou com um álbum em 2015 e depois suspendeu sua turnê abruptamente.
Então deu à luz seu primeiro filho, Eissa, e pouco depois anunciou sua separação do pai da criança, seu terceiro marido, Wissam Al Mana, um magnata do Catar.
A "Essence" anunciou que Jackson comandará um festival patrocinado pela revista no mês que vem em Nova Orleans.
Também tocará em julho no Panorama Music Festival, um show em Nova York a cargo dos promotores do Coachella, principal festival da Califórnia.
AFP



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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Países do G7 pedem libertação de cineasta ucraniano preso na Rússia

O cineasta ucraniano Oleg Sentsov durante seu julgamento nesta terça-feira (21) (Foto: Sergey Pivovarov/Reuters)

Contrário à anexação da Crimeia pela Rússia em 2014, Oleg Sentsov foi condenado por 'terrorismo' e 'tráfico de armas'.
Os países do G7 afirmaram no dia 21 que estão muito preocupados com o destino do cineasta ucraniano Oleg Sentsov, preso na Rússia e em greve de fome há um mês, e pediram sua libertação em uma troca de detentos entre Moscou e Kiev.
"Estamos muito preocupados com a situação de Oleg Sentsov e outros presos e detidos na Rússia", afirmaram os embaixadores em Kiev das sete potências do G7: Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Grã-Bretanha, França e Itália.
Contrário à anexação da Crimeia pela Rússia em 2014, Oleg Sentsov foi condenado por "terrorismo" e "tráfico de armas" em um processo chamado de "stalinista" pela organização Anistia Internacional e denunciado por Kiev, União Europeia e Estados Unidos.

Greve de fome

Nesta quinta-feira, seu 38º dia sem alimentação, o cineasta de 41 anos afirmou que está disposto a morrer na prisão para exigir a libertação de "todos os prisioneiros políticos" ucranianos detidos na Rússia.
Os presidentes da Rússia e da Ucrânia, Vladimir Putin e Petro Porochenko, mencionaram recentemente a possibilidade de uma "troca de prisioneiros" entre os dois países.
Ao comentar a hipótese de um indulto reclamado por alguns defensores do cineasta, o Kremlin afirmou esta semana que o procedimento deveria ser solicitado "pelo próprio condenado".
O Conselho Europeu, assim como várias personalidades, incluindo o escritor americano Stephen King, também pediram a libertação.
G1.Globo, da AFP



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quinta-feira, 21 de junho de 2018

Benetton é criticada por campanha com imagem de refugiados

Imagem utilizada pela Benetton em nova campanha mostra refugiados sendo resgatados pela equipe da SOS Méditeranée

Em anúncio da fabricante de roupas italiana, imigrantes resgatados no Mediterrâneo aparecem com coletes vermelhos ao lado do logo "United Colors of Benetton". Foto foi tirada durante operação do navio Aquarius.

A marca de roupas italiana Benetton foi alvo de críticas devido a uma nova campanha publicitária que mostra uma fotografia de imigrantes sendo resgatados no mar. A imagem – que mostra migrantes em um bote vestindo coletes vermelhos, com o logo "United Colors of Benetton" sobre a foto – foi publicada no Twitter da empresa nesta semana.
A organização humanitária europeia SOS Méditerranée, a quem a imagem é atribuída, fez questão de repudiar a publicidade. A foto foi tirada no momento em que uma equipe do navio Aquarius, operado pela ONG, resgatava migrantes na costa da Líbia.
 "A SOS Méditerranée se dissocia completamente desta campanha, que exibe uma foto tirada enquanto nossas equipes estavam resgatando pessoas em perigo em alto mar, no dia 9 de junho", afirmou a ONG nesta terça-feira (19/06) através do Twitter.
A "dignidade dos sobreviventes deve ser respeitada em todos os momentos", disse a organização, destacando que não dá seu consentimento para qualquer uso comercial de suas imagens. "A tragédia humana em jogo no Mediterrâneo nunca deve ser usada para fins comerciais", afirmou.
O ministro do interior italiano, Matteo Salvini, também manifestou indignação: "Só eu acho que isso seja desprezível?", disse por meio de um tuíte com um link sobre o tema.
Em sua conta no Twitter, a Benetton publicou duas fotos publicitárias com migrantes: a primeira, creditada à SOS Méditerannée, e uma segunda, creditada à agência de notícias italiana ANSA.
Na semana passada, um navio operado pela SOS Méditerannée, o Aquarius, resgatou mais de 600 migrantes no Mediterrâneo. A operação provocou polêmica depois que o governo da Itália se recusou a permitir o desembarque dos migrantes, que acabaram então sendo levados para a Espanha.
O grupo italiano Benetton, que registrou em 2017 o maior prejuízo de sua história,  de 180 milhões de euros, já foi criticado no passado por suas campanhas publicitárias. Entre as mais polêmicas estão as que mostram um paciente com Aids, uma mulher negra amamentando uma criança branca e até mesmo o ex-papa Bento 16 beijando um imã egípcio.
Deutsche Welle


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quarta-feira, 20 de junho de 2018

No Iraque, Angelina Jolie pede investimentos em educação para os refugiados


A atriz americana Angelina Jolie, embaixadora especial da agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), pediu neste domingo à comunidade internacional que invista mais em educação para as pessoas refugiadas e deslocadas com o objetivo de que adquiram novas habilidades.
"Quando nem sequer existe uma ajuda mínima, as famílias dos refugiados não podem receber o tratamento médico adequado, as mulheres e as meninas são vulneráveis à violência sexual (...) desperdiçamos a oportunidade de investir nos refugiados para que possam adquirir novas habilidades", disse em uma visita ao campo de refugiados de Domiz, no norte do Iraque.
A atriz fez referência à falta de recursos econômicos da Acnur para responder aos conflitos, já que neste ano "só recebeu 17% do seu financiamento", afirmou em comunicado, além de acrescentar que isto pode causar "terríveis consequências humanas".
No entanto, forneceu uma visão otimista à situação e indicou que a "única resposta" para que não aconteça é "pôr fim aos conflitos que fazem com que as pessoas fujam de seus lares e que todos os governos cumpram com suas responsabilidades".
Além disso, Angelina apontou que ainda existe esperança, após visitar no sábado a cidade de Mossul e hoje o campo de Domiz, na região do Curdistão iraquiano, onde estão assentados um grande número de refugiados sírios que fugiram da guerra no país, que começou em 2011 e que continua hoje em dia.
"Há milhões de refugiados e pessoas deslocadas que desejam retornar aos seus lares e trabalhar e começar de novo, como ontem vi em Mossul, onde tijolo a tijolo, com as suas próprias mãos, estão reconstruindo os seus lares", indicou.
EFE/EPA/Andrew McConnell

A ofensiva em Mossul para derrotar o grupo jihadista Estado Islâmico, que terminou há quase um ano, durou quase nove meses e foi a mais sangrenta de todas as iniciadas pelas forças iraquianas apoiadas pela coalizão internacional, liderada pelos Estados Unidos.
A visita de Angelina ao Iraque coincidiu com a festa do Eid al-Fitr, a festividade que põe fim ao mês sagrado do Ramadã e que termina hoje, para celebrar o Dia Mundial dos Refugiados, que será comemorado em 20 de junho.
EFE

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