A Justiça Federal
em São Paulo decretou a indisponibilidade dos bens do empresário Wilson Sousa
Valença e de sua empresa, a W. Valença Produções Ltda. - ME. Ambos respondem a
ação de improbidade administrativa, ajuizada pelo Ministério Público Federal, por
não terem prestado contas dos Recursos Públicos captados via Lei Rouanet para a
execução de um projeto cultural em 2004. A Procuradoria pede que os réus paguem
multa de aproximadamente R$ 1,4 milhão, valor equivalente ao prejuízo
supostamente causado aos cofres públicos, em números atualizados.
A AÇÃO
As informações
foram divulgadas no site da Procuradoria em São Paulo - O número do processo é
5010960-45.2017.4.03.6100. Para consultar a tramitação, acesse
https://pje1g.trf3.jus.br/pje/ConsultaPublica/listVi ew.seam
O projeto
'Guimarães Rosa: Lugares - Em busca do quem das coisas' seria constituído por
um conjunto de ações educativas, de pesquisas e documentação e teria como
produto final um CD-ROM com informações sobre a trajetória do trabalho. Mas,
segundo a ação, 'os réus não comprovaram o emprego correto dos recursos
captados'.
Ao todo, eles
receberam R$ 379 mil na forma de doações ou patrocínios, o equivalente a 80% do
valor aprovado pelo Ministério da Cultura.
Em 2006, ante o
encerramento do prazo, o empresário foi notificado para que remetesse a
prestação de contas. A partir de então, foi intimado diversas vezes para
apresentar a devida comprovação dos gastos com o projeto, mas permaneceu
inerte. 'Ao deixar de prestar contas da gestão dos recursos federais repassados
por força do convênio com o MinC, os envolvidos afrontaram deliberadamente os
princípios da legalidade, moralidade e publicidade estampados no art. 37 da
Constituição. Omitiram-se de seu dever legal de forma dolosa, configurando
explícito ato de improbidade administrativa', destaca o procurador da República
José Roberto Pimenta, autor da ação.
Em processo perante
o Tribunal de Contas da União (TCU), os réus já foram condenados solidariamente
ao pagamento de R$1.403.043.54, com o objetivo de ressarcir os prejuízos aos
cofres públicos. Na ação, o Ministério Público Federal requer somente a
aplicação das demais sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa
(Lei 8.429/92), como o pagamento da multa, a suspensão dos direitos políticos,
a perda da função pública, se houver, e a proibição de contratar com o poder
público ou receber benefícios ou incentivos fiscais e creditícios por três
anos.
A indisponibilidade
de bens foi solicitada pela Procuradoria em caráter liminar, 'de forma a evitar
a dilapidação do patrimônio pelos réus e garantir a devolução dos valores
devidos'.
COM A PALAVRA,
WILSON SOUSA VALENÇA
A reportagem entrou
em contato com os contatos presentes no cadastro da empresa W. Valença
Produções Ltda. - ME junto à Receita Federal, mas não obteve resposta. O espaço
está aberto para manifestação.
O mundo de hoje é marcado pela profusão de imagens geradas a todo
momento pelos aparelhos celulares e pela facilidade da difusão do conteúdo
fotográfico pelas redes sociais e outras mídias contemporâneas. Nesse contexto
atual, nada é mais contrastante do que a produção de imagens com técnicas
históricas, que remontam aos primórdios da fotografia.
Mostrar que o uso de técnicas antigas pode estar a serviço da criação
contemporânea é a proposta da exposição Artesania Fotográfica –
a construção e a desconstrução da imagem, inaugurada no início da noite dessa
terça-feira (1º), no Espaço Cultural BNDES, no centro do Rio. Sob a curadoria
da pesquisadora Marcia Mello, a mostra reúne obras de sete fotógrafos
brasileiros que usam processos alternativos de impressão de imagem.
Os trabalhos selecionados pela curadora abordam temáticas recorrentes ao
universo fotográfico, como retratos, paisagens, objetos, vegetais. Os
resultados obtidos por Ailton Silva, Cris Bierrenbach, Francisco Moreira da
Costa, Mauro Fainguelernt, Ricardo Hantzschel, Roger Sassaki e Tiago Moraes
surpreendem, no entanto, pela forma transgressora com que abordam esses temas
clássicos.
Pesquisadora com larga experiência na curadoria de exposições de arte
fotográfica, Marcia Mello tem um interesse antigo pela produção de imagens no
século 19 e pela forma como a fotografia se expandiu pelo mundo, antes do
surgimento das grandes indústrias do ramo, como a Kodak. “Essa fase, pelo fato
de ser mais artesanal, foi um período muito rico, pela variedade de suportes
empregados antes do aparecimento do papel fotográfico, como o vidro e o metal”,
disse.
Por causa desse interesse, Marcia começou a formar uma pequena coleção
de fotos antigas e também foi conhecendo fotógrafos contemporâneos que
pesquisavam essas formas anteriores de produzir imagens. “E aí, tive a ideia de
reunir em uma exposição esses fotógrafos, que apesar de utilizarem técnicas
antigas têm uma estética, um olhar contemporâneo”, contou.
A exposição inclui equipamentos, instrumental e produtos químicos,
buscando trazer ao público um pouco do mundo do laboratório e do estúdio dos
fotógrafos. Também estão em exibição alguns exemplares fotográficos históricos
para uma comparação entre a produção atual e a dos séculos anteriores.
É o que a curadora chama de “alquimia da fotografia artesanal” e que,
segundo ela, funciona como um contraponto ao universo atual das imagens. “Eu
acho que o mundo digital trouxe ferramentas importantes, libertou a fotografia
de alguns dogmas. Você hoje tem ferramentas que podem transformar a imagem com
muito mais facilidade do que na era analógica. No entanto, tudo é feito por
meio da máquina. A fotografia artesanal recupera a alquimia, incorpora o erro,
que passa a fazer parte da linguagem”, comentou.
A exposição faz ainda uma homenagem à fotógrafa carioca Regina Alvarez
(1948-2007), pioneira na retomada do uso de técnicas alternativas de produção e
impressão de fotografia no Brasil nos anos 1970, com a exibição de documentos,
anotações pessoais e trabalhos de sua autoria. Artesania fotográfica – a
construção e a desconstrução da imagem fica aberta ao público até 22 de
setembro e pode ser vista de segunda a sexta, das 10 às 19h, com entrada
grátis.
O Espaço Cultural BNDES fica na Avenida Chile, 100, no centro do Rio.
Por Paulo Virgílio, da Agência
Brasil
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Amor de elefante
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Nesta peça dramática o autor apresenta - de uma forma bastante inusitada - duas personagens em busca da realização de seus sonhos. Enfatiza o caráter político dos obstáculos interpostos, vincula as barreiras artificialmente criadas ao aparelhamento do Estado por grupos de interesses, contrapõe o messianismo vigente aos valores da liberdade e da democracia, para finalizar a trama de um modo surpreendente, capturando definitivamente o leitor, conduzindo-o ao mais inesperado e sublime dos desfechos.
Operação
do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) – feita entre os dias 18 e 29 de
julho – resgatou 36 homens que trabalhavam em situação análoga à de escravos no
Mato Grosso e no Pará, segundo o Ministério do Trabalho. A operação foi
realizada por auditores-fiscais da pasta, em conjunto com a Polícia Rodoviária
Federal, Procuradoria do Trabalho e Advocacia da União.
O grupo
montou bases nas cidades de Alta Floresta e Guarantã (MT), visitou fazendas e
uma mineradora de ouro nas cidades de Altamira (PA) e Terra Nova do Norte (MT).
Segundo o
Ministério do Trabalho, o primeiro resgate foi em uma fazenda no Distrito de
Cachoeira da Serra, em Altamira, onde quatro trabalhadores atuavam sem registro
no cultivo de bananas. A 100 quilômetros dali, mais 12 trabalhadores foram
encontrados em outra propriedade do mesmo dono, também em situação de trabalho
escravo, atuando na criação de bovinos de corte.
Os 12
operários estavam em condições piores que os demais, alojados em barracos de
lona, tomando água de um riacho e sem instalações sanitárias. Os fiscais
constataram que eles eram pagos a cada dois meses, mas o empregador vendia
produtos para os empregados, gerando um endividamento que os deixava quase sem
salário a receber.
Nas duas
localidades, os trabalhadores não tinham carteira assinada. Os fiscais do
Ministério do Trabalho fizeram o resgate e o proprietário assinou um termo de
ajuste de conduta (TAC) emergencial, pagando rescisões no valor total de R$
57.718,91. Ele vai responder a ações civis públicas individuais e coletivas do
Ministério Público do Trabalho por danos morais.
O outro
grupo foi resgatado de uma mineradora de ouro, na Gleba Uru, zona rural de
Terra Nova do Norte (MT). Os auditores-fiscais encontraram 28 trabalhadores no
local, sendo que 26 estavam sem registro e 20 em condições análogas à de
escravidão. A jornada de trabalho chegava a 14 horas por dia.
O valor
total das rescisões na mineradora chegou a R$ 251.782,68, que já foram pagos
aos trabalhadores. O proprietário também pagará por danos morais. Os valores
por dano moral individual foram acertados em R$ 10 mil, R$ 7 mil e R$ 5 mil,
conforme o tempo de admissão do trabalhador. O dano moral coletivo foi fixado em
R$ 150 mil.
A atriz e diretora Jeanne Moreau,
considerada a grande dama do cinema francês, morreu nesta segunda-feira (31)
aos 89 anos de idade, informou a imprensa francesa.
A intérprete, que trabalhou com os
maiores diretores da cinematografia francesa, como François Truffaut, Louis
Malle e André Téchiné, foi encontrada morta em sua casa em Paris por sua
empregada doméstica, segundo a revista Closer.
Moreau, "a melhor atriz do
mundo", segundo Orson Welles, é a primeira mulher acadêmica de Belas Artes
na história da França, fez parte da "Nouvelle Vage" e foi musa de
diretores como Luis Buñuel, com quem trabalhou emDiário de uma Criada de Quarto.
"Essa tristeza não acabará
nunca, mas a alegria de lembrá-la sempre estará conosco", escreveu no
Twitter o Unifrance, organismo encarregado da promoção do cinema francês no
exterior.
A protagonista deUma Mulher para Dois(1962) e deA Noiva Estava de Preto(1967), de Truffaut, teve ampla
trajetória. Entre os filmes que fez, destacam-se tambémA Noite(1962), de Michelangelo Antonioni, eDuas Almas em Suplício(1960), de Peter Brook, que lhe valeu
o prêmio de melhor interpretação feminina em Cannes.
Nascida em 23 de janeiro de 1928, de
pai francês e mãe britânica, estreou no teatro em 1947 comLa terrasse de midi, apresentada no
Festival de Avignon.
Atriz poliglota e internacional, que
se destacou também como cantora, foi prêmio César de melhor atriz em 1992 porLa vieille qui marchait dans a mer, de
Laurent Heynemann, e presidente do júri de Cannes em 1975 e 1995.
Moreau presidiu também o júri da
Seção Oficial do 54º Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, em
2006, e deixa uma trajetória cinematográfica composta por mais de uma centena
de filmes.
"Com ela desaparece uma artista
que encarnou o cinema na sua complexidade, na sua memória, na sua defesa",
afirmou hoje a presidência francesa, que a lembrou como uma mulher rebelde
contra "a ordem estabelecida e a rotina".
A atriz francesa Jeanne Moreau - FotoAurellie Audureau - Arquivo Agência Lusa
A também cenógrafa, diretora de
filmes comoNo
Coração, a Chama(1976),
foi casada com Jean-Louis Richard, pai do seu filho Jérôme, e posteriormente
com William Friedkin.
A
instalação audiovisual que recria na 15ª Festa Literária lnternacional de
Paraty (Flip) a experiência-símbolo do Museu da Língua Portuguesa, que é a
Praça da Língua, tem atraído a curiosidade dos visitantes da cidade da Costa
Verde fluminense e vai ficar aberta ao público até o dia 27 de agosto. A
Flip termina amanhã (30).
“A gente
vai deixar um mês aqui para que a comunidade de Paraty possa aproveitar. A
procura é muito intensa”, disse a gerente de Patrimônio da Fundação Roberto
Marinho e uma das responsáveis pela restauração do Museu da Língua Portuguesa,
a arquiteta carioca Lúcia Basto.
Espécie de
'linguetário”, como definiu Lúcia, esse “planetário da língua” é um espaço onde
são projetadas imagens, além de áudios de clássicos da literatura e da música
brasileira. “É como se fossem telas da cultura, da poesia. É uma coisa muito
sensorial. As pessoas gostavam muito. Era o lugar que mais emocionava os
visitantes”, disse a arquiteta.
O Museu da
Língua Portuguesa, situado na Estação da Luz em São Paulo, foi destruído por um
incêndio em 2015 e se encontra em restauração. A instalação recupera áudios
originais do museu, apresentando trechos de obras de poetas como Carlos
Drummond de Andrade e músicas de compositores como Lamartine Babo, por exemplo.
Linguagem
O Museu da
Língua Portuguesa na Flip é uma iniciativa do governo do estado de São Paulo,
da Fundação Roberto Marinho, da EDP e do Grupo Globo, que são os patrocinadores
do equipamento. “Com a Flip, a gente achou importante trazer um pouco dessa
experiência para cá, para falar do museu, porque está perto dos escritores e da
população de Paraty”, disse Lúcia.
A
programação do museu na Flip ocorre na Casa de Cultura, no centro histórico da
cidade, e celebra a linguagem em várias formas de expressão, como o rap e
a dança, e vários suportes, como palestras. Para Lúcia, as atividades na Flip
são uma maneira de manter o museu vivo e em comunicação com o público, enquanto
o processo de restauração está em curso.
A
programação artística do museu na Flip ocorre no pátio da Casa da Cultura, com
grupos de Paraty. Hoje (29), se apresenta o grupo de ciranda Os Caiçaras,
seguindo-se o movimento Esquina do Rap, que promove a cultura hip
hop na cidade, e o Coral Indígena Guarani da Aldeia Itaxi, no dia 30,
formado por crianças, encerrando o evento. “É importante também trazer o
paratiense para mostrar a sua forma de linguagem dentro da cultura local”,
disse Lúcia.
Restauração
O Museu da
Língua Portuguesa está sendo reconstruído, em São Paulo, após o incêndio que o
atingiu em dezembro de 2015. Lúcia Basto disse que como se trata de um prédio
muito importante, tombado nas três instâncias (federal, estadual e municipal),
a primeira preocupação dos restauradores foi fazer uma proteção imediata. Por
isso, a primeira fase do restauro foram obras emergenciais.
Após a
captação dos recursos necessários, obtidos por meio da parceria com os grupos
Globo e EDP e a Fundação Itaú Cultural, foi iniciado o processo de restauração
das fachadas, que será concluído em outubro. O projeto da cobertura foi
desenvolvido e, em agosto próximo, a arquiteta disse que começará a execução do
telhado novo. O planejamento prevê que em 2018 as obras externas do prédio
estarão encerradas. Entre março e abril de 2018, serão iniciadas as obras
internas, de modo que em 2019 a restauração possa ser terminada e o prédio
devolvido ao público. A expectativa é que isso ocorrerá no início no segundo
semestre.
Em dez
anos de funcionamento na Estação da Luz, o museu recebeu cerca de 4 milhões de
visitantes, sendo 319 mil em ações educativas. O Museu da Língua Portuguesa é o
primeiro museu do mundo totalmente dedicado a um idioma. O equipamento trouxe
ao Brasil um conceito museográfico inovador, que alia tecnologia e educação.
Uma das
atrações da 15ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que está aberta
ao público do local até domingo (30), poderá ser conhecida posteriormente pela
população de outros estados. Depois da Flip, a exposição interativa Energia da
Língua Portuguesa, montada em um caminhão, percorrerá todas as regiões do
Brasil nos próximos dois anos. A mostra é uma ação em apoio à recuperação do
Museu da Língua Portuguesa, com sede em São Paulo, que teve seu acervo
destruído após um incêndio em 2015. O local só será reaberto ao público
em 2019.
“Achamos
que uma vez que a abertura do museu está programada somente para 2019, até lá
tínhamos que ter uma forma de envolver as pessoas nesse processo de restauração
e difundir um pouco mais a grande riqueza que o idioma português tem, a
diversidade do idioma nos vários países, os vários sotaques no Brasil. Tem uma
série de informações curiosas sobre a língua e é isso que nós estamos levando
nessa exposição itinerante”, explicou Miguel Setas, presidente da EDP Brasil,
empresa portuguesa de energia que montou a exposição.
Depois de Paraty, a exposição interativa segue para o Rio
de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. A mostra tem 300 metros quadrados e
utiliza a estrutura móvel de um caminhão. Por meio de diferentes atividades
interativas, ela permite que os visitantes conheçam mais sobre os países que
falam a língua portuguesa, as peculiaridades e diferenças do português falado
no Brasil e em Portugal e curiosidades sobre expressões comuns deste idioma,
que é considerado o quinto mais falado do mundo.
Na área interna, por exemplo, o
público pode manuesar um periscópio em que as pessoas rodam em 360 graus e
conseguem olhar para dez países onde se fala português hoje em dia. "É uma
viagem, um mergulho no português que se fala no mundo inteiro”, disse Setas. No
chão, está marcado o nome de cada país e, na parede, podem ser apreciadas fotos
e expressões curiosas de cada um deles.
Em outra instalação, o visitante pode
dublar trechos de poemas com o sotaque que escolher e compartilhar em suas
redes sociais. E um jogo dentro da exposição desafia o visitante a soletrar
palavras selecionadas aleatoriamente por uma máquina. Quem acertar, ganha um
livro. Chama a atenção também a atividade que exibe e explica o significado de
expressões utilizadas no dia-a-dia nos países lusófonos, como "Inês é
morta", "tem boi na linha", "bicho de sete cabeças",
"as paredes têm ouvidos", "a cobra vai fumar", entre
outras.
Quando sai do caminhão, o visitante é
convidado a recitar um poema e, posteriormente, essas gravações constituirão um
vídeo com a participação do público. Na área externa da exposição, são
desenvolvidas outras atividades que incluem produção de pôsteres com a citação
literária favorita do visitante, ambiente para leitura e o chamado light
painting. Por meio da técnica, os visitantes escrevem palavras no
ar com auxílio de uma luz, que são captadas em fotografias.
Nos próximos meses a exposição
seguirá para o Rio de Janeiro (4 a 6 de agosto), Cachoeiro de Itapemirim (11 a
13 de agosto), Vitória (18 a 20 de agosto), Linhares (25 a 27 de agosto), São
José dos Campos (2 de setembro), Guararema (9 de setembro) e Guarulhos (16 de
setembro).
Considerada pela revista Fast Company a empresa de
educação mais inovadora no mundo em 2016, a Babbel aproveita a 15ª Festa
Literária Internacional de Paraty (Flip), que começa hoje (26) à noite, para
perguntar a escritores convidados do evento quais livros e filmes eles
indicariam para pessoas que desejam aprender seus idiomas de origem. Companhia
internacional com sede em Berlim, a Babbel dedica-se ao ensino online de
14 idiomas,
A Babbel tem foco na linguagem, na literatura e no multiculturalismo, disse
à Agência Brasil Julie Krauniski, relações públicas da
empresa. A empresa conta com uma equipe de mais de 450 profissionais de 39
nacionalidades, sendo 15 do Brasil, onde atua há dois anos.
“Falar muitas línguas não é só uma questão acadêmica ou de habilidades.
Falar várias línguas abre uma porta para um universo diferente", afirmou
Julie. Segundo a relações públicas, tudo que é relacionado a linguagem e
a multiculturalismo interessa à Babbel. "A Flip é um festival literário
que tem tradição no Brasil e escolhe sempre escritores muito bons, do mundo
todo. Por isso, decidimos perguntar a alguns autores internacionais que livros
e filmes eles recomendariam para estrangeiros entenderem melhor o país de cada
um no idioma original.”
Brasil
Em sua estreia literária, o brasileiro Jacques Fux, natural de Belo
Horizonte, ganhou o Prêmio São Paulo de 2013 com a obra Antiterapias.
No romance mais recente, Meshugá, o tema é a loucura. Na obra, Fux
reinventa a vida e a obra de nomes como a filósofa Sarah Kofman e o cineasta
Woody Allen. Para entender o Brasil, Fux recomenda o livro K. Relato de
uma Busca, de Bernardo Kucinsky, da editora Companhia das Letras, e o
filme O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger.
Jacques Fux lembrou que o Brasil foi formado por diferentes povos e
culturas. Sua literatura explora a questão judaica e a influência do povo judeu
no Brasil. Por isso, disse Fux, é que indica o livro de Kucinsky e o filme de
Hamburger. "Tanto o livro quanto o filme abordam o período da ditadura
militar no Brasil, mas falam também do antissemitismo, da assimilação e do amor
pelo futebol, temas muito importantes e relevantes na construção política e cultural
do Brasil”, explicou o escritor.
Islândia
O autor slandês Sjón (abreviatura de Sigurjón Birgir Sigurðsson), cuja
obra é influenciada por contos de fada e pela mitologia nórdica e já foi
traduzida para mais de 30 idiomas, sugeriu o livro O Cisne, de
Guðbergur Bergsson, editado pela Rocco, e o filme é O Albino Noi,
com direção de Dagur Kári. Bergsson e Kári também são islandeses.
Ao comentar o livro, Sjón ressaltou que ele mostra "a beleza, a
crueldade e a estupidez da pequena sociedade vistas pelos olhos de uma menina
de 9 anos, que foi enviada para trabalhar numa fazenda como punição por furto.
"Guðbergur Bergsson mapeou a mentalidade islandesa melhor do que qualquer
outro autor contemporâneo”, disse Sjón. Sobre o filme, que relata a história de
uma adolescente rebelde, Noi, moradora de uma vila próxima de um fiorde da
costa oeste islandesa, Sjón afirmou: “em uma sociedade tão pequena, não é
preciso tanta rebeldia para arrumar encrenca. O diretor cria uma miniatura
incrível da Islândia moderna”.
O escritor é também compositor e um dos principais parceiros da cantora
Björk. Seu novo livro, Pela Boca da Baleia, será lançado durante a
Flip deste ano.
Angola
O rapper e ativista político Ikonoklasta, como é
conhecido no meio musical o autor angolano Luaty Beirão, publicou em 2016 o
livro Sou Eu Mais Livre, Então, um diário escrito na prisão.
Ikonoklasta foi preso por ter lido, em 2015, um livro considerado subversivo
pelo governo de José Eduardo dos Santos. O livro é considerado um testemunho da
resistência de Angola. Para Luaty Beirão, quem quiser entender seu país tem de
ler A Geração da Utopia, de Pepetela, que considera “um bom ponto
de partida para perceber a geração de angolanos que segurou o poder e se mantém
até hoje, lá amarrada. Essas pessoas destruíram o sonho comum – depredando o
que deveria ser de todos – para enriquecimento pessoal. O livro explica muita
coisa”.
O filme que ele indica, É Dreda Ser Angolano (Mambo Tipo
Documentário), dá uma breve ideia sobre a vida na capital, Luanda. “Não
chega a ser um documentário, porque inserimos pequenos e bem localizados
elementos de ficção. Por isso o chamamos de mambo tipo documentário. Ele foi
inspirado em um álbum de música do Conjunto Ngonguenha”, disse o escritor.
Suíça
Nascida na Suíça em 1975, Prisca Agustoni é poeta, tradutora e
professora. Mora no Brasil desde 2003 e dá aula de literatura comparada na
Universidade Federal de Juiz de Fora, cidade mineira onde reside atualmente.
Para entender a Suíça, ela sugere o livro L'anno della valanga, de
Giorgio Orelli, publicado pela editora Casagrande, de Bellinzona. Não há edição
em português. Prisca não recomendou nenhum filme.
Espanha
A jornalista e escritora espanhola Pilar del Río é viúva do autor
português José Saramago, que conheceu em 1986 e cuja obra traduziu para o
castelhano. Em 2016, recebeu o Prêmio Luso-Espanhol de Arte e Cultura por sua
dedicação "à defesa dos direitos humanos, à promoção da literatura
portuguesa e ao intercâmbio da cultura portuguesa, espanhola e
latino-americana". Suas oções para entender a Espanha são o livro Los
Aires Difíciles, de Almudena Grandes, e o filme La Vaquilla, de
Luis García Berlanga.
França
O escritor francês Patrick Deville foi adido e professor em Cuba, em
países da África e do Golfo Pérsico, antes de estrear na literatura em 1987.
Seu livro mais recente publicado no Brasil é Peste e Cólera. Para
entender a França, Deville recomenda o livro À la Recherche du Temps
Perdu(Em Busca do Tempo Perdido), de Marcel Proust, e o filme Vivre
Sa Vie (Viver a Vida), de Jean-Luc Godard.
Referência
O português falado no Brasil foi lançado como um dos idiomas de
referência do aplicativo Babbel em 2012 e é considerado o sexto idioma de maior
procura, informou Julie Krauniski. O Brasil é o quinto maior mercado da Babbel
no mundo e o primeiro na América Latina, correspondendo a 60% da procura pelos
cursos da empresa de educação alemã na região. Os brasileiros são os que mais
se inscrevem para aprender com a Babbel, e os cursos que eles mais buscam são
inglês, francês,alemão, italiano e espanhol.
Fundada há 10 anos na Europa, a escola tem cerca de 1 milhão de alunos
no mundo inteiro e oferece cursos de 14 idiomas: inglês, alemão, dinamarquês,
espanhol, francês, holandês, indonésio, italiano, norueguês, polonês, português
brasileiro, russo, sueco e turco.
Um dia após assumir
o Ministério da Cultura, o jornalista carioca disse ontem que vai mudar a Lei
Rouanet e traçar um novo Plano Nacional de Cultura. Ele reconheceu que a pasta
já consumiu 73% do orçamento em 2017 e contou que a ajuda do MinC ao carnaval
Ao assumir o
ministério, o senhor se licenciou ou abriu mão do cargo de diretor da Ancine?
Precisei renunciar.
Então, temos duas vagas. Para uma foi indicada a Fernanda Farah (exgerente do
BNDES). Quando as duas forem ocupadas, o presidente da República irá escolher,
entre os quatro diretores, quem preside a agência.
O senhor tem
comparado números da economia criativa com os de outros segmentos. Sendo a
cultura tão estratégica, por que recebe tão poucos recursos? Por que não
decola?
A economia criativa
brasileira já decolou, tanto que atingiu 2,5% do PIB do país, com 900 mil
empregos diretos e 250 empresas. Mas, por diversas razões, não é vista pelo
conjunto da sociedade e muitas vezes pelo poder público como uma atividade com
esse peso econômico. Uma das coisas que podemos fazer no MinC é chamar a
atenção para que mais recursos cheguem. Trata-se de fazer as pessoas enxergarem
uma realidade que está aí. Enquanto alguns setores da economia já trabalham no
limite, a economia criativa pode crescer muito.
Como será a
participação do ministério no carnaval carioca? O MinC vai botar os R$ 13
milhões que faltam para a festa?
A crise do Rio tem
impacto em todo o país. Mas, resolvidas as questões imediatas, como o estado
vai voltar a crescer para não depender mais de ajuda federal? Há duas
atividades emblemáticas: a economia criativa e o turismo. Então, criou-se um
grupo de trabalho que une vários ministérios (como Cultura, Turismo,
Esporte...), e estamos estudando ações. O investimento no carnaval se insere
nesse programa. Então, quando a prefeitura, por causa da crise, anunciou que
cortaria 50% dos recursos do carnaval, colocou em xeque a realização da festa.
Nosso interesse se justifica. Agora vamos ver de que maneira essa ajuda será
feita. Sexta vou encontrar o prefeito Marcelo Crivella para congregar esforços
de todos os governos e também das empresas privadas, e assim viabilizar o
carnaval. Se vai ser com recursos orçamentários, incentivados, de onde, vamos
ver.
Falando em
recursos, no seu discurso de posse, o senhor reconheceu que é essencial
recompor o orçamento do MinC. Mas como, se o próprio governo havia prometido
(no ano passado) um aumento de 40% e, em vez disso, contingenciou 43% da verba?
Houve
contingenciamento em todos os últimos anos. Não foi novidade. Mas o fato de
termos esse orçamento que está aí (na prática, são R$ 412 milhões descontadas
despesas fixas obrigatórias, folha de pagamento etc.) nos obriga a ver onde se
pode cortar e o que se deve priorizar. Sobretudo em custeio. O MinC fez parte de
processo de hipertrofia do estado brasileiro. Aumentou seus gastos, mas isso
não resultou necessariamente em benefícios para a sociedade. Está na hora de
rever o tamanho do estado brasileiro. Aumentar verba nem pensar? Primeiro
precisamos fazer um diagnóstico profundo para ver onde cortar, otimizar, tornar
o ministério mais eficaz. A gente consegue fazer mais coisas com menos dinheiro
se souber qualificar gastos. Se, ao fim, concluirmos que é não é possível, o
presidente se mostrou sensível a ajudar.
Noticiou-se que o
MinC não teria recursos para ir além de agosto. Qual é a real situação da
pasta?
Com o
contingenciamento decretado em março, nos foram disponibilizados R$ 412 milhões
para todo o ano de 2017. No fim deste mês atingiremos 73% desse total. Há uma
estimativa de que, nas condições atuais, seriam necessários mais R$ 239 milhões
para fazer frente a todas as atividades do ministério no ano. Primeiro, é
preciso fazer esses ajustes. Aí, veremos.
O que o senhor
pensa da Lei Rouanet? Está satisfeito com as instruções normativas postas em
prática pela gestão anterior?
A lei tem um
histórico de bons serviços prestados. Mas também tem problemas pelo modo como
foi utilizada e por erros em sua gestão. Proponho um processo muito rápido de
revisão da lei para introduzir mecanismos novos, mais contemporâneos. Desde o
início dos anos 1990, quando ela foi criada, outros modelos surgiram em outros
países. Cito como exemplos os endowments, fundos patrimoniais permanentes, que
são o principal meio pelo qual museus, centros culturais, companhias de teatro
e dança etc. se mantêm em caráter permanente nos EUA e na Europa. E vamos
introduzir o crowdfunding, para promover o financiamento coletivo de projetos
culturais, aproximando oferta e demanda e dando legitimidade social aos
projetos financiados. Já existe mecanismo na lei para pessoas físicas, mas ele
não é usado com frequência. Podemos estimular o crowdfunding, permitindo que
pessoas físicas usem o imposto de renda a pagar para isso. Também devemos usar
outros fundos de investimento. Já a instrução normativa... no geral parece
positiva, porque traz alguns avanços, mas a operação dela já mostrou problemas.
Vamos rever essa instrução. E, por fim, vamos rever toda a burocracia, que
prejudica empresas e artistas e estimula a concentração. Vamos procurar o TCU
para falar disso. E quero criar uma área de atendimento, uma espécie de SAC com
orientações para usuários (proponentes de projetos) e informações transparentes
para a sociedade.
Já tem planos para
a Funarte?
Num primeiro
momento, é priorizar a recuperação dos equipamentos culturais geridos por ela:
obras como a da Biblioteca Nacional e do Palácio Capanema seguirão. E também
olhar o fomento. Ver o que se pode fazer neste ano e o que se pode planejar
para o ano que vem.
E para a lei do
direito autoral?
Ainda estou vendo.
Tenho acompanhado as discussões à distância. Minha posição é que o MinC deve
ser um árbitro dos diversos pontos. Dialogar com os agentes interessados e
buscar o consenso, mas preservando os artistas.
O senhor falou que
quer elaborar um novo Plano Nacional de Cultura. Dá tempo até o fim desta
gestão? Precisa?
O primeiro Plano
Nacional de Cultura já tem uma década. É natural. Gosto muito do formato de
Plano de Diretrizes e Metas. Menos conceito e mais meta, para que se possa
mensurar. A capacidade de investimento do estado brasileiro vai aumentar nos
próximos anos e é preciso que exista um conjunto de planos para esse momento.
Estamos a uma
semana da votação da denúncia contra o presidente. Se ela passar e o senhor
tiver que sair, o que pretende fazer?
Acho que nenhum
profissional responsável de cultura poderia recusar essa tarefa,
independentemente do contexto politico e econômico do país. Espero ter 17 meses
de trabalho. Estou focado nisso. Se acontecer algo que impeça isso, faz parte.
Volto à iniciativa privada.
Ainda que ninguém tenha visto um
diplodoco ou um tiranossauro rex, existe um consenso sobre o aspecto que essas
criaturas tinham há milhões de anos. Um imaginário coletivo que aprofunda suas
raízes na paleoarte, uma vertente pouco conhecida e, em algumas ocasiões,
esquecida.
A paleoarte, apesar do que o nome
sugere, não tem nada a ver com os desenhos rupestres. Trata-se de visões
modernas do que foi o mundo há milhões de anos. Uma arte que combina o
conhecimento científico com grandes doses de criatividade e imaginação.
Uma viagem através da história desse
estilo, desde a sua criação, em 1830, até 1990, é o que proporciona o livro
"Paleoarte. Visões do passado pré-histórico" (Taschen), assinado pela
escritora Zoë Lescaze e pelo pintor Walton Ford.
O livro inclui cerca de 200
reproduções de obras de arte - pinturas, gravuras, desenhos, esculturas,
mosaicos e murais - resgatadas de arquivos, coleções particulares e dos
principais museus de História Natural do mundo.
O cientista inglês Henry de la Beche
pintou em 1830 a primeira peça de paleoarte, "Duria Antiquitor", uma
aquarela com pouco mais de 30 centímetros de largura, "violenta e
fantástica, um canto à selvageria primordial representada com delicadas
pinceladas de cor marrom, azul, verde e rosa", escreve Lescaze.
De la Beche se baseou em evidências
fósseis e na sua imaginação para dar forma a animais que ninguém tinha visto
antes e desde então artistas de todo o mundo "recriaram dinossauros,
mamutes, homens das cavernas e outras criaturas, conformando nossa compreensão
do passado primitivo".
Imagens de pterodáctilos,
gorgossauros e massospondylus que com frequência lutam até a morte, testemunho
imaginário da extrema dureza da vida pré-histórica, reproduzidas a tinta,
gravuras, pintura a óleo, azulejos e cerâmica vitrificada.
Os primeiros artistas se inspiraram
em uma longa tradição de invenção de monstros, evocando dragões, esfinges,
hidras e harpias, e a paleoarte evoluiu influenciada pelas tendências de cada
época: o romantismo, o impressionismo, o fauvismo e a art nouveau.
Obras que costumam ser encontradas em
museus de história natural e universidades, mas que foram usadas em livros
didáticos, enciclopédias, revistas científicas, figurinhas em barras de
chocolate e livros infantis, criando um imaginário coletivo que chegou até o
cinema.
A paleoarte se desenvolveu com nomes
como Benjamin Waterhouse Hawkins, que mostrou a pré-história ao público
vitoriano com suas grandes esculturas, o americano Charles R. Knight e o alemão
Heinrich Hader, que com sua inspiração na art nouveau tirou o estilo dos
ambientes científicos para levá-lo ao seu auge.
A obra mais conhecida talvez seja o
colossal afresco "A idade dos répteis" (1943), de Rudolph Zallinger,
encomendada para renovar a galeria de fósseis do Museu Peabody (EUA), que
retrata a pré-história desde o período Devoniano até o Cretáceo, quase 300
milhões de anos.
Uma arte que viveu outro dos seus
momentos de glória com o regime soviético, cujos trabalhos estão entre os mais
espetaculares já produzidos, especialmente "A árvore da vida" (1984),
de Alexander Mikhailovich Belashov, um mosaico colossal que abrange o tempo
geológico e está repleto de animais.
Lescaze e Ford também destacam no livro
um dos grandes nomes da paleoarte, a norte-americana Ely Kish, que na segunda
metade do século passado tornou famosos seus animais tentando sobreviver e
morrendo em um mundo ameaçado pelas condições climáticas extremas.
"Este livro - resume Ford - é uma
máquina do tempo com dois pontos de chegada, como em uma dessas histórias em
quadrinhos de ficção científica que tanto gostava quando era menino. Ele nos
permite voltar alguns anos para observar o aspecto que os tempos remotos tinham
no passado".
A 15ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que começa nesta quarta-feira (26) e vai até domingo (30), homenageará o escritor carioca Afonso Henriques de Lima Barreto, nascido em 13 de maio de 1881 e morto aos 41 anos em 1º de novembro de 1922. A edição de 2017 também se destaca por ser a primeira em que o número de escritores convidados do sexo masculino é igual ao número de escritoras.
A curadora do evento, Joselia Aguiar, conta que a homenagem a Lima Barreto estava, há alguns anos, nos planos da organização. “Lima Barreto já estava nos planos da Flip há algum tempo”, disse. Embora seu nome tenha sido citado no final de 2013 entre os prováveis homenageados, as edições seguintes da festa destacaram Millor Fernandes, Mário de Andrade e Ana Cristina Cesar.
“Era realmente o momento de trazer Lima Barreto, até porque o país e o mundo têm discutido bastante a questão racial. Era uma forma de contribuir para essas discussões”. Joselia esclareceu que embora essa questão tenha destaque na obra de Barreto, a Flip vai destacar toda a potencialidade do autor. "É uma feira com muita literatura em todos os gêneros que ele [Lima Barreto] exerceu. Tem uma pluralidade muito grande de autores e a ideia é trazer diálogos e debates novos, para que as pessoas tenham na Flip um estímulo para conhecer autores, livros e ficar um pouco mais a par de discussões contemporâneas”.
Lima Barreto perdeu a mãe, Amália Augusta, que era uma escrava liberta e professora, aos seis anos de idade. O pai, o tipógrafo João Henriques, tomou conta do menino e de outros três filhos mas, poucos anos depois, foi diagnosticado como neurastênico, ficando recolhido pelo resto da vida. A doença do pai fez Lima Barreto abandonar os estudos na Escola Politécnica para sustentar a família. Em 1903, iniciou vasta colaboração com a imprensa, publicando artigos e crônicas em jornais como o Correio da Manhã e o Jornal do Commercio.
Na revista Floreal, que fundou com amigos, iniciou a publicação do folhetim Recordações do Escrivão Isaías Caminha, que foi publicado em livro em 1909. Em 1911, publica, no Jornal do Commercio, Triste Fim de Policarpo Quaresma, que é editado em livro em 1915. Barreto pagou a edição com recursos próprios.
O alcoolismo e a depressão o levaram a ser internado pela primeira vez, em 1914. Seu estado de saúde piorou e ele se aposentou por invalidez em 1918, na Secretaria de Guerra, para onde havia feito concurso em 1903. No ano seguinte, publica o romance Vida e Morte de M.J. Gonzaga de Sá. Em 1921, tenta o ingresso, pela terceira vez, na Academia Brasileira de Letras, e desiste antes da votação.
O escritor foi homenageado no carnaval carioca de 1982 pela Escola de Samba Unidos da Tijuca, com o samba-enredo "Lima Barreto, mulato pobre mas livre".
Paridade
A edição da Flip deste ano é a primeira em que há paridade de gênero entre os convidados: são 23 autores do sexo feminino e 23 do sexo masculino. A curadora Joselia Aguiar lembra que até 2013, não se questionava a participação reduzida de mulheres na Flip. “Isso não era uma questão”.
A partir de 2014, com o projeto '#readwomen2014 (#leiamulheres2014) da escritora inglesa Joanna Walsh, esse cenário começou a mudar. “Existem eventos na Colômbia, na Espanha, nos Estados Unidos que têm mais mulheres na programação, por uma visão de que há muita coisa nova para ser mostrada, há muitas novas vozes e possibilidades para serem mostradas”, comentou Joselia.
Joselia chama a atenção também para a participação de autores negros, que também aumentou. “São 30% de autores negros. Eu diria que os mais estrelados são eles”, observou. Dentre os representantes negros se destacam Marlon James, da Jamaica; Scholastique Mukasonga, de Ruanda; e os brasileiros Lázaro Ramos e Conceição Evaristo.
Mesas literárias
O número de mesas literárias também aumentou nesta edição da Flip. “Tem mais literatura desta vez, porque nos últimos anos, a Flip tinha mesas com outros temas, outras áreas do conhecimento”, comentou Joselia.
Existe também maior integração com outras formas de expressões artísticas. Muitos autores se conectam com outras artes, como o teatro, por exemplo. A abertura da Flip terá direção de cena de Felipe Hirsch e falará de Lima Barreto, com participação do ator e escritor Lázaro Ramos e da historiadora e antropóloga brasileira Lilia Schwarcz.
O show de abertura terá apresentação do pianista, compositor e arranjador brasileiro André Mehmari. A festa terá uma série intitulada Fruto Estranho, com intervenções poéticas e performáticas antes do início das mesas literárias. "Tem autores que também fazem letras de música, tem rapper que é ativista político", disse Joselia.
Novidades
Por decisão do diretor-geral da Flip, Mauro Munhoz, e da equipe de arquitetura e design da festa, a programação principal do evento ocorrerá na Igreja da Matriz, considerada patrimônio histórico nacional. Antes, ela ocupava a Tenda dos Autores. No redesenho da Flip 2017, a intenção é possibilitar que mais pessoas possam assistir de graça as apresentações. Para isso, foram instalados, no entorno da Praça da Matriz, 700 lugares cobertos para os visitantes.
Na Flipinha – com programação voltada ao público infantojuvenil, os autores convidados farão atividades lúdicas com estudantes. Os pequenos leitores terão encontros com escritores e ilustradores na Casa da Cultura Câmara Torres. Na Praça da Matriz, as árvores vão se transformar em “pés de livros”, exibindo obras literárias que ficam à disposição dos leitores mirins enquanto durante a festa. Da Central Flipinha, que é um espaço de encontro de crianças e jovens com os autores da Flip, sairão vários cortejos literários.
A Flip deste ano também será transmitida ao vivo pela internet. “É uma forma de acompanhar as discussões, conhecer os autores”. .
Praça da Língua
Outro ponto de destaque na programação da Flip 2017 é a Praça da Língua. A reconstrução do Museu da Língua Portuguesa, inaugurado em 2006 na Estação da Luz em São Paulo, e destruído por um incêndio em 2015, é tema de celebração na Casa de Cultura de Paraty. Ali, haverá uma instalação audiovisual que recria a experiência considerada símbolo do museu, que é a Praça da Língua. “Acho que vai ser um momento importante também”, disse Joselia.
“É uma Flip que tem mais lusofonia, no sentido de que vai ter mais autores de língua portuguesa, de Angola, de Portugal, e vai ser um momento importantíssimo de se conhecer a língua portuguesa, a história da língua, de ter uma apreensão da língua portuguesa”.
Iniciativa do governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, o Museu da Língua Portuguesa foi concebido e realizado em parceria com a Fundação Roberto Marinho. As atividades relativas ao museu são gratuitas e abertas ao público em geral. A mesa de abertura da exposição Praça da Língua será no dia 28, às 11h. A exposição vai além do período da Flip e ficará aberta ao público até 27 de agosto.