quarta-feira, 8 de novembro de 2017

MPF denuncia suspeitos de usar verba da Lei Rouanet para pagar casamento em Jurerê Internacional e outras festas particulares


O Ministério Público Federal em São Paulo (MPF/SP) denunciou 32 pessoas por desvios de cerca de R$ 21 milhões em recursos públicos do Ministério da Cultura (Minc), obtidos por meio da Lei Rouanet, mas que não foram aplicados conforme a lei. A Operação Boca-Livre - deflagrada pelo MPF, pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Federal em 2016 - concluiu que parte do dinheiro foi desviada pelo grupo Bellini Cultural, com conhecimento das empresas doadoras, para eventos privados, como shows e publicações corporativas, e, inclusive, para o casamento de um dos sócios do grupo em Jurerê Internacional, em Florianópolis.
Segundo o MPF, a investigação começou em 2011, quando o órgão recebeu uma denúncia anônima, apontando fraudes cometidas pelo grupo Bellini Cultural, dirigido por Antonio Carlos Bellini Amorim, que afirmava que sua empresa era a quinta maior arrecadadora de recursos do Ministério da Cultura. Os fatos foram comunicados para o Minc, que, em 2011, tinha um passivo de 88% das prestações de contas de projetos culturais pendentes, segundo o TCU.
Em 2013, a CGU exigiu que o Ministério da Cultura fiscalizasse os projetos e o Minc bloqueou repasses para duas empresas do grupo Bellini, que passou então a diversificar a apresentação dos projetos, para burlar a fiscalização, terceirizando-os entre empresas de funcionários e emitindo notas frias por meio de empresas de funcionários ou laranjas, por exemplo.
As fraudes do grupo Bellini, conforme o MPF, dividiam-se em cinco modalidades: superfaturamento; elaboração de serviços e produtos fictícios; duplicação de projetos; utilização de terceiros como proponentes e contrapartidas ilícitas às empresas patrocinadoras. Enquanto isso, os desvios aumentavam e dinheiro de projetos culturais foram usados para o casamento de um dos filhos de Bellini, Felipe, na praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis.
Contrapartidas ilegais
As contrapartidas ilícitas consistiam na publicação de livros corporativos, para serem dados de brindes para empresas parceiras e clientes, quando os projetos afirmavam que os livros seriam distribuídos gratuitamente e apenas uma pequena parte seria entregue às empresas; na realização de shows privados de fim de ano com artistas renomados e na devolução de dinheiro à empresa patrocinadora.
Por esses crimes, diretores do grupo e colaboradores estão sendo acusados pelo MPF por organização criminosa, estelionato contra a União e falsidade ideológica.
Em todos os projetos do grupo Bellini Cultural investigados, o MPF entendeu que diretores das empresas patrocinadoras concorreram para a prática de estelionato contra a União, uma vez que as empresas, conforme a Lei Rouanet, por terem doado dinheiro para os projetos culturais, tiveram abatimento do seu Imposto de Renda. Ao receberem a contrapartida indevida, lucravam triplamente, pois, além da redução no Imposto de Renda, realizam seus eventos corporativos, de fato, com dinheiro público, e ainda divulgavam suas marcas para clientes.
Enquanto isso, cidades de interior e periferias das grandes cidades ficavam privadas de atividades culturais e bibliotecas públicas não recebiam os livros que supostamente deveriam receber. O máximo que recebiam eram o que os diretores da Bellini classificavam de "contrapartida social", a apresentação de uma orquestra, geralmente de dia, no mesmo local em que seria realizado o show corporativo à noite, ou uma pequena fração dos livros, distribuídos de forma completamente aleatória. Ou seja, a Lei Rouanet era desvirtuada pela Bellini e pelas empresas patrocinadoras.
A denúncia do MPF, de autoria da procuradora da República Karen Kahn, está sendo apreciada pela 3ª Vara Federal de São Paulo, que determinou a realização da Operação Boca-Livre, em junho do ano passado, realizada após quatro meses de interceptação telefônica, que comprovou o que as autoridades investigavam. A maioria dos acusados admitem os crimes, mas, em sua defesa, afirmam que as contrapartidas ilegais eram práticas comuns do mercado cultural.

Diário Catarinense




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A arte de escrever bem


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Os desafios do dia a dia exigem intensa troca de mensagens, seja nas redes sociais, seja nas corporativas: relacionamentos pessoais, correio eletrônico, elaboração de projetos e relatórios, participação em concursos e processos seletivos, negociações empresariais, tratados corporativos, convenções políticas, projetos literários... Tarefas que se tornam triviais, textos que se tornam mais adequados e elegantes quando as técnicas para a elaboração da redação criativa se encontram sob inteiro domínio. E não é só. Escrever está umbilicalmente vinculado à qualidade de vida, à saúde, ao bem-estar.
É o que comprova estudo realizado pela Universidade de Auckland, na Nova Zelândia. Os pesquisadores chegaram à conclusão que a prática da escrita atua na redução dos hormônios vinculados ao estresse, melhora o sistema imunológico, auxilia na recuperação do equilíbrio físico e emocional.  
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terça-feira, 7 de novembro de 2017

Bob Dylan visita misteriosa fase cristã com lançamento de "Trouble No More"

EFE/Domenech Castelló
A fase cristã de Bob Dylan, um dos períodos mais misteriosos e peculiares de toda sua carreira, marca o novo lançamento de raridades e canções inéditas "Trouble No More", o volume número 13 de sua aclamada "The Bootleg Series".
Uma centena de músicas, incluindo canções inéditas, demos, ensaios e gravações ao vivo, compõem um gigantesco pacote de oito discos, além de um DVD que mergulha na sua obra entre 1979 e 1981, quando Dylan se converteu ao cristianismo e levou sua fé para os palcos com a convicção e o entusiasmo de um verdadeiro pregador.
Os fãs e estudiosos de Dylan, autênticos especialistas em decifrar e explorar cada centímetro da sua trajetória, costumam falar dos anos cristãos do músico quando comentam sobre os álbuns "Slow Train Coming" (1979), "Saved" (1980) e "Shot of Love" (1981).
Depois de se estabelecer nos anos 1960 como um símbolo do folk e da música de protesto e, mais tarde, provocar uma comoção ao eletrificar seu som, se aproximando do rock, a década de 1970 de Dylan oscilou entre notáveis escorregões e alguns trabalhos soberbos como "Blood on the Tracks" (1975) ou "Desire" (1976).
No entanto, Dylan deixou praticamente todos seus fãs boquiabertos ao lançar, em 1979, "Slow Train Coming", um disco onde o músico de origem judaica manifestava de coração aberto sua conversão ao cristianismo e onde a fé era o incrível motor narrativo de todas as canções.
Este inesperado movimento criativo e espiritual não foi, no entanto, muito bem recebido.
"Fiquei um pouco decepcionado. Queria escutar rock and roll e escutei Bob Dylan cantando gospel. Não vim aqui para escutar sermões, (para isso) poderia ter ido à igreja", diz um dos seus contrariados fãs no documentário "Trouble No More", que faz parte deste novo lançamento do músico.
A verdade é que o gospel e o blues se filtraram no rock intenso proposto por Dylan naqueles anos, em que seus poderosos concertos eram tingidos de misticismo com temas que falavam diretamente, sem rodeios ou metáforas rebuscadas, da fé, salvação, pecado, redenção, tentações e encontros com Deus.
Assim, "Trouble No More" apresenta novos cortes ou interpretações diferentes de músicas como "Gotta Serve Somebody", "When You Gonna Wake Up?" e "Precious Angel" que não destoariam em uma missa com ares de rock.
Também contém 14 músicas inéditas, embora algumas tivessem uma distribuição informal entre seus fãs, como "Ain't Gonna Go to Hell for Anybody" e "Jesus is the One".
Um dos aspectos mais difíceis de "Trouble No More" é o documentário homônimo dirigido por Jennifer Lebeau e que intercala imagens inéditas de shows em 1980, com fragmentos registrados recentemente com o ator Michael Shannon, que se coloca no lugar de um padre em plena homilia para apresentar o contexto religioso de Bob Dylan naquela época.
No entanto, o que mais chama a atenção do DVD ao vivo é a enorme devoção e ardor espiritual de Dylan sobre o palco, completamente comprometido com sua nova fé cristã e cercado por uma banda irrepreensível e um coro feminino, numa clara referência ao gospel, para tentar divulgar o evangelho através do rock.
"Trouble No More" estará à venda a partir do dia 3 de novembro e, além da edição completa de oito discos mais o DVD, também estará disponível através de uma versão mais modesta e acessível de apenas dois álbuns.

EFE



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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Unicef: violência mata uma criança ou um adolescente a cada 7 minutos


A cada 7 minutos uma criança ou um adolescente, entre 10 e 19 anos de idade, morre em algum lugar do mundo, vítima de homicídio ou de alguma forma de conflito armado ou violência coletiva. Somente em 2015, a violência vitimou mais de 82 mil meninos e meninas nessa faixa etária. Os dados são do relatório Um Rosto Familiar: A Violência na Vida de Crianças e Adolescentes, lançado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
A América Latina e o Caribe têm os mais altos índices de homicídios. Em 2015, dos 51,3 mil homicídios de meninas e meninos de 10 a 19 anos – não relacionados a conflitos armados –, mais da metade, 24,5 mil, aconteceram nessa região. “Esses números se mostram desproporcionais considerando que tal conjunto de países abriga pouco menos de 10% da população nessa faixa etária”, diz o Unicef.
A região da América Latina e do Caribe tem uma taxa de homicídios de adolescentes entre 10 e 19 anos (22,1 homicídios para cada 100 mil adolescentes) quatro vezes maior do que a média global. Os cinco países com as maiores taxas estão todos na América Latina: Venezuela, com uma taxa de 96,7 mortes para cada 100 mil, seguida pela Colômbia (70,7), por El Salvador (65,5), por Honduras (64,9) e pelo Brasil (59).
Vários fatores individuais são vinculados a um aumento do risco de homicídio, incluindo a raça. No Brasil, em 2014, a taxa de homicídios entre adolescentes homens negros foi quase três vezes maior que entre os brancos. Segundo o relatório, entretanto, esses adolescentes tendem a viver em comunidades com níveis mais elevados de homicídio, com desigualdade social e de renda, disponibilidade de armas, presença de tráfico de drogas, uso generalizado de drogas e álcool, falta de oportunidades de emprego e com desorganização e segregação urbana.
A região mais segura do mundo para um adolescente é a Europa Ocidental com 0,4 morte para cada 100 mil.
O documento do Unicef traz uma análise detalhada das mais diversas formas de violência sofridas por crianças e adolescentes em todo o mundo: violência disciplinar e violência doméstica na primeira infância; violência na escola – incluindo bullying; violência sexual; e mortes violentas de crianças e adolescentes.
Segundo o relatório, todas as formas de violência vivenciadas por meninas e meninos, independentemente da natureza ou gravidade do ato, são prejudiciais. “Além da dor e do sofrimento que causa, a violência mina o senso de autoestima das crianças e dos adolescentes e impede seu desenvolvimento. A impunidade dos autores e a exposição prolongada à violência podem fazer com que as vítimas acreditem que a violência é normal. Dessa forma, a violência é velada, dificultando sua prevenção e sua superação”, diz.
Primeira infância
Para o representante do Unicef no Brasil, Florence Bauer, é preciso interromper a violência, começando pelo castigo corporal na primeira infância, que atinge todas as classes sociais. Aproximadamente 300 milhões de crianças de 2 a 4 anos de idade em todo o mundo (três em cada quatro) sofrem, regularmente, disciplina violenta por parte de seus cuidadores; 250 milhões (cerca de seis em cada dez) são punidas com castigos físicos.
"Os homicídios muitas vezes são só a última etapa em um ciclo de violência a que crianças e adolescentes estão expostos desde a primeira infância. O relatório nos diz que a maioria dos homicídios contra adolescentes não acontece em países que estão em conflito, como Síria, mas nos países da América Latina e do Caribe, e o Brasil encontra-se entre aqueles com as taxas mais alta de homicídios de adolescentes do mundo", aponta o representante da Unicef em nota.
O Brasil é citado no relatório como um dos 60 países que têm uma legislação que proíbe o castigo físico. A Lei da Palmada (Lei nº 13.010/2014), também conhecida como Lei Menino Bernardo, foi aprovada em 2014 no país. Apenas 9% das crianças com menos de 5 anos em todo o mundo vivem nesses países, o que deixa outros 607 milhões sem uma proteção legal contra esse tipo de violência.
Em todo o mundo, 1,5 bilhão de cuidadores (mais de um em cada quatro) dizem que o castigo físico é necessário para criar ou educar adequadamente as crianças. Uma em cada quatro crianças menores de 5 anos – 177 milhões – vive com uma mãe vítima de violência doméstica.
Conflitos armados
O relatório também faz uma análise sobre mortes de adolescentes em decorrência de violência coletiva ou conflitos armados. Além de morrer no fogo cruzado, os adolescentes desses locais vivem o risco de trauma psicológico ou emocional de ser recrutado ou usado por forças ou grupos armados.
Em 2015, foram cerca de 31 mil mortes de crianças e adolescentes de 10 a 19 anos nesse tipo de contexto de violência. Enquanto 6% das crianças e adolescentes de 10 a 19 anos do mundo vivem no Oriente Médio e Norte da África, as duas regiões concentram 70% das mortes nessa faixa etária.
Violência nas escolas
Uma vez que as crianças entram na escola, amizades e interações com colegas assumem um papel cada vez mais importante em suas vidas. Esses relacionamentos têm o potencial de contribuir para o bem-estar e capacidade de socialização de uma criança mas também estão associados à exposição a novas formas de vitimização.
A metade da população de crianças em idade escolar – 732 milhões – vive em países onde o castigo corporal na escola não está totalmente proibido. Além disso, em todo o mundo, cerca de 130 milhões (mais de um em cada três) estudantes entre 13 e 15 anos sofrem bullying regularmente. No Brasil, 43% de meninos e meninas do 6º ano (11 e 12 anos) disseram que sofreram bullying nos últimos meses. Segundo relatório, e eles foram roubados, insultados, ameaçados, agredidos fisicamente ou maltratados.
Os ataques armados às escolas estão incluídos como uma das seis violações graves condenadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Em 2016, foram registrados aproximadamente 500 ataques ou ameaças de violência contra escolas em 18 países ou áreas ao redor do mundo. Nos últimos 25 anos, 59 tiroteios, que deixaram pelo menos uma pessoa morta, foram registrados em 14 países. A maioria desses incidentes, 43 deles, aconteceram nos Estados Unidos.
Violência sexual
A violência sexual contra crianças ocorre em países de todos os níveis de desenvolvimento e renda e pode afetar crianças de todas as idades e em diferentes contextos. Ambos, os meninos e as meninas, podem ser alvo de violência sexual, mas as meninas, geralmente, estão em maior risco.
De acordo com o relatório do Unicef, em todo o mundo, cerca de 15 milhões de adolescentes meninas, de 15 a 19 anos, foram vítimas de relações sexuais ou outros atos sexuais forçados; 9 milhões delas foram vítimas no último ano.
Dados de 28 países indicam que 90% das adolescentes vítimas disseram que o autor da primeira violação era alguém próximo ou conhecido. E apenas 1% das que sofreram violência sexual disseram que buscaram ajuda profissional.
Recomendações
De acordo com o relatório, a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável reconhece a erradicação da violência contra crianças e adolescentes como componente-chave do desenvolvimento sustentável. Os principais fatores que contribuem para que essa violência aconteça incluem desigualdades econômicas e sociais agudas, normas sociais e culturais que toleram a violência, falta de políticas e legislação adequadas, serviços insuficientes para as vítimas e investimentos limitados para prevenir e responder à violência.
Para superar esse quadro, o Unicef  insta os governos a que tomem medidas urgentes, como fortalecer os marcos legais e políticos, melhorar os serviços de atenção às vítimas e estabelecer planos nacionais para reduzir a violência contra as crianças e os adolescentes.
“Também é preciso mudar os padrões que perpetuam a violência e reduzir comportamentos violentos, isso inclui desenvolver a capacidade de pais e cuidadores para resolver conflitos familiares sem o uso de violência, e promover a não violência entre crianças e adolescentes”, diz o Unicef.
O fundo também ressalta a importância de se limitar o acesso a armas de fogo e outras armas.
Um resumo do relatório está disponível em português na página do Unicef - https://www.unicef.org/brazil/pt/EVAC_SummaryBrochure_Portugues_Final.pdf .

Da Agência Brasil


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domingo, 5 de novembro de 2017

Brasília, João Pessoa e Paraty são eleitas para rede de cidades criativas


Mais três cidades brasileiras foram escolhidas para integrar a Rede de Cidades Criativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A rede foi criada em 2004 para promover a cooperação entre municípios de todo o mundo que tratem a criatividade como fator estratégico de desenvolvimento urbano sustentável.

As localidades brasileiras que passam a fazer parte da rede são Brasília, em reconhecimento ao design hoje desenvolvido na capital federal; João Pessoa (PB), pela qualidade de seu artesanato e manifestações artísticas populares, e Paraty (RJ), em função da gastronomia criativa.
Mais 61 localidades de 44 países receberam terça-feira (31) o título de cidades criativas. Com isso, a rede da Unesco passa a contar com um total de 180 municípios, de 72 países, distribuídos por sete categorias: artesanato/artes populares; artes digitais; desenho; cinema; gastronomia; literatura e música.
Cinco cidades brasileiras já faziam parte da rede: Belém (PA) e Florianópolis (SC), na categoria gastronomia; Curitiba (PR), em design; Salvador (BA), música, e Santos (SP), na modalidade cinema.
Ao anunciar as 64 novas integrantes da rede, a diretora-geral da Unesco, a búlgara Irina Bokova, comentou que as novas incorporações demonstram que a rede tem procurado reconhecer e reunir os esforços de cidades bastante diferentes entre si. “Também demonstram melhor equilíbrio geográfico, já que acabam de ser escolhidas 19 cidades de países que ainda não estavam representados na rede”, disse a diretora, lembrando que a Unesco estimulou cidades de países africanos a se candidatar.
Ao ingressar na rede, as cidades assumem o compromisso de desenvolver e trocar experiências inovadoras de promoção à indústria criativa e de participação popular nas práticas e atividades culturais. Além disso, ações de estímulo e preservação das manifestações culturais locais devem integrar as políticas de desenvolvimento urbano sustentável.
Repercussões
O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, comemorou a inclusão de Brasília como uma conquista obtida, coincidentemente, no ano que marca os 30 anos do reconhecimento do Plano Piloto da capital federal como Patrimônio Cultural da Humanidade. Concebido pelo arquiteto e urbanista Lúcio Costa, o projeto é considerado um marco do urbanismo contemporâneo e levou Brasília a ser tombada pela Unesco.
“Vamos aproveitar esse novo título para incrementar ainda mais Brasília como cidade cultural, criativa, turística”, disse Rollemberg. A candidatura da capital na categoria design havia sido lançada no início de junho deste ano, mas a proposta de integrar a rede da Unesco já constava de um plano de desenvolvimento do turismo criativo apresentado pela secretaria estadual de Esporte, Turismo e Lazer no início do ano passado e que contém ações públicas a serem desenvolvidas até 2019.
A prefeitura de João Pessoa anunciou que a integração da capital paraibana à Rede de Cidades Criativas dará mais visibilidade, credibilidade e mercado para diversas associações de artesãos que fazem da arte que produzem com as próprias mãos uma alternativa de sustento e de manutenção da cultura popular.
Ao inscrever a cidade para fazer parte da rede de cooperação internacional, a prefeitura elaborou um dossiê que incluía uma carta assinada pelo prefeito Luciano Cartaxo, que se comprometeu a apoiar, nos próximos anos, as atividades do segmento de artesanato e cultura popular.
“Esse era um sonho nosso antigo. João Pessoa vive um momento muito especial de premiações e receber esse título nos enche de orgulho e motivação para continuar investindo muito na cultura popular, no artesanato e, principalmente, nos artesãos, nos artistas”, declarou o prefeito.
Para a secretária de Cultura de Paraty, Cristina Maseda, o título será muito importante para a pequena cidade histórica do litoral sul fluminense. “Isso coloca Paraty na rede internacional de cidades criativas e estimula o setor gastronômico, do produtor até a mesa, possibilitando o incremento de geração de emprego e renda”.

Da Agência Brasil


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