sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Países ocidentais pedem cessar-fogo em Aleppo, na Síria


Seis países, entre eles, Estados Unidos e França, pediram nesta quarta-feira (7) um cessar-fogo imediato diante da catástrofe humanitária em Aleppo, na Síria. As potências também fizeram um apelo à Rússia e ao Irã para que usem sua influência junto ao regime sírio para obter uma trégua. 
Em uma declaração conjunta publicada pelas presidências da França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos, os países afirmam que a "urgência absoluta é um cessar-fogo imediato para permitir às Nações Unidas a entrega da ajuda humanitária às populações do leste de Aleppo, e socorrer as pessoas que fugiram".
"Condenamos as ações do regime sírio e de seus aliados estrangeiros, principalmente a Rússia, por obstruírem a ajuda humanitária; condenamos severamente os ataques do regime sírio que devastaram instalações médicas e civis, assim como a utilização de barris explosivos e armas químicas", diz o comunicado, que se une à demanda dos rebeldes sírios de um cessar-fogo imediato de cinco dias para a retirada dos civis, expulsos da Cidade Antiga pelo regime.
Os signatários também exigem que a Síria respeite o direito internacional humanitário, inclusive as Convenções de Genebra, e pedem às Nações Unidas que investiguem os fatos. O comunicado termina com uma frase que já foi repetida dezenas de vezes desde o começo do conflito, em 2011: "Somente uma solução política pode trazer a paz para as pessoas na Síria".
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, reiterou seu apelo pelo cessar-fogo. julgando desoladora a situação da população civil de Aleppo.
Da Rádio França Internacional

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O livro  “Amor e ódio: não esqueçamos de Aylan Kurdi” 

A peça teatral “Amor e ódio: não esqueçamos de Aylan Kurdi” é um tríler que retrata a atual crise migratória no continente europeu.

O embate das civilizações - a histórica rivalidade entre os extremistas que utilizam o radicalismo religioso para destilar ódio e intolerância, a busca dos fundamentalistas pela hegemoniado pensamento - compõe o substrato em que se desenvolve a trama.

O Estado Islâmico decide promover, na Alemanha, o ato terrorista que ficaria marcado, na história da humanidade, como o maior e mais aterrador de todos os já perpetrados no planeta. 

Contextualizando a filosofia e a geopolítica, a história e as ciências sociais, as políticas de estado e o planejamento estratégico, as personagens movimentam-se provocando, desafiando o leitor a mergulhar fundo na reflexão sobre os mais caros valores à cultura cristã-ocidental: a democracia e a liberdade, a justiça e aos direitos individuais.

Três mulheres homossexuais protagonizam tensas e intensas discussões sobre este traumático universo onde imperam - por maiores que tenham sido os avanços na política – a cólera, o ódio, a intransigência, o sectarismo, a desmedida violência e o fanatismo.

Mulás, imãs, califas, aiatolás, fundamentalismo islâmico de um lado; do outro, as experiências autoritárias no ocidente como o nazismo e o comunismo, a KGB e a Stasi, estruturando o cenário que alimenta a besta-fera da violência, embasa o fortalecimento do nacionalismo, o fechamento das fronteiras, a construção de muros, o desprezo pela cultura do ‘outro’, pelas referências do ‘estranho’, o desdém para com a dor e o suplício por que passam os refugiados e excluídos.

Os terroristas do EI planejam explodir seis bombas nucleares em Berlim, pulverizando a Alemanha e destruindo toda a Europa central. Conseguirão levar a cabo o plano terrífico? Nesta ambientação são sopesados os debates sobre a beleza e a fealdade, o ódio e o amor, o autoritarismo e a democracia, a sexualidade e as liberdades individuais, o fundamentalismo islâmico e os direitos civis.

Kazal al-Atassi - a poeta que teve os membros amputados e o corpo desfigurado por atentados terroristas sofridos na Síria – e sua ex-companheira, Manal al-Atassi, cuja descomunal beleza hipnotiza e encanta, são suspeitas de integrar a brigada terrorista do Estado Islâmico. Anna Decker, a oficial da inteligência militar encarregada de desvendar a sórdida trama. Bismarck Adenauer, ex agente da Stasi, a agência de inteligência da antiga República Democrática Alemã. E mais os personagens saídos das sombras da CIA e da KGB, do Mossad e das agências russa e chinesa..
Mergulhe, caro leitor, neste tríler que – ao denunciar a mais grave crise migratório desde a 2ª Grande Guerra - interage, de maneira vibrante e perturbadora, a realidade e a ficção. 

O livro integra a Coleção Quasar K+: 
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Corpo de Ferreira Gullar é enterrado no mausoléu da ABL


Ao som dos versos que escreveu para a composição O Trenzinho do Caipira, de Heitor Villa-Lobos, cantados à capela por amigos e parentes, o corpo do escritor Ferreira Gullar foi sepultado no mausoléu da Academia Brasileira de Letras (ABL) na tarde do dia 5, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro.
Em cerimônia simples e rápida, as últimas palavras de homenagem foram do jornalista e professor de cultura brasileira Leonel Kaz, que relembrou as conversas quase que cotidianas que manteve com o poeta nos últimos quatro anos. Kaz editou o livro A Revelação do Avesso — Colagens em Relevo de Ferreira Gullar, publicação artesanal que traz obras tridimensionais em metal do poeta.
“O Gullar dizia sempre que nós somos o imaginário daquilo que imaginamos que nós somos. E cada país tem um imaginário daquilo que imagina que é. E o Gullar era realidade, era ilusão e era imaginário de si mesmo, com uma força tão impressionante. O que impressionava no cotidiano com ele era a vida e a defesa das ideias. A vida é uma invenção e ele deve ter sido uma invenção de si mesmo, de uma forma completamente autêntica e que nos agarrava com tanta intensidade amorosa”, disse Kaz antes de encerrar a homenagem com a leitura do poema Uma Pedra É uma Pedra.
O poeta morreu no domingo (4) no Hospital Copa d’Or, na zona sul do Rio, aos 86 anos, devido a complicações de insuficiência respiratória. Ele era membro da Academia Brasileira de Letras desde 2014. No velório, que ocorreu desde as 11h na ABL, as últimas palavras foram do presidente Domício Proença Filho, que destacou a autenticidade da linguagem, da arte e da vida de Gullar.
“Ele nos deixa várias lições de autenticidade, de quem era fiel a seus princípios e a suas ideias, com a capacidade rara de reformulá-las diante do imperativo da mudança. Ele nos deixa a lembrança do alegre entusiasmo de sua presença assídua nesta casa, onde devia ter ingressado há muito mais tempo. Gullar, o levaremos sempre no nosso coração. Enquanto houver poesia e arte, muitos falarão de você, dos seus feitos, de sua coragem. E desse dizer, sabemos todos, é que se nutre a imortalidade.”
Mausoléu da ABL
Em um recanto da colina onde se encontra o Cemitério São João Batista, o Mausoléu da Academia Brasileira de Letras fica num nível acima do terreno, de onde é possível observar todo o cemitério e a Favela de Santa Marta ao fundo, por trás do bairro de Botafogo.
Lá, estão enterrados mais de 70 imortais, inclusive o fundador Machado de Assis. O mausoléu é uma construção simples e sem destaque entre as diversas sepulturas de mármore e granito nos estilos eclético, neoclássico, neogótico, art decó até o modernista, além de esculturas. A estrutura é revestida internamente por quartzito, conhecido também como pedra de Pirenópolis ou de São Tomé.
Na entrada, fica a sepultura de Machado de Assis e de sua esposa, Carolina, único espaço com granito. Por causa de um desejo dele, que queria ser sepultado perto de Carolina, todas as companheiras e companheiros dos imortais também têm o direito de serem enterrados no mausoléu.
As sepulturas são simples, com revestimento também de quartzito, e é possível ver a marca de letras mais antigas sobre elas, trocadas com a chegada de novos imortais ao recanto. Com o passar dos anos, os corpos mais antigos são transferidos para sepulturas verticais ao fundo do mausoléu.
Importância cultural de Ferreira Gullart
A secretária de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, Eva Doris Rosental, destacou, em nota divulgada na tarde de hoje, a importância de Ferreira Gullar para a cultura do país. “Gullar não foi apenas o maior poeta de sua geração, mas alguém cuja biografia vigorosa se confunde com a própria obra que produziu. Foi um artista singular, que agiu até a morte com a mesma intensidade e dignidade que marcaram sua vida artística e política. Ativo até o fim, fará imensa falta à vida cultural brasileira, mas certamente deixará um exemplo de coerência e vigor a inspirar muitos jovens a fazer arte na essência, com verdade e compromisso ”, afirmou a secretária.
Por Akemi Nitahara, da Agência Brasil

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Para aproveitar o seu tempo  


Para aproveitar o seu tempo, selecionamos títulos para os mais variados públicos - de crianças a amantes de literatura.

Divirta-se a valer e recarregue as baterias. Não deixe de colocar a leitura em dia, cuide de manter atualizada a sua biblioteca e – jamais se esqueça, o bom presente é aquele que ensina uma lição e dura para sempre; por isso, habitue-se a adquirir livros também para presentear.

Veja a seguir as nossas sugestões de leitura. Basta clicar no título desejado e você será levado ao site com mais informações:

1) Coleção Educação, Teatro e Folclore
Dez volumes abordando 19 lendas do folclore brasileiro.



2) Coleção infantil
Dez volumes abordando temas variados do universo infanto-juvenil.



3) Coleção Educação, Teatro e Democracia
Quatro volumes abordando temas como democracia, ética e cidadania.



4) Coleção Educação, Teatro e História
Quatro volumes abordando temas como independência e cultura indígena.



5) Coleção Teatro greco-romano
Quatro volumes abordando as mais belas lendas da mitologia greco-romana.



6) O maior dramaturgo russo de todos os tempos: Nicolai Gogol – O inspetor Geral



7) O maior dramaturgo da literatura universal: Shakespeare – Medida por medida



8) Amor de elefante



9) Santa Dica de Goiás



10) Gravata Vermelha



11) Prestes e Lampião



12) Estrela vermelha: à sombra de Maiakovski



13) Amor e ódio



14) O juiz, a comédia



15) Planejamento estratégico Quasar K+



16) Tiradentes, o mazombo – 20 contos dramáticos



17) As 100 mais belas fábulas da humanidade



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AS OBRAS DO AUTOR QUE O LEITOR ENCONTRA NAS LIVRARIAS amazon.com.br: 

A – LIVROS INFANTO-JUVENIS: 

I – Coleção Educação, Teatro e Folclore (peças teatrais infanto-juvenis): 

II – Coleção Infantil (peças teatrais infanto-juvenis): 
Livro 8. Como é bom ser diferente 

III – Coleção Educação, Teatro e Democracia (peças teatrais infanto-juvenis): 

IV – Coleção Educação, Teatro e História (peças teatrais juvenis): 

V – Coleção Teatro Greco-romano (peças teatrais infanto-juvenis): 

B - TEORIA TEATRAL, DRAMATURGIA E OUTROS
VI – ThM-Theater Movement: 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Gullar



Não conheci pessoalmente o poeta Ferreira Gullar. Mas sempre nutri por seu trabalho e por suas posições, firmes e claras, forte admiração. Estive, há muitos anos, no lançamento de uma coletânea de seus textos, reunidos sob o título Toda poesia. Fiquei de longe. Havia muita gente na ocasião e resolvi ser um a menos a perturbá- lo com tietagens e não pedi autógrafo. Não me arrependo.
A mim, Gullar sempre pareceu ser confiável. Percebi, desde logo, que havia em seus múltiplos trabalhos como escritor e crítico uma coerência linear, que faz com que você conheça na intimidade o verdadeiro criador. É raro encontrar no vasto mundo das artes talentos que possuam a coragem genuína de expor com franqueza e sem enfeites sua personalidade. O que se vê com frequência são artistas deslumbrados com o próprio umbigo, vaidosos e cheios de estereótipos sobre o mundo ao redor.
À guisa de explicação, é preciso deixar esclarecido que tomar o autor pelo trabalho exposto é uma das grandes ilusões das plateias mundo afora, principalmente quando se descobre que autor e obra são dois seres antípodas. A desilusão é ainda maior quando se descobre que, por trás de uma obra-prima qualquer, pode estar um ser mesquinho e cheios das mais baixas veleidades humanas. Ou mesmo o oposto: obras cáusticas com um ser angelical a compondo. Muitos chegam a duvidar que determinada obra seja de um autor, tal a discrepância entre ambos.
A filosofia distingue bem ética de estética. Neste sentido, é possível entender por que alguns grandes artistas, criadores de verdadeiras obras-primas, sejam, na intimidade, seres humanos desprezíveis, capazes de atitudes e baixezas impensáveis. A prudência ensina a não confundir criador e criatura.
Ferreira Gullar tinha esse quê raro de sinceridade. Seus textos e sua pessoa estavam ali, derramados em tinta preta sobre a folha branca. Talvez venha daí a sua enorme aceitação pública. Quando ainda havia a esquerda, como matiz ideológico e pessoal, Gullar se posicionou, não como defensor cego das orientações do Partidão, mas no sentido de que acreditava, com sinceridade, na redenção do ser humano e sua libertação do capitalismo selvagem e predador.
Por sua vivência e liberdade de pensar, desde logo identificou nos governos petistas uma fantasia que levaria o país à ruína moral e econômica. No poema 'Não há vagas', de 1963, Ferreira Gullar traz para o lirismo dos versos, a realidade do brasileiro comum desde sempre:
'O preço do feijão/não cabe no poema. O preço do arroz/não cabe no poema./Não cabem no poema o gás, a luz o telefone, a sonegação, do leite, da carne, do açúcar, do pão./O funcionário público/não cabe no poema/com seu salário de fome/sua vida fechada/em arquivos./Como não cabe no poema o operário/ que esmerila seu dia de aço/e carvão/nas oficinas escuras/– porque o poema, senhores,/está fechado:/'não há vagas'/Só cabe no poema/ o homem sem estômago/ a mulher de nuvens/ a fruta sem preço/ O poema,/senhores,/ não fede/nem cheira.'
A franqueza de sua prosa afastou-o da maioria dos políticos atuais, principalmente os populistas e demagogos. Talvez tenha sido essa a razão por que muitos deles preferiram ir assistir aos funerais do ditador Castro, na longínqua Cuba — um homem a quem é debitado milhares de mortes — do que ver descer a terra um dos maiores poetas da atualidade. Melhor assim para a biografia de Gullar.
A frase que foi pronunciada
'A arte existe porque a vida não basta.' Ferreira Gullar

Ari Cunha, no Correio Braziliense
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Para saber mais sobre o livro, clique aqui.
O livro contém o texto original de Nicolai Gogol, a peça teatral “O inspetor Geral”. E mais um ensaio e 20 artigos discorrendo sobre a realidade brasileira à luz da magnífica obra literária do grande escritor russo. Dessa forma, a Constituição brasileira, os princípios da administração, as referências conceituais da accountability pública, da fiscalização e do controle - conteúdos que embasam a política e o exercício da cidadania – atuam como substrato para o defrontar entre o Brasil atual e a Rússia dos idos de 1.800. 

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A Constituição e os supersalários


O mais escandaloso com relação aos supersalários do funcionalismo público não é apenas o número daqueles que acintosamente desrespeitam o teto de vencimentos estabelecido pela Constituição, hoje fixado em R$ 33.763. É, também, como mostram os últimos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, o fato de que uma maioria expressiva desses privilegiados se concentra no Judiciário - o Poder encarregado de aplicar a Constituição e garantir a segurança do direito.
Segundo os dados da Rais de 2015, o maior número de servidores com supersalários está nos Tribunais de Justiça (TJs), onde 3.041 servidores judiciais receberam mais do que o teto. O recorde foi batido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Além de concentrar o maior número de supersalários de serventuários de todos os TJs do País, a Corte só tem 1, entre seus 861 juizes e desembargadores, recebendo dentro do teto. Até a filha do ministro Luiz Fux, a desembargadora Marianna Fux, que está apenas há sete meses na magistratura, desde o segundo mês na carreira ganha acima do teto, sob a justificativa de que tem direito a receber “indenizações” que não são contabilizadas como vencimentos.
Entre os benefícios concedidos aos magistrados e senadores da Corte destacam-se auxíliomoradia, auxílio-creche e auxílio-refeição. Benefícios semelhantes também são pagos a juizes, promotores e defensores públicos em todos os Estados - há pouco, por exemplo, o Ministério Público de Sergipe decidiu pagar auxílio-alimentação a todos seus promotores e procuradores retroativo a 2004, sob a justificativa de dar a eles o mesmo tratamento que o TJ sergipano dá a seus magistrados.
Os dados da Rais de 2015 revelam que em segundo e terceiro lugares, depois dos Tribunais de Justiça, estavam os Executivos federal e estaduais, com 2,5 mil funcionários recebendo supersalários. Em sua maioria são chefes de departamento do serviço público, auditores fiscais e agentes de saúde e procuradores. Em número menor do que nos Executivos federal e estaduais, o Legislativo também tem funcionários recebendo mais do que o permitido. Na Assembleia Legislativa do Pará, quatro servidores administrativos receberam entre R$ 114 mil e R$ 118 mil mensais, em 2015. No Senado, dez senadores foram beneficiados com supersalários, no ano passado. Desse total, nove são das unidades mais pobres da Federação e alegam que, por terem sido governadores, têm direito adquirido a aposentadorias “especiais”.
Alguns afirmam que, por terem se aposentado antes da Constituição de 88, não podem ser alcançados por ela em matéria salarial. “Minha pensão está respaldada pela Constituição de 1967. A Carta de 88 mudou a regra, mas a perda do direito não retroage”, diz o senador José Agripi-110, ex-governador do Rio Grande do Norte. Em 2009, o Tribunal de Contas da União publicou um acórdão exigindo que o Congresso respeitasse o teto do funcionalismo. Mas o Senado ignorou o acórdão, alegando que não há condições técnicas de instituir um teto nacional, uma vez que a União, Estados e municípios têm orçamentos e folhas de pagamento independentes, preservando os supersalários dos senadores.
Os beneficiários de supersalários que não são magistrados ou parlamentares ocupam cargos superiores nos Três Poderes, o que lhes permite fazer lobby para continuar recebendo vantagens indevidas, desrespeitando a Constituição. São ganhos flagrantemente ilícitos, que deixam claro como a elite da burocracia estatal usa suas prerrogativas para barganhar vantagens. “Receber salários superiores ao teto constitucional não é exatamente Corrupção, mas é tão ilegal quanto”, afirma o professor de Direito Administrativo da USP Floriano de Azevedo Marques, depois de lembrar que no total, em 2015,13 mil servidores públicos de diferentes poderes e instâncias se encontravam nessa situação.

O Estado de S. Paulo

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O homem que ajudou a mudar a história da humanidade


17 de fevereiro de 1.600 é uma data fatídica. Neste dia, um herege foi executado no Campo das Flores, em Roma. Giordano Bruno foi aprisionado, torturado e, após dois julgamentos, condenado a morrer na fogueira do Santo Ofício. Seu crime? Acreditar na ideia de que o universo é infinito, de que ao redor de cada estrela gravitam planetas, e na concepção de que cada planeta irradia vida.

Ex monge dominicano, nos oito anos em que padeceu na prisão se submeteu a todo tipo de violência e opressão para que se retratasse, renegando suas convicções. O brutalizaram em vão. A congregação católica não logrou o êxito que obteria, poucos anos depois, com Galileu Galilei. Este, para não morrer na fogueira, teve que, de joelhos, abjurar toda a sua consistente obra científica e filosófica.

A ortodoxia da Igreja Católica de então concebia a terra como um planeta único no universo, resultado da intervenção direta de Deus. Um axioma que – em hipótese alguma – poderia ser questionado.

Mas, Giordano Bruno descortinou, antes da invenção do telescópio, a infinitude do universo. E que na imensidão do cosmos, existia não um, mas um número infinito de planetas. Sendo assim – questionaram os guardiões da fé – “cada planeta teria o seu próprio Jesus? Heresia! Blasfêmia! Sacrilégio! ”.

Suas ideias, formulações e livros foram proibidos, incinerados e incluídos no Index Librorum Prohibitorum, o Índice dos Livros Proibidos. 

Num ato de misericórdia, os condenados, antes de arderem no fogo da santa fogueira, eram estrangulados e mortos. Mas com Giordano Bruno foi diferente. Suas formulações representavam uma ameaça de tal dimensão aos alicerces da doutrina católica que a sentença estabeleceu que morresse diretamente em decorrência das chamas, línguas de fogo e labaredas originárias da fogueira. Seu pecado? Declarar que a terra não era o único planeta criado por Deus.

Este é o esteio de onde emerge a peça teatral “Giordano Bruno, a fogueira que incendeia é a mesma que ilumina”.

A trama se desenrola no intervalo entre a condenação do filósofo italiano e a aplicação da pena de morte. A ficção contextualiza o ambiente de transição entre a baixa idade média e a idade moderna. O ambiente de ‘caça às bruxas’, o absolutismo e o autoritarismo políticos, a corrupção endêmica, o feudalismo e a ascensão da burguesia, a ortodoxia e os paradigmas religiosos, o racionalismo e o iluminismo compõem o substrato por onde se movimentam as personagens da peça.

O conselheiro do papa Clemente VIII, o octogenário Giovanni Archetti, comanda - do Palácio do Vaticano - uma intrincada rede de corrupção e, através dela, planeja desposar a mais bela jovem da Europa, Donabella de Monferrato. A formosa mulher admira e integra um grupo de seguidores de Giordano Bruno. Para convencê-la acerca do matrimônio, o poderoso velhaco tenta ludibriá-la e mente, afirmando que promoverá a revisão do julgamento do famoso filósofo, anulando a pena de morte imposta. Sem ser correspondido, o poderoso Giovanni Archetti ama Donabella, que é amada pelo noviço Enrico Belinazzo, um jovem frade de corpo atlético que, por sua vez, é amado pelo vetusto padre Lorenzo, o diretor do seminário. 

De modo que conflitos secundários são explorados evidenciando os paradigmas da baixa idade média, os fundamentos dos novos modelos, dos novos arquétipos que surgiam em oposição ao poder do imperador do Sacro Império, do Papa e dos reis; o ocaso do feudalismo, suplantado pela burguesia que emerge como a nova classe dominante; a degeneração da política e a degradação moral e dos costumes. 

Adentre este universo povoado por conflitos, disputas, cizânias e querelas. Um enredo que, lançando mão de episódios verídicos da narrativa histórica, ambienta novelos densos e provocativos instigando os leitores a responder se o autoritarismo e a corrupção que vincaram o interim entre os séculos XVI e XVII não seriam equivalentes – em extensão, volume e grandeza - aos verificados nos dias de hoje.


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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Nepotismo tem a ver com 'educação' e 'democracia'?


Nepotismo e patrimonialismo. Democracia e República II*


As oportunidades, universalize!
A coisa pública, democratize!
A res pública, consolide!
RodouxFaugh

Em outubro a Constituição brasileira inseriu-se no universo das bodas de prata, completando 25 anos.

Seu nascimento se deu num cenário turbulento. Muitos que, agora, pegam carona tecendo loas ao seu sucesso, procuraram de todas as maneiras enxovalhá-la, desfigurá-la, apregoando até mesmo boicote à sua assinatura. 
Ladinos, não conseguiram vislumbrar que a Constituição Cidadã representaria uma reviravolta na sociedade brasileira: ampliou as liberdades e garantias individuais, restabeleceu as eleições livres e diretas, incorporou novos direitos trabalhistas, assegurou o voto de analfabetos e dos jovens a partir dos 16 anos, além de ter dado fim ao que Chico Buarque e Caetano Veloso intentam - travestida em nova maquilagem – fazer renascer das catacumbas, a Censura (caso das biografias).

Nesta seara, o país goza de certa expertise. Desde a independência, em 1822, o Brasil experimentou sete constituições. E não restam dúvidas: apesar de – nos idos de 1988 - ter sido a atual Carta Magna tratada, por não poucos, a açoites e pontapés; é, de longe, a que apresenta maior densidade democrática, dentre todas elas.
A primeira Constituição brasileira, publicada em 1824, obteve a maior longevidade: um século e meio, exatos 157 anos. Legava ao imperador tamanha importância que fez insculpir um quarto poder, além dos já tradicionais Legislativo, Executivo e Judiciário, o Poder Moderador. 

Por outro lado, a Constituição de vida mais efêmera foi a de 1934, durou tão somente três anos que, na prática, se restringiu a um, porque, em 1935, o Presidente Getulio Vargas determinou a suspensão de sua vigência.
A Constituição de 1937, outorgada por Getúlio e inspirada na Carta autoritária polonesa, ficou conhecida como a Polaca.

Em 1961, uma emenda à Constituição de 1946 estabeleceu o parlamentarismo, derrubado em 1962 quando, em plebiscito, os brasileiros optaram pela volta do presidencialismo.
A Constituição de 1967 disputa com a primeira, o galardão de qual teria sido a mais autoritária...

Completados 25 anos de vigência, a atual Constituição da República apresenta-se revigorada. Em um quarto de século passou por diversas provações, incorporou avanços cristalizados nos embates e mobilizações sociais, oxigenou-se com as inovações legadas pelo romper do século XXI, e seu artigo 37 é um desses exemplos.
Com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998, este artigo reflete com primorosa clareza e precisão alguns baluartes da res-pública¹:   

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:

(...) II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração ; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19 , de 1998) (grifos nossos).
Sim, estamos tratando do público e do privado, do que está sob a órbita do povo e do que se encontra sob domínio privado, do que caracteriza e conforma a república e do que atende por patrimonialismo; sim, estamos tratando do secular confronto entre o nepotismo e a democratização das oportunidades.

patrimonialismo ao não estabelecer distinções entre o público e o privado tipifica-se como cancro da democracia contemporânea, o neoplasma maligno capaz de nos conduzir, de volta, à antiguidade dos bárbaros, quando monarcas lidavam com as rendas obtidas pelo governo como se pessoais fossem: tudo se circunscrevia ao privado, ao familiar, ao pessoal. Daí a origem do termo: o Estado como patrimônio do governante.
A palavra nepotismo também se origina do latim; o dicionário Aurélio apresenta como primeira definição: “autoridade que os sobrinhos e outros parentes do Papa exerciam na administração eclesiástica.”

Empregada, originalmente, para caracterizar as relações do papa com seus parentes, a palavra, hoje, representa o que existe de mais repugnante e abjeto no universo estatal: a concessão de favorecimento, privilégios ou cargos a parentes no serviço público.  
Sim, a Constituição Federal, através de seu artigo 37, dispõe sobre esta questão com o devido rigor republicado. E o Supremo Tribunal Federal reafirmou que é dispensável a edição de lei para que a regra seja observada por todos os poderes. Julgando recurso, os ministros enfatizaram que o artigo 37 da Constituição Federal - que determina a observância dos princípios da moralidade e da impessoalidade na administração pública - é auto-aplicável. 

Em 2008, o STF editou a Súmula Vinculante nº 13:
“A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança, ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.”

Não bastasse, a edição do decreto federal nº 7.203, de junho de 2010, tratou de regulamentar o princípio no âmbito da administração pública federal [aqui].
Mas as praticas de aparelhamento do estado, antes objeto da nobreza medieval, hoje são adotadas por diferentes grupos de interesse, da bandidagem pura e simples até a sofisticação de bandos e quadrilhas encastelados em instituições, partidos políticos e organizações não governamentais. 

E se aboletam na ilegalidade e nas práticas criminosas, inovando na bandidagem criativa: ‘modernos’ neologismos são criados como nepotismo-cruzado.
Neste tipo de inovação, os governantes procuraram esconder a prática contratando parentes uns dos outros: a autoridade da instituição A contrata o filho do dirigente da instituição B que retribui, contratando o filho do gestor do órgão A. Tudo sob a luz das trevas, ao largo dos concursos públicos e dos princípios republicanos insculpidos na Carta Magna. 

Como ensina RodouxFaugh, em A lei e a república:
A impunidade é a mãe da delinquência, da mais desprezível pandilha

Impossível a criação de cidadãos caldeados no clientelismo

Como o aço - é no empreender, na independência e no fogo purificador do saber que são estruturalmente forjados os homens de bem

Não prevarique e não licencie

Se abstenha de torcer a justiça

Desdenhe o favoritismo e manifeste aos brados plena guarida à lei

Faça-a respeitável e a respeite com reverência

A lei

A mesma lei

A mesma lei para todos

denunciando os que tornam alguns mais iguais que outros

os que professam fé e emprestam ares de princípio ao aleive Aos amigos tudo, menos a lei; aos inimigos, nada, nem a lei”.

As oportunidades, universalize!

A coisa pública, democratize!

A res pública, consolide!

 ¹ Res publica, expressão latina que significa "coisa do povo", "coisa pública", origem do vocábulorepública.
*Artigo publicado em 2013.