quinta-feira, 27 de abril de 2017

O homem executado na fogueira por falar a verdade



Em Roma, o julgamento de Bruno durou oito anos, durante os quais ele foi preso, por último, na Torre de Nona. Alguns documentos importantes sobre o julgamento estão perdidos, mas outros foram preservados e entre eles um resumo do processo, que foi redescoberto em 1999. As numerosas acusações contra Bruno, com base em alguns de seus livros, bem como em relatos de testemunhas, incluíam blasfêmia, conduta imoral e heresia em matéria de teologia dogmática e envolvia algumas das doutrinas básicas da sua filosofia e cosmologia. Luigi Firpo lista estas acusações feitas contra Bruno pela Inquisição Romana:
- sustentar opiniões contrárias à fé católica e contestar seus ministros;
- sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre a Trindade, a divindade de Cristo e a encarnação;
- sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre Jesus como Cristo;
- sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre a virgindade de Maria, mãe de Jesus;
- sustentar opiniões contrárias à fé católica tanto sobre a Transubstanciação quanto a Missa;
- reivindicar a existência de uma pluralidade de mundos e suas eternidades;
- acreditar em metempsicose e na transmigração da alma humana em brutos, e;
- envolvimento com magia e adivinhação.
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Olodum completa 38 anos e terá acervo digital


O bloco afro Olodum completou hoje (25) 38 anos de fundação. O aniversário foi marcado pela assinatura de termo de compromisso com o governo da Bahia para criação do acervo digital do Centro de Documentação e Memória do Olodum. A partir da digitalização, imagens, áudios e documentos do bloco estarão disponíveis online em um portal na internet.
No total, 234 mil peças devem compor o acervo digital do Olodum, como adereços, abadás, livros, documentos, fitas cassete e vídeos que narram a trajetória do bloco, além de discos de ouro, troféus, medalhas e homenagens recebidas em vários países.
O termo foi assinado pela secretária de Promoção da Igualdade Racial da Bahia, Fábia Reys, e pelo presidente do Olodum, João Jorge Rodrigues.
“É uma ação extremamente importante, que resgata toda a história da transformação do Olodum, de todos os trabalhos sociais que ele tem feito. Isso reforça o papel dele [Olodum] no processo educacional, ao reconhecer todo esse processo voltado para a formação de jovens entre15 e 19 anos, de percussão, de dança afro, da memória do povo negro da Bahia. A gente parabeniza a história do Olodum, que é o nosso grande patrimônio da Bahia”, disse a secretária.
O Olodum desenvolve atividades de combate ao racismo e de incentivo à cultura entre jovens negros.
“Estamos devolvendo à nossa cidade e ao nosso estado um pouco do que a gente acumulou, agora em forma de documentos digitais, que terão uma visão mais ampla das fantasias, dos momentos, dos memoriais, das músicas e dos fatos históricos que nós vivemos. Recebemos aqui Nelson Mandela, Paul Simon, Michael Jackson, e isso foi fundamental para abrir a Bahia para o mundo. Cabe ao Olodum repercutir esse conhecimento e devolvê-lo à Bahia e ao mundo de uma forma mais moderna e digital”, disse o presidente do bloco, que destacou o aproveitamento do portal para a educação formal.
“Vai ser importante para educação escolar, em conhecimentos como o de Madagascar, do Egito, da Etiópia. Os estudantes poderão aprender por uma plataforma que cabe na mão. A oferta de conteúdo vai ajudar um pouco na formação dessas pessoas”, acrescentou João Jorge.
Por Sayonara Moreno, da Agência Brasil

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quarta-feira, 26 de abril de 2017

6º Festival Nacional de Teatro do Piauí lança regulamento




Lançado o Regulamento do 6º Festival Nacional de Teatro do Piauí que tem como objetivo valorizar o artista que se encontra fora do eixo do mercado de trabalho; bem como aumentar o nível artístico da produção brasileira, concebidas a partir das atividades e ações desenvolvidas nos grupos de teatro e tornar visível as encenações teatrais produzidas nos mesmos, criando novos espaços para apresentações de espetáculos.
Os gêneros apresentados no Festival serão adulto, infantil, monólogos e de rua, os locais usados serão teatros em ambientes fechados, ruas da cidade e espaços alternativos. Os participantes poderão, durante o evento, lançar e comercializar livros, revistas, CDs, DVDs e materiais desenvolvidos a base de suas pesquisas, para isso será montado uma feira de livre comércio, podendo haver a venda ou troca de produtos.
Os grupos poderão ministrar oficinas, falar de suas experiências como Grupo de Teatro e promover debates sobre técnicas, saberes e fazeres da arte cênica no Brasil.
O Festival irá acontecer de 20 a 24 de setembro de 2017, na cidade de Floriano/Piauí, e irá selecionar 35 grupos de todo o Brasil que poderão se inscrever de 01 de maio a 30 de junho, segundo regulamento essa data não será prorrogada. O regulamento e ficha de inscrição podem ser encontrados no site www.escalet.com.br.
A realização é do Grupo Escândalo Legalizado Teatro, Secretaria de Cultura de Estado do Piauí – Secult e Governo do Estado do Piauí.
Informações – grupoescalet@yahoo.com.br – ou pelo fone (89) 99428 0034 claro ou (89) 99906 1572 (Tim e whatsapp).
redacao@cidadeverde.com

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2) O teatro de bonecos Mané Beiçudo: 1.385 exercícios e laboratórios de teatro

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Indígenas na cidade: pobreza e preconceito marcam condição de vida


Há muito tempo, a floresta amazônica deixou de ser o lar de milhares de indígenas. A escassez de alimentos, o desmatamento e o avanço das cidades sobre as matas são alguns fatores que motivaram povos tradicionais a migrar para áreas urbanas. Em Manaus, no Amazonas, eles podem ser encontrados em todas as regiões da cidade. A Fundação Estadual do Índio estima que de 15 a 20 mil indígenas de diversas etnias vivam em áreas urbanas amazonenses, como os sateré-mawé, apurinã, kokama, miraña, dessana, tukano e piratapuia. “Acredito que 90% dos bairros de Manaus tenham indígenas morando”, informou o presidente da Fundação Estadual do Índio, Raimundo Atroari.
Apesar de buscar melhores condições de vida na cidade, a maioria dos indígenas vive em situação de pobreza, tem dificuldade de conseguir emprego e a principal renda vem do artesanato. “Geralmente, as comunidades estão localizadas em área de risco. Nunca é numa área boa. A gente sente muita essa dificuldade de viver na cidade. A maioria dos Sateré daqui da aldeia está no trabalho informal, sem carteira assinada. A maior parte fica dentro da aldeia trabalhando com artesanato. A gente consegue gerar uma renda mais no mês de abril quando o público procura. Fora isso a gente fica dependendo de doações”, contou o tuxaua ou cacique Moisés Sateré, líder de uma comunidade no bairro da Paz, zona oeste de Manaus, onde vivem 14 famílias.
A antropóloga Lúcia Helena Rangel, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, confirma que é comum os indígenas, mesmo em áreas urbanas, viverem em comunidade. “Conforme vai passando o tempo, vem um, vem outro e mais outros, as famílias acabam se juntando em determinado bairro, ou em uma periferia que ninguém morava, e os indígenas foram morar. Você vai ver que nas grandes cidades como Manaus, Campo Grande, Porto Alegre, têm bairros eminentemente indígenas, ou segmentos de bairros, ressaltou a antropóloga.”
Saúde
Moisés Sateré também reclama das dificuldades para acessar os serviços públicos de saúde. “Às vezes a gente não consegue esse atendimento porque muitos profissionais desconhecem a nossa realidade e acabam tendo preconceito com a gente. Quando eles reconhecem que a gente pertence a algum povo, começam a jogar dizendo que a gente precisa ir pra aldeia pra ser atendido ou procurar a Casai [Casa de Saúde Indígena]. Então, fica empurrando”, disse a liderança indígena.
De acordo com o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) de Manaus, Ronaldo Barros, da etnia maraguá, as políticas públicas de saúde são voltadas aos indígenas nas aldeias. Aqueles que vivem nas cidades, enfrentam os mesmos problemas que o restante da população. “Ele entra no mesmo processo de disputa por vagas e atendimento da mesma forma que os não indígenas enfrentam nas áreas urbanas.”
Ainda de acordo com Raimundo Atroari, a Fundação Estadual do Índio está desenvolvendo projetos para ajudar na geração de renda dos indígenas dentro das aldeias, como uma alternativa para evitar a migração deles para os centros urbanos.
“A gente está trabalhando para mudar essa história porque todas as áreas indígenas são riquíssimas, tem um potencial econômico grande. O mercado consumidor tem uma carência muito grande de tudo que tem na aldeia: alimentação, da matéria-prima, daquilo que pode ser transformado em jóia, em remédio, em perfume, enfim. Tudo que tem lá dá pra se transformar em moeda. E a Matriz Econômica Ambiental vem justamente trazendo toda essa possibilidade de geração de renda lá no habitat para os caboclos e indígenas”, explicou Raimundo.
A Matriz Econômica Ambiental foi lançada pelo governo do Amazonas em fevereiro para desenvolver, entre outros projetos, a economia do estado de forma sustentável, com a colaboração dos povos tradicionais.
Preconceito ainda é entrave
Morar em centros urbanos sem ocultar a ancestralidade e as próprias referências é ainda uma luta para mais de 315 mil indígenas, segundo dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa 49% do total da população indígena do país.
“Há ainda forte preconceito e discriminação. E os indígenas que moram nas cidades são realmente os que enfrentam a situação assim no dia a dia, constantemente”, conta o presidente da Organização dos Índios da Cidade, de Boa Vista, Eliandro Pedro de Sousa, do povo Wapixana.
Em todo o Brasil, São Paulo é a cidade com maior população indígena, com cerca de 12 mil habitantes; seguida de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, com pouco mais de 11 mil e Salvador, com mais de 7,5 mil índios.
A antropóloga Lúcia Helena Rangel, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, destaca que desde a colonização, a presença indígena nas cidades é constante, mas, em décadas passadas, a cidade era um espaço proibido.
“Eles iam pras cidades e não diziam que eram indígenas. Ocultavam a origem e também ocultavam as referências culturais, digamos assim”, explica. De acordo com ela, o medo da discriminação e de represálias do antigo Serviço de Proteção ao Índio impedia os indígenas de se apresentarem como tal.
Foi na década de 50, com o desenvolvimento industrial, que o processo de migração para as cidades se intensificou. Moradores do campo seguiam em busca de emprego nas fábricas e, com os indígenas, não foi diferente, conta a professora.
A própria Fundação Nacional do Índio (Funai), que tem como missão promover os direitos dos povos indígenas no Brasil, sofre o preconceito e percebe a situação dos indígenas que moram nas cidades. “Essa questão do preconceito é até com os servidores [da Funai]. Se é com o servidor, imagine para o próprio indígena”, indaga o coordenador regional da Funai em Roraima, Riley Mendes.
Resistência
O Padre Robert Marie de Zalicourt, do Conselho Indigenista Missionário no Amazonas, acredita que, para manter as próprias referências na cidade, os indígenas precisam se unir. “Tem famílias indígenas em todos os bairros de Manaus, mas não são reconhecidos. Então, eles têm tendência de perder a sua cultura. Eles estão mantendo essa especificidade quando estão unidos e organizados.”

Por Bianca Paiva e Maíra Heinen, da Agência Brasil

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terça-feira, 25 de abril de 2017

Indígenas na cidade: índios catadores contam a angústia de viver no lixão



“Vendo lixo e não tenho vergonha de falar, na minha caminhada foi fome, violência, pobreza e roubar. Nasci pra sofrer, pode crer, pra cair, levantar, errar e aprender. A caminhada é dura, tudo é fase. Zona oeste é meu lugar, nesse canto da cidade. Eu sou a voz ativa da perifa, a voz dos oprimidos, a voz dos loucos, das minas e dos bandidos, dos esquecidos pela sociedade, dos humildes que não têm vez aqui nessa cidade.”
A melodia e a letra notadamente urbanas do rap servem de canal para expressar as angústias do catador de material reciclável e indígena wapixana Charlesson da Silva, de 18 anos. Ele não tem vergonha de trabalhar como catador em Boa Vista, capital de Roraima, mas o que quer para o futuro está fora dos lixões.
“Melhorar de vida, melhorar a vida da família também. Voltei a estudar, né? E quero me formar em direito. Tem o rap, mas também quero ter um trabalho assim, bacana”, conta.
O rapper é o orgulho da mãe, Mara Wapixana. Ela também coleta material no lixão, mas não vai ao local com frequência. “Não desejo isso aqui pra ninguém, mas para não tá pedindo nem tá roubando por aí, a gente fica por aqui mesmo.”
A montanha de lixo à beira da BR-174, os urubus e o forte cheiro do chorume fazem parte do ambiente de trabalho desses indígenas. O lixão acaba sendo a última possibilidade na busca pela sobrevivência, como conta o presidente da Organização dos Indígenas da Cidade, em Boa Vista, Eliandro Pedro de Sousa. “Para quem não aguenta mais estar naquela situação de trabalho de exploração da mão de obra, muitos não veem outra saída para sair daquela situação, senão fazer a coleta seletiva no lixo. O fundo do poço da questão indígena urbana é a presença no lixão.”
Para buscar visibilidade e saber as principais demandas desses trabalhadores, o projeto Nova Cartografia Social da Amazônia começou, em 2013, a atuar com os indígenas coletores de material reciclável na capital de Roraima. A maioria dos índios demandava a regularização da profissão de catador e o acesso a documentos. A coordenadora da equipe de trabalho do projeto, Marineide Peres da Costa, conta que grande parte dos indígenas é formada por estrangeiros, principalmente da Guiana e, mais recentemente, da Venezuela. Para ela, o local é desolador.
“É um ambiente muito pesado. Tá certo que é uma classe trabalhadora, mas ela não é valorizada. Elas não conseguem a sustentabilidade do próprio trabalho. É muito desvalorizada, principalmente as mulheres que estão ali em cima”, conta.
Funai
A Funai acompanha de forma tímida a situação dos indígenas catadores, como define o próprio coordenador da fundação em Boa Vista, Riley Mendes. “Quando a gente começou a acompanhar, eles se dispersaram. Eles não queriam ser contados como catadores de lixo. Foi muito tímido ali no início. Mas eles não se identificavam como indígenas. Eles não queriam ser identificados como indígenas.”
Para alguns indígenas, a melhora de vida pode vir com a adequação do local à Lei de Resíduos Sólidos, com a atuação de cooperativas e de uma usina de reciclagem. O aterro sanitário de Boa Vista deve se adequar à lei até meados de 2018, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Boa Vista. Os catadores, de acordo com o secretário Daniel Peixoto, serão contemplados. Mas há um porém em relação a indígenas estrangeiros.
“Não cabe a responsabilidade da prefeitura nesse sentido. Se ele estiver ilegal no país, eu não tenho como botar ele para trabalhar”, disse.
Mas a possibilidade de mudança no lixão anima Márcio Wapixana, que espera trabalhar com carteira assinada. “Vai ser carteira assinada, né? Aí vai ser bom agora. A vida vai melhorar, de muita gente. Ainda mais para o pessoal daqui, que precisa muito. Vão ser abertas três cooperativas, né?”
Por Maíra Heinen, da Agência Brasil

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Corpos de nove trabalhadores rurais assassinados em Mato Grosso vão para perícia



Os corpos de nove pessoas assassinadas na última quinta-feira (20) em uma área rural do distrito de Guariba, em Mato Grosso, já chegaram ao município de Colniza, onde vão passar por perícia e identificação. As informações são da Polícia Judiciária Civil do estado.
De acordo com o órgão, os corpos são de homens adultos e, portanto, não há crianças entre os mortos, como havia sido divulgado anteriormente. Três vítimas eram do estado de Rondônia e três do próprio distrito de Guariba. A procedência das demais vítimas ainda está sendo verificada.
Ainda segundo a Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, os homens foram mortos por tiros ou facadas e estavam todos no local onde aconteceu a chacina. Os corpos foram resgatados ontem (21) no fim do dia e o transporte foi feito durante a madrugada de hoje (22).
O órgão também informou que os corpos foram levados para uma sala preparatória do cemitério de Colniza, onde os trabalhos de perícia devem acontecer durante todo o dia. A divulgação da lista com os nomes das vítimas será feita pela Secretaria de Segurança Pública do estado.

Por Paula Laboissière, da Agência Brasil

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O livro
A peça teatral retrata uma situação que vem do Brasil Colônia e persiste nos dias atuais: estratégias utilizadas por capatazes para escravizar trabalhadores rurais.

Em uma das cenas da peça “Gravata Vermelha” esse crime é explicado num diálogo entre as personagens Alfredo e Marquito:

“(...) Quando o caboco chega lá para trabalhar tem que comprar tudo no armazém, na venda da fazenda, a única que existe no lugar. E daí compra fiado, abre conta, anota no caderno. Tudo caro, mercadoria de servo, de criado; preço de doutor. Quando chega ao final do mês, o salário já tá muito menor que a conta aberta no Armazém. E vai passando o mês, vai passando outro mês, e depois um ano, muitos anos, a conta, a dívida só aumentando, crescendo sempre mais e mais. Não tem jeito de sobrar dinheiro, nunca sobra salário, nunca dá prá quitar a dívida. Daí que o caboco vira o quê? Escravo. Trabalha, trabalha, e cada vez deve mais. Quando se dá conta da escravidão e tenta fugir, os jagunços cravam o balaço nas costas. É assim, minha senhoria. Desse jeito mesmo que acabo de contar. (...)”. 

Quando o homem engole a lua” investe numa inovadora concepção cênica, criando novos espaços e estilos de interpretação, se destacando a fina interação entre o espetáculo tradicional - onde se apresentam atores, músicos e dançarinos – e o teatro de bonecos com a performance dos bonecos de luva e vara.
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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Indígenas na cidade: pobreza e preconceito marcam condição de vida


Há muito tempo, a floresta amazônica deixou de ser o lar de milhares de indígenas. A escassez de alimentos, o desmatamento e o avanço das cidades sobre as matas são alguns fatores que motivaram povos tradicionais a migrar para áreas urbanas. Em Manaus, no Amazonas, eles podem ser encontrados em todas as regiões da cidade. A Fundação Estadual do Índio estima que de 15 a 20 mil indígenas de diversas etnias vivam em áreas urbanas amazonenses, como os sateré-mawé, apurinã, kokama, miraña, dessana, tukano e piratapuia. “Acredito que 90% dos bairros de Manaus tenham indígenas morando”, informou o presidente da Fundação Estadual do Índio, Raimundo Atroari.
Apesar de buscar melhores condições de vida na cidade, a maioria dos indígenas vive em situação de pobreza, tem dificuldade de conseguir emprego e a principal renda vem do artesanato. “Geralmente, as comunidades estão localizadas em área de risco. Nunca é numa área boa. A gente sente muita essa dificuldade de viver na cidade. A maioria dos Sateré daqui da aldeia está no trabalho informal, sem carteira assinada. A maior parte fica dentro da aldeia trabalhando com artesanato. A gente consegue gerar uma renda mais no mês de abril quando o público procura. Fora isso a gente fica dependendo de doações”, contou o tuxaua ou cacique Moisés Sateré, líder de uma comunidade no bairro da Paz, zona oeste de Manaus, onde vivem 14 famílias.
A antropóloga Lúcia Helena Rangel, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, confirma que é comum os indígenas, mesmo em áreas urbanas, viverem em comunidade. “Conforme vai passando o tempo, vem um, vem outro e mais outros, as famílias acabam se juntando em determinado bairro, ou em uma periferia que ninguém morava, e os indígenas foram morar. Você vai ver que nas grandes cidades como Manaus, Campo Grande, Porto Alegre, têm bairros eminentemente indígenas, ou segmentos de bairros, ressaltou a antropóloga.”
Saúde
Moisés Sateré também reclama das dificuldades para acessar os serviços públicos de saúde. “Às vezes a gente não consegue esse atendimento porque muitos profissionais desconhecem a nossa realidade e acabam tendo preconceito com a gente. Quando eles reconhecem que a gente pertence a algum povo, começam a jogar dizendo que a gente precisa ir pra aldeia pra ser atendido ou procurar a Casai [Casa de Saúde Indígena]. Então, fica empurrando”, disse a liderança indígena.
De acordo com o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) de Manaus, Ronaldo Barros, da etnia maraguá, as políticas públicas de saúde são voltadas aos indígenas nas aldeias. Aqueles que vivem nas cidades, enfrentam os mesmos problemas que o restante da população. “Ele entra no mesmo processo de disputa por vagas e atendimento da mesma forma que os não indígenas enfrentam nas áreas urbanas.”
Ainda de acordo com Raimundo Atroari, a Fundação Estadual do Índio está desenvolvendo projetos para ajudar na geração de renda dos indígenas dentro das aldeias, como uma alternativa para evitar a migração deles para os centros urbanos.
“A gente está trabalhando para mudar essa história porque todas as áreas indígenas são riquíssimas, tem um potencial econômico grande. O mercado consumidor tem uma carência muito grande de tudo que tem na aldeia: alimentação, da matéria-prima, daquilo que pode ser transformado em jóia, em remédio, em perfume, enfim. Tudo que tem lá dá pra se transformar em moeda. E a Matriz Econômica Ambiental vem justamente trazendo toda essa possibilidade de geração de renda lá no habitat para os caboclos e indígenas”, explicou Raimundo.
A Matriz Econômica Ambiental foi lançada pelo governo do Amazonas em fevereiro para desenvolver, entre outros projetos, a economia do estado de forma sustentável, com a colaboração dos povos tradicionais.
Preconceito ainda é entrave
Morar em centros urbanos sem ocultar a ancestralidade e as próprias referências é ainda uma luta para mais de 315 mil indígenas, segundo dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa 49% do total da população indígena do país.
“Há ainda forte preconceito e discriminação. E os indígenas que moram nas cidades são realmente os que enfrentam a situação assim no dia a dia, constantemente”, conta o presidente da Organização dos Índios da Cidade, de Boa Vista, Eliandro Pedro de Sousa, do povo Wapixana.
Em todo o Brasil, São Paulo é a cidade com maior população indígena, com cerca de 12 mil habitantes; seguida de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, com pouco mais de 11 mil e Salvador, com mais de 7,5 mil índios.
A antropóloga Lúcia Helena Rangel, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, destaca que desde a colonização, a presença indígena nas cidades é constante, mas, em décadas passadas, a cidade era um espaço proibido.
“Eles iam pras cidades e não diziam que eram indígenas. Ocultavam a origem e também ocultavam as referências culturais, digamos assim”, explica. De acordo com ela, o medo da discriminação e de represálias do antigo Serviço de Proteção ao Índio impedia os indígenas de se apresentarem como tal.
Foi na década de 50, com o desenvolvimento industrial, que o processo de migração para as cidades se intensificou. Moradores do campo seguiam em busca de emprego nas fábricas e, com os indígenas, não foi diferente, conta a professora.
A própria Fundação Nacional do Índio (Funai), que tem como missão promover os direitos dos povos indígenas no Brasil, sofre o preconceito e percebe a situação dos indígenas que moram nas cidades. “Essa questão do preconceito é até com os servidores [da Funai]. Se é com o servidor, imagine para o próprio indígena”, indaga o coordenador regional da Funai em Roraima, Riley Mendes.
Resistência
O Padre Robert Marie de Zalicourt, do Conselho Indigenista Missionário no Amazonas, acredita que, para manter as próprias referências na cidade, os indígenas precisam se unir. “Tem famílias indígenas em todos os bairros de Manaus, mas não são reconhecidos. Então, eles têm tendência de perder a sua cultura. Eles estão mantendo essa especificidade quando estão unidos e organizados.”

Por Bianca Paiva e Maíra Heinen, da Agência Brasil
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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Tudo o que você precisa saber sobre 'Les Misérables'.


Depois de 16 anos, uma nova montagem do musical "Les Misérables" chega a São Paulo.  O espaço é o Teatro Renault - mesmo local que recebeu o espetáculo em 2001. A produção segue o roteiro de uma montagem londrina de 2010, repaginada para celebrar o 25º aniversário do musical, inspirado no romance homônimo escrito no século 19 pelo autor francês Victor Hugo (1802-1885).

O enredo parte da história de Jean Valjean, que sofre a perseguição do inspetor da polícia Javert após quebrar sua liberdade condicional. Para saber mais, aqui.

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Em Roma, o julgamento de Bruno durou oito anos, durante os quais ele foi preso, por último, na Torre de Nona. Alguns documentos importantes sobre o julgamento estão perdidos, mas outros foram preservados e entre eles um resumo do processo, que foi redescoberto em 1999. As numerosas acusações contra Bruno, com base em alguns de seus livros, bem como em relatos de testemunhas, incluíam blasfêmia, conduta imoral e heresia em matéria de teologia dogmática e envolvia algumas das doutrinas básicas da sua filosofia e cosmologia. Luigi Firpo lista estas acusações feitas contra Bruno pela Inquisição Romana:
- sustentar opiniões contrárias à fé católica e contestar seus ministros;
- sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre a Trindade, a divindade de Cristo e a encarnação;
- sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre Jesus como Cristo;
- sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre a virgindade de Maria, mãe de Jesus;
- sustentar opiniões contrárias à fé católica tanto sobre a Transubstanciação quanto a Missa;
- reivindicar a existência de uma pluralidade de mundos e suas eternidades;
- acreditar em metempsicose e na transmigração da alma humana em brutos, e;
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quarta-feira, 19 de abril de 2017

O homem que desafiou tudo e todos: Giordano Bruno


Ex monge dominicano, nos oito anos em que padeceu na prisão foi submetido a todo tipo de violência e opressão para que se retratasse, renegando suas convicções. O brutalizaram em vão. A congregação católica não logrou o êxito que obteria, poucos anos depois, com Galileu Galilei. Este, para não morrer na fogueira, teve que, de joelhos, abjurar toda a sua consistente obra científica e filosófica.

A ortodoxia da Igreja Católica de então concebia a terra como um planeta único no universo, resultado da intervenção direta de Deus. Um axioma que – em hipótese alguma – poderia ser questionado.

Mas, Giordano Bruno descortinou, antes da invenção do telescópio, a infinitude do universo. E que na imensidão do cosmos, existia não um, mas um número infinito de planetas. Sendo assim – questionaram os guardiões da fé – “cada planeta teria o seu próprio Jesus? Heresia! Blasfêmia! Sacrilégio! ”.

Suas ideias, formulações e livros foram proibidos, incinerados e incluídos no Index Librorum Prohibitorum, o Índice dos Livros Proibidos. 

Num ato de misericórdia, os condenados, antes de arderem no fogo da santa fogueira, eram estrangulados e mortos. Mas com Giordano Bruno foi diferente. Suas formulações representavam uma ameaça de tal dimensão aos alicerces da doutrina católica que a sentença estabeleceu que morresse diretamente em decorrência das chamas, línguas de fogo e labaredas originárias da fogueira. Seu pecado? Declarar que a terra não era o único planeta criado por Deus.

Este é o esteio de onde emerge a peça teatral “Giordano Bruno, a fogueira que incendeia é a mesma que ilumina”.

A trama se desenrola no intervalo entre a condenação do filósofo italiano e a aplicação da pena de morte. A ficção contextualiza o ambiente de transição entre a baixa idade média e a idade moderna. O ambiente de ‘caça às bruxas’, o absolutismo e o autoritarismo políticos, a corrupção endêmica, o feudalismo e a ascensão da burguesia, a ortodoxia e os paradigmas religiosos, o racionalismo e o iluminismo compõem o substrato por onde se movimentam as personagens da peça.

O conselheiro do papa Clemente VIII, o octogenário Giovanni Archetti, comanda - do Palácio do Vaticano - uma intrincada rede de corrupção e, através dela, planeja desposar a mais bela jovem da Europa, Donabella de Monferrato. A formosa mulher admira e integra um grupo de seguidores de Giordano Bruno. Para convencê-la acerca do matrimônio, o poderoso velhaco tenta ludibriá-la e mente, afirmando que promoverá a revisão do julgamento do famoso filósofo, anulando a pena de morte imposta. Sem ser correspondido, o poderoso Giovanni Archetti ama Donabella, que é amada pelo noviço Enrico Belinazzo, um jovem frade de corpo atlético que, por sua vez, é amado pelo vetusto padre Lorenzo, o diretor do seminário. 

De modo que conflitos secundários são explorados evidenciando os paradigmas da baixa idade média, os fundamentos dos novos modelos, dos novos arquétipos que surgiam em oposição ao poder do imperador do Sacro Império, do Papa e dos reis; o ocaso do feudalismo, suplantado pela burguesia que emerge como a nova classe dominante; a degeneração da política e a degradação moral e dos costumes. 

Adentre este universo povoado por conflitos, disputas, cizânias e querelas. Um enredo que, lançando mão de episódios verídicos da narrativa histórica, ambienta novelos densos e provocativos instigando os leitores a responder se o autoritarismo e a corrupção que vincaram o interim entre os séculos XVI e XVII não seriam equivalentes – em extensão, volume e vilania - aos verificados nos dias de hoje.
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