quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Maquiavel, um homem entre a política e o teatro



“Ninguém jamais escreveu, na Itália, com tanta lucidez e num estilo tão vivo como Maquiavel. Cada palavra de seu vocabulário parece sair das profundezas de seu espírito e suas frases refletem uma esplêndida lógica”. Foscolo

A Itália renascentista que presenteou o mundo com Sandro Botticelli, Leonardo da Vinci e Michelangelo, não esqueceu de brindar ao novo mundo untando a literatura ocidental com o incomparável Nicolau Maquiavel.

Quando Maquiavel nasceu, em 1469, Leonardo da Vinci ainda era um jovem aprendiz esforçando-se para auxiliar o mestre Andréa Verrocchio no “Batismo de Cristo”. O pai de quem seria, mais adiante, o criador da Ciência Política, queria o filho na magistratura, por isso educou o rebento envolto nos livros que copiava a mão, porque livros impressos eram quase impossíveis de comprar, porque raros e caros.

Os desejos do pai começaram a materializar-se em 1498, quando Maquiavel ingressou na chancelaria de Florença. Tinha 29 anos. E tanto se esforçou que, um ano depois, já ocupava o cargo de segundo chanceler da República florentina.

A Itália dessa época vivia aguda crise institucional. Era, na realidade, um amontoado de pequenos Estados divididos, debilitados por infindáveis lutas internas. A República de Florença se esvaia a olhos vistos, a cada dia perdia poder e status: as manufaturas que processavam a lã resolveram mudar para a Inglaterra e, no final do século XV, 33 bancos optaram por transferir suas sedes para Lyon, na França.

Os tumultos e a confusão política de então levaram-no à prisão onde, com seu irmão, Bernardo, foi duramente torturado.

Libertado em 1513, foi obrigado a exilar-se em San Casciano.

Na solidão do exílio que produziu uma de suas obras primas, “O Príncipe”, o manual de ação política que deu origem à Ciência Política.

Maquiavel dedicou a obra ao filho bastardo do papa Alexandre VI, pois acreditava que César Bórgia seria o único capaz de unificar a Itália e livrá-la da dominação estrangeira. Mas Bórgia não conseguiu tirar proveito da magnífica obra, pois adoeceu e logo depois faleceu. Em contrapartida, inúmeros outros – até os dias atuais – a tornaram livro de cabeceira, a começar por Henrique VIII, rei da Inglaterra.

Para viabilizar seu novo casamento, Henrique VIII rompeu com o papa e a Igreja Católica, substituindo-a por uma outra, criada na exata medida para atender aos seus interesses imediatos: a Igreja Anglicana. Por opor-se à anulação do casamento do rei e recusar fidelidade à nova Igreja, Thomas Morus, autor de “A Utopia” – que chegou a compor o Conselho Secreto do reino – foi preso, condenado e executado por ordem direta do soberano inglês.

Maquiavel defende que o Estado e o processo político devem se situar num patamar superior à moral e à religião, e que o príncipe virtuoso seria aquele dotado da habilidade de ser bom e mau ao mesmo tempo, traiçoeiro e piedoso, violento e complacente.

Contemporâneo de Thomas Morus, divergiu dele porque enquanto o pensador londrino se debruçou sobre uma realidade ideal, expressando a política como deveria ser, Maquiavel teorizou sobre a realidade concreta.

Até então, as relações sociais eram vistas como conseqüência do acaso ou das qualidades das pessoas, da fé ou da consciência individual, e não decorrentes das condições econômicas e políticas.

Uma frase de Maquiavel expressa a gênese do processo legislativo e o modo como a liberdade se cristaliza, se derramando nas frestas abertas pelos conflitos políticos:

“... e deve-se considerar como existem em toda república dois humores diversos: o do povo e o dos grandes, e toda a lei que se faz em favor da liberdade nasce da desunião entre eles”. 

A densidade da obra política do autor italiano, de certa forma, fez com que ficasse sobrestada, quase em segundo plano, a expressiva dimensão de sua verve artística e dramática.

Sua face relativamente pouco conhecida é uma grande injustiça considerando que abriga um dos maiores escritores de comédia de todos os tempos. “A Mandrágora” e “Clizia” destacam-se entre as melhores obras cômicas da humanidade. Inspirando-se nos clássicos latinos, Maquiavel foi beber na mesma fonte onde se saciaram Plauto (254 – 184 a.C.) e Terêncio ( 185 – 159 a.C.).

Na dramaturgia, Maquiavel não se preocupa exclusivamente em divertir e entreter, mas também em despertar uma atitude crítica, uma postura que possibilite a escolha, a opção, a decisão.

“A Mandrágora” fez tanto sucesso que, em uma apresentação em Veneza, no ano de 1522, o teatro estava tão repleto e a platéia tão animada que os atores simplesmente não conseguiram terminar a apresentação. A peça desenvolve uma trama em que a moral e a instituição mais sagrada para a Igreja, o casamento, são corrompidos com a participação de um padre sem escrúpulos, frei Timóteo.

Estimulando a piedosa e virtuosa Lucrécia a incorrer no pecado da traição e do adultério, o venal frei Timóteo não tergiversa:

“Há muitas coisas que de longe parecem terríveis, insuportáveis, estranhas; entretanto, quando a gente se aproxima delas, tornam-se humanas, suportáveis, familiares; por isso, diz o ditado que são piores os receios do que os males pelos quais a gente receia”.

Muitos estudiosos defendem que – tivesse a platéia da época capacidade para capturar a essência de “A Mandrágora”, não teria rido e sim entrado em pânico. Isto porque na obra, a virtude, instrumento do poder temporal da Igreja, é completamente desmoralizada.

Nicolau Maquiavel morreu no dia 22 de junho de 1527, amargurado e deixando a família na miséria.

Foram necessários dois séculos e meio para um admirador anônimo mandar inscrever no seu epitáfio: Tanto Nomini Nullum Par Elogium(Nenhum elogio é demais para este nome).

Antônio Carlos dos Santos - criador da metodologia de planejamento estratégico Quasar K+, da tecnologia de produção de teatro popular de bonecos Mané Beiçudo, e da metodologia ThM-Theater Movement.

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“As 100 mais belas fábulas da humanidade” é um livro especial.

Condensa em um só volume o referencial teórico sobre o assunto, as principais fábulas já elaboradas desde os idos de antes de Cristo, enfocando este rico, mágico e onírico universo.

Desta forma, conceitos e definições, as principais características deste gênero literário, o panorama da evolução das fábulas através dos tempos até romper no Brasil dos dias presentes, todo este referencial teórico encontra-se sistematizado e hierarquizado no primeiro capítulo.

Este capítulo apresenta uma panorâmica de como este gênero mantêm-se sintonizado com a atualidade: Monteiro Lobato, Millôr Fernandes, Rodoux Faugh, Manuel Maria Barbosa du Bocage, este escrita e, ainda, Esopo e Jean de La Fountaine.

O segundo capítulo mergulha no universo do mais importante escritor de fábulas de todos os tempos: o grego Esopo – o grande precursor. No total são mais de cem narrativas ilustradas expressando todas as nuances e facetas desta modalidade artística que provoca, instiga e ensina.

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 Pré lançamento do livro "Tiradentes, o mazombo: 20 contos dramáticos":

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Dramaturgo, o autor transferiu para seus contos literários toda a criatividade, intensidade e dramaticidade intrínsecas à arte teatral. 

São vinte contos retratando temáticas históricas e contemporâneas que, permeando nosso imaginário e dia a dia, impactam a alma humana em sua inesgotável aspiração por guarida, conforto e respostas. 

Os contos: 
1. Tiradentes, o mazombo 
2. Nossa Senhora e seu dia de cão 
3. Sobre o olhar angelical – o dia em que Fidel fuzilou Guevara 
4. O lugar de coração partido 
5. O santo sudário 
6. Quando o homem engole a lua 
7. Anos de intensa dor e martírio 
8. Toshiko Shinai, a bela samurai nos quilombos do cerrado brasileiro 
9. O desterro, a conquista 
10. Como se repudia o asco 
11. O ladrão de sonhos alheios 
12. A máquina de moer carne 
13. O santuário dos skinheads 
14. A sorte lançada 
15. O mensageiro do diabo 
16. Michelle ou a Bomba F 
17. A dor que nem os espíritos suportam 
18. O estupro 
19. A hora 
20. As camas de cimento nu 

OUTRAS OBRAS DO AUTOR QUE O LEITOR ENCONTRA NAS LIVRARIAS amazon.com.br: 
A – LIVROS INFANTO-JUVENIS: 
Livro 1. As 100 mais belas fábulas da humanidade 

I – Coleção Educação, Teatro & Folclore (peças teatrais infanto-juvenis): 
Livro 1. O coronel e o juízo final 
Livro 2. A noite do terror 
Livro 3. Lobisomem – O lobo que era homem 
Livro 4. Cobra Honorato 
Livro 5. A Mula sem cabeça 
Livro 6. Iara, a mãe d’água 
Livro 7. Caipora 
Livro 8. O Negrinho Pastoreiro 
Livro 9. Romãozinho, o fogo fátuo 
Livro 10. Saci Pererê 

II – Coleção Infantil (peças teatrais infanto-juvenis): 
Livro 1. Não é melhor saber dividir 
Livro 2. Eu compro, tu compras, ele compra 
Livro 3. A cigarra e as formiguinhas 
Livro 4. A lebre e a tartaruga 
Livro 5. O galo e a raposa 
Livro 6. Todas as cores são legais 
Livro 7. Verde que te quero verde 
Livro 8. Como é bom ser diferente 
Livro 9. O bruxo Esculfield do castelo de Chamberleim 
Livro 10. Quem vai querer a nova escola 

III – Coleção Educação, Teatro & Democracia (peças teatrais infanto-juvenis): 
Livro 1. A bruxa chegou... pequem a bruxa 
Livro 2. Carrossel azul 
Livro 3. Quem tenta agradar todo mundo não agrada ninguém 
Livro 4. O dia em que o mundo apagou 

IV – Coleção Educação, Teatro & História (peças teatrais juvenis): 
Livro 1. Todo dia é dia de independência 
Livro 2. Todo dia é dia de consciência negra 
Livro 3. Todo dia é dia de meio ambiente 
Livro 4. Todo dia é dia de índio 

V – Coleção Teatro Greco-romano (peças teatrais infanto-juvenis): 
Livro 1. O mito de Sísifo 
Livro 2. O mito de Midas 
Livro 3. A Caixa de Pandora 
Livro 4. O mito de Édipo. 

B - TEORIA TEATRAL E DRAMATURGIA 
VI – ThM-Theater Movement: 
Livro 1. O teatro popular de bonecos Mané Beiçudo: 1.385 exercícios e laboratórios de teatro 
Livro 2. 555 exercícios, jogos e laboratórios para aprimorar a redação da peça teatral: a arte da dramaturgia 
Livro 3. Amor de elefante 
Livro 4. Gravata vermelha 
Livro 5. Santa Dica de Goiás 
Livro 6. Quando o homem engole a lua 
Livro 7: Estrela vermelha: à sombra de Maiakovski
Livro 8: Tiradentes, o Mazombo – 20 contos dramáticos 
Livro 9: Teatro total: a metodologia ThM-Theater Movemente