terça-feira, 12 de setembro de 2017

George Clooney e Matt Damon abordam racismo nos EUA no Festival de Toronto

EFE/Warren Toda

George Clooney e Matt Damon aproveitaram a entrevista coletiva realizada neste domingo no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), por conta da exibição de seu último filme, "Suburbicon", para denunciar o racismo na sociedade americana.
Dirigido por Clooney e estrelado por Damon, Julianne Moore e Oscar Issac, "Suburbicon" é uma sátira obscura sobre o racismo nos subúrbios das cidades do nordeste dos Estados Unidos na década de 1950.
O filme combina um roteiro escrito há anos pelos irmãos Coen com outro sobre um incidente ocorrido em um subúrbio do nordeste dos EUA em 1957.
Hoje, Clooney explicou que a ideia de combinar as duas histórias surgiu durante a campanha presidencial americana.
"Vimos coisas na campanha eleitoral sobre construir muros e transformar mexicanos e muçulmanos em bodes expiatórios. Isso não é algo novo na nossa história e pensamos que seria interessante falar sobre isso de forma entretida, não como um documentário", explicou Clooney.
"E misturamos isso com 'Suburbicon' porque pensamos que seria divertido enquadrar nos subúrbios dos anos 50, quando todos pensavam que tudo era tão perfeito, se você fosse um homem heterossexual", acrescentou.
Clooney também reconheceu que a eleição de Donald Trump como presidente dos EUA fez com que algumas coisas fossem alteradas no projeto devido ao ambiente convulsivo no país.
"Tivemos que mudar coisas. Durante a filmagem, Trump foi eleito. E mudou a temperatura do filme porque o país se enfureceu mais, sem importar de que lado você está. Lembramos que tínhamos que lidar com este tom de forma diferente", disse o diretor.
Por sua vez, Damon brincou sobre a já famosa difamação de Trump durante a campanha eleitoral, quando afirmou os mexicanos nos EUA são em sua maioria "estupradores ou criminosos".
Quando um jornalista mexicano fez uma pergunta ao ator, ele começou a resposta com bom humor: "você é um dos estupradores ou criminosos? Assim que é um dos bons".
"Esta presidência reforçou os elementos mais racistas a aparecerem abertamente. Inocentemente me surpreendeu, mas sempre esteve aí. E está relacionado com o pecado original do país (a escravidão da população negra)", destacou.
O protagonista de "Suburbicon" acrescentou que, embora os EUA tenham sofrido com uma guerra civil por esse motivo, este foi um problema "nunca resolvido", pois o país se negou a discutir o racismo.
"E assim continuará até que o discutamos", concluiu.

EFE



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