quarta-feira, 13 de junho de 2018

Educação infantil


O Brasil continua patinando quando o assunto é a universalização da educação infantil, já que apenas uma das 20 metas propostas pelo Plano Nacional de Educação (PNE) foi alcançada. Isso significa que milhares de crianças continuam à espera de uma vaga no sistema de ensino, comprometendo a concretização do tão sonhado salto de qualidade na área, que deveria acontecer num período de 10 anos, a partir do lançamento do PNE pelo Ministério da Educação (MEC), há quatro anos.

Pela proposta número 1 do PNE, há pelo menos dois anos, todas as crianças brasileiras de 4 a 5 anos deveriam estar na sala de aula da pré-escola, uma vez que o ensino é obrigatório em todo o território nacional para meninos e meninas a partir de 4 anos. Outra proposição que patina é a ampliação do atendimento em creches a crianças menores de 1 ano a 3 anos. A oferta de creches para elas deve alcançar 50%, até 2024. Para especialistas, a não concretização das duas metas deixará uma enorme dívida ao ensino infantil no país.

De acordo com o PNE, apenas a meta 13 foi alcançada. Ela estipula que 75% dos docentes de educação superior tenham mestrado ou doutorado e 35% de doutores no corpo docente superior, até 2024. O primeiro ponto foi cumprido em 2015. O segundo, atingido em 2014.

Educadores lembram que são muitas as dificuldades para a implementação do PNE, principalmente porque a educação infantil é atribuição das prefeituras municipais, muitas delas despreparadas e sem motivação para implementar políticas focadas na garantia de acesso à pré-escola. Isso acontece, principalmente, em grandes centros urbanos e zonas mais vulneráveis, onde a procura é grande e a oferta nem sempre acompanha a demanda, que cresce a cada ano.

Muitos municípios enfrentam graves problemas para garantir a universalização do ensino, notadamente de ordem financeira. Especialistas ressaltam que as prefeituras têm de garantir infraestrutura adequada ao atendimento, sobretudo, na qualidade da educação ofertada. A questão é que, muitas vezes, as escolas, apesar de acolherem as crianças, não conseguem garantir práticas pedagógicas adequadas a pessoas tão novas, por absoluta falta de pessoal preparado.

O investimento em creches é também uma necessidade urgente para o atendimento aos que estão na primeiríssima infância. Além da criação de vagas, existe o desafio de se criar um ambiente adequado ao pleno desenvolvimento dessas crianças, considerado fundamental pelos pedagogos, pois é nessa fase que elas desenvolvem as capacidades que permitirão o aprimoramento de habilidades no futuro.

Os governos, principalmente os municipais, não podem fugir de suas responsabilidades previstas no PNE, tanto na oferta de vagas para a educação infantil quanto na construção de creches, pelo importante papel social que desempenham, tanto na vida das crianças quanto na de suas famílias.

Correio Braziliense



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