domingo, 27 de julho de 2014

O teatro de marionetes e o teatro de bonecos Mané Beiçudo

(...)
Humilhas, avanças, provocas, agrides, espancas, torturas, aprisionas indefesos – e quem bate e violenta é a tropa de choque?
Te tornaste carne, sexo e prostituta de incubo de Saturno –
e ensandecidamente acusas o outro de estupro? (...)

Leia o poema Uma oração para canalhas clicando aqui._____________________________________

O teatro de marionetes e o teatro de bonecos Mané Beiçudo
Quando lidamos com bonecos manipulados através de fios e cordões estamos nos referindo ao teatro de marionetes. Geralmente o ator/manipulador utiliza-se de uma cruzeta, onde fixa uma das extremidades dos fios. As outras extremidades são fixadas às diferentes partes do boneco. Acionado, cada fio dará movimento a um dos membros do boneco. Conforme movimenta a cruzeta – impondo variadas inclinações ou oscilações, o ator vai dando vida ao inanimado. Mas não é somente a cruzeta que possibilita o movimento. Muitas vezes, para alcançar maior expressividade do movimento, o ator tem que puxar diretamente o fio, um a um, num processo de manipulação que exige grande maestria. Neste tipo de teatro, os bonecos podem ter uma grande dimensão, sendo controlados por cima, de um estrado superior.

O que determina o número de fios que fixaremos na marionete é a quantidade e qualidade dos movimentos que esperamos do boneco. Podemos construir bonecos mais simples utilizando nove fios: um em cada uma das pernas, um em cada uma das mãos, um em cada um dos ombros, um em cada uma das orelhas – com o que daremos movimento à cabeça – e um ultimo fio fixado à bacia, possibilitando que a marionete se vergue ou incline.

Mas caso sejam necessários movimentos mais detalhados, em que a precisão do gesto cênico seja relevante para o contexto, então o numero de fios pode chegar a vinte e sete, trinta ou mais ainda.

A habilidade em manipular marionetes está diretamente vinculada ao grau e intensidade do treinamento. Quanto maior a quantidade de fios, maior dedicação e esforço serão solicitados do manipulador.

Naturalmente, um boneco que radicalize a mobilidade, o movimento, exigirá grande número de fios. Mas mesmo a manipulação de bonecos mais simples, com movimentos mais parcimoniosos, torna a operação ligeiramente mais complexa. Daí a preferência do Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo pelo boneco de luvas. Seu formato simples assegura a rapidez das apresentações-satélites, aquelas que ocorrem no bojo da apresentação-mestre. Como o processo é muito dinâmico, a prioridade incide sobre tudo o que se apresente mais prático, sem que se perca –naturalmente - a necessária plasticidade e os elementos que tornam o espetáculo lúdico e instigante.

Antônio Carlos dos Santos - criador da Metodologia Quasar K+ de Planejamento Estratégico e a tecnologia de produção de Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O que é o teatro de bonecos?

_____________________________________

(...)
Humilhas, avanças, provocas, agrides, espancas, torturas, aprisionas indefesos – e quem bate e violenta é a tropa de choque?
Te tornaste carne, sexo e prostituta de incubo de Saturno –
e ensandecidamente acusas o outro de estupro? (...)

Leia o poema Uma oração para canalhas clicando aqui._____________________________________

O que é teatro de bonecos?

O que é teatro?

Teatro é a manifestação artística em que se registra a presença de um ator e de um espectador. No teatro ocorre o desenvolvimento de uma estória em que um determinado conflito é explorado, dando contornos à trama.

O que é teatro de bonecos?

O nome já é bastante explicativo, esclarecendo sua definição.

Teatro de bonecos é o tipo de manifestação teatral em que ocorre a presença de bonecos; bonecos de variadas espécies e formatos, manipulados por atores que se exercitam para praticar esta atividade. Uma outra palavra utilizada para designar boneco é o vocábulo títere.

O que é o teatro de bonecos Mané Beiçudo?

É uma modalidade de teatro de bonecos que agregou as características do espetáculo onírico, da improvisação e do humor cáustico - heranças da commedia dell’arte de origem italiana - e que mergulha no universo das comunidades, resgatando seus valores e tradições culturais, mobilizando suas populações para que consigam identificar seus problemas estruturais, de modo que, compreendendo-os, possam solucioná-los de uma forma solidária e participativa.

O TBMB possibilita que a arte se incorpore ao cotidiano das pessoas; e os problemas concretos, os vivenciados no dia a dia sejam processados através de um tipo de reflexão “crítico-lúdica” que só o teatro consegue disponibilizar.

A reflexão crítica é um componente inerente a qualquer processo sustentável de transformação social. Sua estruturação científica muitas vezes a reveste de um formalismo hermético de difícil apropriação por parte das camadas populares. Esta é a razão da criação desta nova categoria, a reflexão “crítico-lúdica”, modalidade de retorno do pensamento sobre si mesmo, com vista a examinar mais profundamente o problema, abordando-o sempre sob o viés da cultura e das manifestações artísticas locais. No que se constitui em estratégia para que a comunidade exerça a reflexão e o raciocínio lógico sem abrir mão do prazer, alquebrando a sisudez dos procedimentos acadêmicos.

Por suas características intrínsecas, o Teatro de Bonecos Mané Beiçudo pode mesmo – no limite - se apresentar sem os bonecos porque a substância é a participação popular através do teatro, e pode ser que a comunidade estabeleça a opção de empregar a tecnologia prescindindo dos títeres, enfatizando a performance corporal dos atores ou, quem sabe, destacando a linguagem circense ou outras facetas do universo cênico.

Mas, em sua manifestação mais completa, para que o TBMB se apresente em seu inteiro teor, com toda a dimensão e expressividade que dele emana, há que se efetuar uma completa interação entre o teatro de atores expostos e o teatro de bonecos, entre os Espetáculos Satélites e o Espetáculo Mestre, entre os bonecos gigantes e os diminutos bonecos de luva, entre o teatro de rua e o teatro conformado na empanada, entre o resgate das manifestações artístico-culturais locais e a identificação e o processamento dos problemas objetivos da comunidade.

Desde a idade média, diversos estudiosos e encenadores têm realizado experiências e elaborado princípios que procuram conduzir a um teatro mais abrangente, que enseje maior aproximação entre os atores e a platéia. Alguns sugeriram mesmo a supressão da platéia partindo do pressuposto de que todos seriam transformados em atores. Outros com Meyerhold buscaram elementos na rua e no circo para aprofundar a interação. O fato é que um teatro que resgate as origens dionisíacas, as grandes festas carnavalescas em que o povo exercia intensa participação - ao invés de simplesmente assistir - é um objetivo que vem de muito. Um objetivo também perseguido pelo Teatro de bonecos Mané Beiçudo.

Antônio Carlos dos Santos - criador da metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e da tecnologia de produção do Teatro Popular de Bonecos Mané Beiçudo.acs@ueg.br